Foto: Eduardo Matysiak

Favorito à presidência, Alberto Fernández denuncia uso político de acordo Mercosul-UE

"Em que consiste um acordo que é rechaçado pela França, segunda maior economia europeia?", questionou Alberto Fernández

O candidato líder nas pesquisas da disputa presidencial argentina, Alberto Fernández, criticou a forma precipitada como foi feito o anúncio do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia: "para que [o atual presidente Mauricio] Macri possa aparecer com uma conquista na sua campanha eleitoral".

A declaração foi dada em coletiva de imprensa após a visita do político argentino ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba (PR). Fernández, que compõe chapa com a ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015), visitou Lula acompanhado pelo ex-chanceler brasileiro Celso Amorim.

O tema econômico deve ser central nos debates eleitorais para as eleições previstas para 27 outubro na Argentina. O país vizinho atravessa uma grave crise econômica com elevados índices de endividamento público e uma inflação que fechou 2018 acumulada em 47,6%, o maior número em 27 anos.

Por conta disso, Fernández acusou um oportunismo eleitoral do atual presidente e principal concorrente no pleito Mauricio Macri, ao vangloriar-se de um acordo que é rejeitado por países importantes e sobre o qual se desconhecem os detalhes. "A verdade é que a França já está rechaçando o acordo. E, se a segunda economia da Europa rechaça, em que consiste esse acordo?", questionou o presidenciável.

Foto: Eduardo Matysiak
O candidato concorrerá tendo a ex-presidente Cristina Kirchner como vice e visitou Lula em Curitiba ao lado do ex-chanceler Celso Amorim

O candidato argentino, entretanto, afirmou não ser contra a existência de um pacto de integração e comentou que, enquanto era chefe de gabinete no governo de Kirchner, iniciou negociação, ao lado de Amorim, por um acordo entre o Mercosul e a União Europeia.

O peronista se diz preocupado com um possível agravamento do processo de desindustrialização na Argentina por conta de uma possível facilitação da entrada de produtos europeus no continente – "O que nós precisamos é fazer funcionar as indústrias para voltar a dar trabalho aos argentinos", contrariou. 

"Se o acordo for o que nós supomos, que é outra vez que nós vendamos produtos primários, e eles nos vendam produtos industriais, nós vamos ter que revisar isso sem sombra de dúvidas", concluiu ao ser perguntado se revogaria o acordo no caso de ser eleito.

 

Edição: Rodrigo Chagas

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