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Imagem: captura de tela/Alesp

Amyra El Khalili: atual agressão do Estado Sionista à Palestina é ainda pior que a Nakba, de 1948

Amyra fez emocionante contribuição na Alesp em memória aos 76 anos da catástrofe que marcou o início da colonização sionista no território palestino
Redação Diálogos do Sul Global
Diálogos do Sul Global
São Paulo (SP)

Tradução:

Nesta segunda-feira (13), Amyra El Khalili, professora de economia socioambiental e editora das redes Movimento Mulheres pela P@Z!, fez uma emocionante contribuição no Ato Solene “DA NAKBA AO GENOCÍDIO EM GAZA: 76 ANOS DE COLONIZAÇÃO”, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

Na mensagem, Amyra destaca pontos apresentados na carta intitulada “Um apelo de Mulheres Brasileiras em Missão de Paz no Oriente Médio”, com “pedidos de socorro e as propostas que palestinas e palestinos consideram essenciais para alcançar uma paz justa e duradoura na região”.

A beduína palestino-brasileira também ressaltou questões históricas e milenares do povo palestino e afirmou: “Este é um esforço coletivo pela justiça, solidariedade e paz na Palestina, demonstrando a importância da unidade e mobilização internacional por uma iniciativa de mulheres brasileiras”.

Confira a contribuição na íntegra:

Ato Solene “DA NAKBA AO GENOCÍDIO EM GAZA:
76 ANOS DE COLONIZAÇÃO”

Apresentação dos objetivos da Carta Apelo pela Palestina

Contribuição de Amyra El Khalili

Caras e Caros Presentes,

É com imenso senso de responsabilidade e urgência que nos reunimos neste Ato Solene, intitulado “DA NAKBA AO GENOCÍDIO EM GAZA: 76 ANOS DE COLONIZAÇÃO”, para compartilhar um momento de reflexão e ação em prol da libertação da Palestina.

Antes de mais nada, quero expressar meus agradecimentos ao presidente desta Solenidade, Deputado Maurici, e cumprimentar o Embaixador Ibrahim Al Zeben e todas as demais autoridades e lideranças aqui presentes, bem como aos seus realizadores: FEPAL – Federação Árabe Palestina do Brasil, Comissão de Relações Internacionais da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, presidida pelo Deputado Maurici, e as bancadas de Deputadas e Deputados estaduais do PCdoB, PSOL e PT.

Meu nome é Amyra El Khalili. Represento a União Brasileira de Mulheres – UBM, o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta Pela Paz – CEBRAPAZ e a Federação Democrática Internacional de Mulheres – FDIM“, em escuta ativa de “Mulheres Palestinas, o Pilar da Resistência”.

Foi-me conferida a tarefa de mensageira. Desde Jerusalém, trago em mãos uma carta a ser entregue ao presidente desta Sessão, Deputado Maurici.

Esta carta, intitulada “Um apelo de Mulheres Brasileiras em Missão de Paz no Oriente Médio”, trata-se de um relatório cujas demandas são um instrumento jurídico elaborado em conformidade reconhecida por observadores internacionais independentes de vários países que atentamente escutaram lideranças de mulheres palestinas de lá e lideranças de mulheres palestinas de cá, gravado em videoconferência, na semana do Dia Internacional da Mulher.

Além de ser um instrumento jurídico, esta carta também é uma compilação dos principais pontos abordados em vários apelos enviados por intelectuais e lideranças palestinas, com o objetivo de ser encaminhada aos governos, autoridades e lideranças de nosso continente, sendo um chamado à responsabilidade da comunidade internacional sobre a realidade e a verdade dos fatos do que acontece em Gaza, na Cisjordânia e Jerusalém, territórios ocupados da Palestina pelas forças coloniais israelenses.

Esta carta apresenta seis apelos e suas considerações, refletindo os pedidos de socorro e as propostas que palestinas e palestinos consideram essenciais para alcançar uma paz justa e duradoura na região. Neste exato momento em que pronuncio estas palavras, o exército israelense avança sobre Rafah, resultando na aniquilação de uma população encurralada, composta por mais de 1 milhão e meio de palestinos, predominantemente mulheres, crianças e idosos. Se nos referimos apenas às crianças, são mais de 600.000, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), enfrentando inanição, escassez de água, falta de acesso a remédios, saneamento básico precário, infraestrutura destruída e uma incapacidade de se proteger ou buscar refúgio entre Rafah e o deserto do Sinai no Egito. Por mais inimaginável que possa parecer, a atual agressão desse mesmo algoz colonizador está gerando um cenário ainda pior do que foi para nós a Nakba de 1948.

Passemos, pois, direto aos apelos por ações imediatas segundo a avaliação das mulheres palestinas, visando enfrentar a atual situação sofrida pela Palestina:

  1. Apoio às mulheres palestinas vítimas de violência e encarceramento por parte do exército israelense, buscando expor os crimes cometidos contra elas e pressionar por seus direitos e libertação;
  2. Cessação do fornecimento de armas para Israel por parte de países aliados, visando interromper a escalada de violência e genocídio na região;
  3. Suspensão das relações diplomáticas com Israel por parte dos países que mantêm tais laços, como medida para evitar um agravamento da situação e um possível conflito regional;
  4. Reconhecimento do dia 1º de Maio, para o próximo ano 2025, como o “Dia dos Trabalhadores da Resistência Palestina”, destacando a importância de apoiar as lutas de libertação no Sul Global;
  5. Apoio à liberdade de imprensa e comunicação na Palestina, denunciando os ataques contra jornalistas e meios de comunicação por parte de Israel;
  6. Defesa da liberdade acadêmica e científica, em resposta às prisões e perseguições de acadêmicos, intelectuais e estudantes palestinos por parte das autoridades israelenses.

Como testemunho eloquente da presença de sua população original, Jericó, a cidade mais antiga do mundo, reconhecida como patrimônio da humanidade pela Unesco em 2023, tem sua fundação datada em torno de 11.000 anos atrás. Suas muralhas, as mais antigas reconhecidas pela história, construídas há cerca de 8.000 anos, também testemunham o esforço multimilenar desse mesmo povo em se defender de seus agressores. Há pelo menos 76 anos, esse mesmo povo grita a todo o planeta por sua liberdade e autodeterminação.

Esta carta é um ponto de partida para uma questão com ao menos 76 anos de atraso para ser solucionada.

É também uma iniciativa de mulheres brasileiras escutadoras sobre os sentimentos, a opinião, o desejo e clamores de mulheres palestinas.

Esta carta é a palavra de palestinas e palestinos, que procuramos traduzir o mais próximo possível de seu sentido original, valorizando sua habilidade da escrita, sua poesia, sua cultura e saberes de resiliência e perseverança para defender seus territórios e seu povo.

Esta carta não é um manifesto.

Esta carta não é um panfleto.

Esta carta não é um discurso de palanques.

Esta carta não é uma gritaria de surdos.

Esta carta é um documento a ser enviado para as autoridades, lideranças, governos e tribunais internacionais de justiça, à mais alta corte de Haia e ao Tribunal Penal Internacional, à ONU, em sua relatoria, e a todos os operadores do Direito que defendem os direitos humanos e do ambiente, formando alianças inquebrantáveis por um Bem Maior. Desta forma, ela se torna mais do que uma carta, mais do que um libelo. Para muitos pode mesmo se tornar uma “carta na manga”.

Esta carta permitirá adendos, ou seja, desde que a publicamos com seis apelos, já recebemos mais apelos desde a Palestina Ocupada.  Recebemos os apelos dos agricultores, os apelos dos estudantes, os apelos dos médicos, os apelos dos escritores e artistas. Não param de nos chegar apelos.

Portanto, o que começou com seis apelos pode se multiplicar em mais apelos, porém serão, agora, adendos à carta, se os grupos afins desejarem seguir nossa caravana e nos apoiar na sua subscrição.

A carta está publicada em português, espanhol, francês, inglês e árabe e comigo trago um panfleto para entregar aos interessados com as informações de como acessar e participar desta caminhada com nossas frentes.

Já somos 111 organizações de 34 países em cyberação internacional: África do Sul, Argentina, Bolívia, Brasil, Cabo Verde, Camarão, Chile, Chipre, Colômbia, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Equador, Espanha, Etiópia, EUA, Gana, Guatemala, Guiné Bissau, Itália, Líbano, México, Namíbia, Nigéria, Paquistão, Peru, Porto Rico, Portugal, Rússia, Sudão, Togo, Turquia e Venezuela.

A coleta de assinaturas coletivas não cessará até que os objetivos desta carta sejam alcançados, porque os palestinos e palestinas temos fé, uma fé na resistência, uma fé que nos mantém vivas e vivos pela nossa existência e dignidade; uma fé que não se esgota e que nos coloca diante do destino, cumprindo uma missão pela evolução da humanidade e proteção de todos os seres vivos neste planeta.

Este é um esforço coletivo pela justiça, solidariedade e paz na Palestina, demonstrando a importância da unidade e mobilização internacional por uma iniciativa de mulheres brasileiras.

E, para cumprir esta missão, entrego, agora, a carta para a Deputada Beth Sahão, presidenta em exercício, neste ato que nos permitiu, aqui, estarmos irmanados, nesta noite, num encontro com as pessoas certas, na hora certa e no lugar certo.

Agradecemos a atenção de todas e todos.

InshAllah

Palestina livre “Do rio ao Mar”!

São Paulo, 13 de Maio de 2024.

Amyra El Khalili
UBM – União Brasileira de Mulheres
CEBRAPAZ – Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta Pela Paz
FDIM – Federação Democrática Internacional de Mulheres

Notas:

*Vocês – em escuta ativa de “Mulheres Palestinas, o Pilar da Resistência”. 🎧 Acesse a carta com a lista atualizada AQUI👉🏻https://abrir.link/LGwPc

Veja a fala completa de Amyra El Kalili:

**Acesse a transmissão na integra gravada ao vivo pela TV ALESP AQUI:

Edição de Texto: Alexandre Rocha


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

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