Prensa Latina

"Para poder pagar, primeiro é preciso sair da recessão", diz Cristina Kirchner sobre FMI

Vice-presidenta advertiu que as soluções devem ser validadas frente à sociedade e o povo argentino merece saber como ocorreu este processo de endividamento

A vice presidenta da Argentina, Cristina Fernández, apresentou em Cuba seu primeiro livro, Sinceramente, com muitas confissões que validaram o título do volume que se tornou best seller depois de sua publicação.

A 29° Feira Internacional do Livro (FIL), realizada em Havana, foi o evento escolhido para expor o texto pela primeira vez fora da Argentina.

Cristina, como é chamada por seus próximos e seguidores, entre outras coisas, explicou a razão de uma das fotos mais difundidas, em dezembro passado, da cerimônia de mudança de administração.

Naquela ocasião, o presidente que saía, Mauricio Macri, estendeu-lhe a mão em público e ela pensou por um momento em não retribuir, "porque não sou hipócrita, depois do que fez a mim e a minha família", exclamou.

A confusão do momento, suas múltiplas dúvidas e finalmente a intenção de não virar notícia por negar-se a cumprimentar Macri, provocaram o mesmo efeito: catapultaram-na às primeiras páginas e às manchetes da imprensa argentina com uma expressão facial que transmite desagrado.

Mas Cristina é assim, diz sentir-se orgulhosa de pensar como pensa e não lhe vem a hipocrisia; fala e age Sinceramente.

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A 29° Feira Internacional do Livro (FIL), realizada em Havana, foi o evento escolhido para expor o texto pela primeira vez fora da Argentina

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, e outras autoridades de seu governo assistiram à apresentação na sala Nicolás Guillén, da Fortaleza San Carlos de La Cabaña, sede principal do encontro na capital.

Segundo revelou Fernández, sua primeira experiência como escritora permitiu-lhe comprovar que na realidade os livros acabam por tornarem-se independentes de quem os escreve.

Comentou também que não se propôs a escrever um livro autobiográfico, algo que fará mais adiante, mas sim que queria contar o que aconteceu, não apenas a ela, mas a seu país e aos argentinos depois de 9 de dezembro de 2015, dia em que se despediu do cargo de presidenta da nação sul americana.

Começa a relatar aquele momento no livro sob o título "Depois de transformar-me em abóbora"; ia ser o primeiro capítulo, mas com o tempo aconteceram coisas, algumas talvez terríveis para todos os argentinos, mas seguramente terríveis para sua vida.

Durante o governo do presidente Mauricio Macri (2015-2019) Fernández e toda sua família foram objeto de uma perseguição política, midiática e judicial sem precedentes. Segundo esta mãe de dois filhos, a perseguição aos opositores políticos adquiriu um componente mafioso.

Sua filha Florencia Kirchner foi a Cuba, em fevereiro de 2019, para fazer um curso intensivo para roteiristas de cinema, na Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños, e não pode sequer começá-lo porque seu estado de saúde se deteriorara sensivelmente.

A jovem ainda se encontra em Havana, recebendo tratamento médico, e Fernández achou-a muito melhor nestes dias, razão pela qual agradeceu publicamente ao governo e aos médicos de Cuba. "A fama da medicina cubana e da humanidade dos médicos de Cuba é mais que justa", afirmou.

Sobre o país que o presidente Alberto Fernández e ela como vice presidenta receberam, acredita que deveria haver uma revisão integral do esquema tarifário e avaliar como foram os aumentos aplicados desde janeiro de 2016.

Também assegurou que de uma recessão econômica sai-se "com muito investimento por parte do Estado" e considerou importante devolver às pessoas sua capacidade de consumo.

Segundo a vice presidenta, o atual presidente Alberto Fernández tem um compromisso com a sociedade e vai cumpri-lo.

Fernández lamentou a grande dívida pública que sua nação contraiu durante o governo de Macri com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que entregou uma soma superior à estabelecida em seus próprios estatutos, o que para ela não foi uma violação casual.

"Para poder pagar, hoje, primeiro é preciso sair da recessão", afirmou a vice presidenta; mas advertiu que as soluções devem ser validadas frente à sociedade e o povo argentino merece saber como ocorreu este processo de endividamento.


*Martha Sánchez jornalista da redação de Prensa Latina em Havana

**Prensa Latina, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

***Tradução: Beatriz Cannabrava


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