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“American First”: Projetos de governo como o de Trump tendem a ter vida curta

Se Trump nos Estados Unidos tem essa apontada derrocada, levará consigo, outras tentativas de seguir seus passos
Claúdio di Mauro
Diálogos do Sul
São Paulo (SP)

Tradução:

Nos Estados Unidos, as pesquisas mostram Biden ascendendo e com boas perspectivas de vitória eleitoral.

Com um governo que protege os homens, do sexo masculino, mesmo, de cor branca e proprietários dos meios de produção, Trump navega por águas turvas e mostra que deseja um mundo para poucos, reitera a América para os Americanos dos Estados Unidos.

Mesmo que seja com vitórias transitórias, esse tipo de comportamento e projeto de governo, tende a ter vida curta. Mesmo o imperialismo, como fato histórico tem começo, meio e fim. 

Se Trump nos Estados Unidos tem essa apontada derrocada, levará consigo, outras tentativas de seguir seus passos

White House
Nos Estados Unidos, as pesquisas mostram Biden ascendendo e com boas perspectivas de vitória eleitoral

Nunca aconteceu de que um império tivesse duração eterna. Mesmo que tenha vida longa, mas nos tempos da história, acabará. Assim foi com o Império romano, assim foi com a tentativa de Hitler.

Infelizmente, esse tipo de modelo deixa suas marcas muito duradouras. Afeta profundamente os efeitos sociais, econômicos e ambientais.

As pesquisas eleitorais nos Estados Unidos demonstram que esse modelo de neofascismo adotado por Trump  está em vertical decadência. E para isso as forças progressistas do mundo devem se dedicar, mesmo sabedora de que a outra alternativa tem viés neoliberal.

Se Trump nos Estados Unidos tem essa apontada derrocada, levará consigo, outras tentativas de seguir seus passos. O bolsonarismo estará nessa esteira e declínio.  

O caso brasileiro de Bolsonaro, Olavo de Carvalho e Mourão, com seus apaniguados também está em declínio. Não se pode continuar com essa aventura autoritária, desrespeitadora da vida sobre o planeta e especialmente da vida humana.

Nesta semana o competente Luis Nassif no seu canal GGN publicou um texto primoroso mostrando o pior dos cenários para o mundo, caso tenha vitória a pior alternativa para o desenvolvimento, favorecendo aos ímpetos e anseios de Trump no mundo e com repercussões positivas para o bolsonarísmo no Brasil. O texto de Nassif bate fundo na necessidade de uma reação forte e que seja capaz de unir os setores progressistas que não desejam o caos para a humanidade.

Ao mesmo tempo em que foi publicado esse conteúdo, surgiu a manifestação de Mourão, defendendo a tortura e os torturadores que agrediram a Nação, durante a infeliz ditadura militar. Mais um fato histórico ultra(s)passado, vencido pelas lutas sociais e que esses projetos de ditaduras querem repaginar.

O torturador é sádico, é covarde e é criminoso. Trump, Bolsonaro e Mourão, simbolizam esses tristes algozes.

O vice presidente do Brasil, general Mourão se arroga defensor de Carlos Alberto Brilhante Ustra, o maior covarde e torturador de nossa história. Agressão, promoção de horrores contra pessoas presas, indefesas, entregues em suas mãos. Covardia inominável. 

Elogiar torturadores, covardes como fez Bolsonaro em seu voto na aplicação do golpe contra o Estado Democrático de Direito, derrubando o governo Dilma e agora a manifestação de Mourão configuram crimes contra a Constituição Federal, contra a Democracia. Isso não é algo menor. É de fato uma grande agressão contra as famílias dos torturados, contra os assassinados pela ditadura que incentivou e gerou tanto ódio difundido na sociedade brasileira.

Tais agressões ainda não foram punidas em função de um pacto firmado pelo governo Bolsonaro com setores que comandam as instituições brasileiras. Está se configurando e agravando o conteúdo da gravação do então senador Romero Jucá, afirmando que haveria um acordo para retirar Dilma com a proteção para esse estado de caos que se generaliza pelo Brasil. Ou seja, o roteiro do golpe estava traçado e pactuado com representantes das instituições.

São praticadas diuturnamente covardias contra o Estado Democrático de Direito. Assim é que no governo pós golpe de 2016 foi desativada a Comissão responsável pela efetiva anistia das pessoas e famílias torturadas, presas e agredidas pela ditadura militar. Em maio de 2014 a Comissão Nacional da Verdade, presidida pelo jurista José Carlos Dias oficializou e publicou seu primeiro relatório com quase mil páginas e anexos, contando as atrocidades praticadas pelos torturadores e golpistas da ditadura militar. Esse Relatório faz parte do ensino da verdadeira História do Brasil, pós 1 de abril de 1964. Nesse Relatório estão contidas as agressões contra o Estado Brasileiro e seus cidadãos: desde as detenções ilegais, passando pelas torturas, violências sexuais e de gênero, violência contra crianças e adolescentes, desaparecimentos forçados, mortes causadas pela tortura. Enfim, nesse Relatório, livro 1, está demonstrado o clima de ódio e a falta de respeito mínimo às Leis vigentes, praticadas sob o comando de militares ditadores, apoiados por civis. 

O Brasil de agora não pode ignorar por onde transitam as energias dos golpistas que assumiram funções e elogiam torturadores.

O Brasil não pode facilitar que tantas atrocidades sejam reeditadas num País que tem todas as condições para viver pacificado e com o devido respeito às vidas dos componentes da natureza e das relações sociais.

Evitar esses caminhos tortuosos para nossa história significa romper com os modos de operar dos governos Trump nos Estados Unidos e Bolsonaro no Brasil. Triste componentes que enaltecem e elogiam o que há de pior no âmago dos setes humanos e de nossas sociedades.

O Brasil precisa voltar a respirar sob o clima e o tempo da nossa tenue democracia, com respeito às leis, revigorando a Constituição Federal de 1988.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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