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Nos rincões de El Alto, médicos cubanos ajudam crianças com necessidades especiais

Localizada 4150 metros acima do nível do mar, El Alto é um desafio para os médicos cubanos que ali colaboram em diversos centros de saúde

Rodeada por picos montanhosos como o Illimani, o Huayna Potosí e o Mururata, El Alto, com cerca de um milhão de habitantes, integra a área metropolitana El Alto-La Paz e é conhecida pelas boas instituições de saúde que possui e que contam com a colaboração médica cubana.

Além do Hospital Comunitário Chacaltaya, em que laboram duas dezenas de especialistas provenientes da maior ilha das Antilhas, e da Clínica Oftalmológica, também liderada por especialistas cubanos, o Centro Integral de Saúde Copacabana oferece um "apoio ímpar e gratuito a crianças com transtornos neurológicos", destaca a Prensa Latina.

À agência, um dos colabores cubanos, o neuropediatra Mario Antonio Sánchez, explicou que têm registados na sua base de dados "cerca de 3000 crianças com transtornos como epilepsia, paralisia cerebral infantil, autismo, transtornos de aprendizagem e da linguagem".

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Acrescentou que os recursos humanos para avaliar estas patologias são insuficientes na Bolívia, dada a "elevada incidência das mesmas". "Daí a importância da nossa consulta, destinada a diagnosticar e oferecer um tratamento a milhares de pacientes", disse.

De acordo com o especialista, o trabalho de neuropediatria inclui pesquisas que visam identificar casos que requerem ajuda e acompanhamento, entre os quais bebés que nascem com algum risco associado a factores como o sofrimento fetal.

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Com a colaboração médica cubana, El Alto possui neuropediatria de vanguarda

Ajuda a famílias com menos recursos, também de países fronteiriços

Sánchez também presta assistência a crianças acolhidas pela Fundación Manuelita, criada com o propósito de atender a menores que padecem de transtornos semelhantes aos referidos. Lourdes Trigo, coordenadora pedagógica da Fundação, disse à Prensa Latina que o centro, que lida sobretudo com crianças de famílias com baixos recursos económicos, não dispunha de assistência especializada, pelo que o trabalho do neuropediatra cubano é vital para eles.

"A questão primordial é ajudar o povo boliviano, sem nos importarmos com os rigores do clima ou outro contratempo", frisou o neuropediatra cubano, com experiência reconhecida na área do autismo, sublinhando que as crianças com necessidades especiais necessitam, além das terapias, de ser compreendidas e amadas.

Ao Hospital Chacaltaya e ao Centro Oftalmológico de El Alto, que prestam assistência a uma população na sua maioria pobre, chegam também doentes de países fronteiriços, nomeadamente do Peru, do Chile e da Argentina.

Presente há 13 anos na Bolívia, a brigada cubana salvou 110 mil vidas e devolveu a vista a cerca de 700 mil pessoas, entre nacionais e estrangeiros. A cooperação atual é fruto do acordo assinado em 2005 pelo presidente boliviano, Evo Morales, e o líder histórico da Revolução Cubana, Fidel Castro, que incluiu, além do envio de contingentes, a atribuição de 5000 bolsas a jovens da Bolívia para estudar medicina em Cuba.

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