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Aos 98 anos de sua morte, Lenin ainda vive na luta de milhões de pessoas ao redor do mundo

Uma gloriosa herança na luta pela libertação humana e pela construção de uma sociedade mais justa
Gustavo Espinoza M.
Diálogos do Sul
Lima

Tradução:

Há 98 anos, em 21 de janeiro de 1924, no Sanatório Gorki, na periferia de Moscou, deixou de existir Vladimir Ilich Lenin. Tinha então 53 anos e era o Chefe do Estado Soviético que havia sido capaz de construir a partir da Revolução Socialista de Outubro conhecida no mundo desde 1917.

Amado por milhões de homens e mulheres em todo o planeta, e odiado em toda parte pelos inimigos dos povos, Lenin pertenceu ao que bem se podia denominar Categoria dos Imortais. E é que seu nome e sua obra viverão para sempre, através dos séculos.

Nasceu em 1879, em Simbirsk, uma pequena aldeia russa. Seu irmão mais velho, Alejandro, foi um ativista da “Vontade do Povo”, uma estrutura terrorista que atentou contra a vida do Czar. Por isso, foi capturado e executado em 1887. Quando o jovem Vladimir conheceu o destino de seu irmão, disse com firmeza: “não seguiremos esse caminho. Não acabaremos com um Czar. Acabaremos com o Czarismo”.

E assim ocorreu na gesta que se iniciara na cidade de Petrogrado em 25 de outubro de 1917 – no antigo Calendário Gregoriano – equivalente a 7 de novembro em nosso tempo. 

Uma gloriosa herança na luta pela libertação humana e pela construção de uma sociedade mais justa

Wikimedia Commons
Vladimir Ilich Lenin

O Smolny – um antigo internato para senhoritas – foi o Quartel General de onde se dispôs a operação final. Os disparos do Cruzeiro “Aurora”, a tomada do Palácio de Inverno, o Congresso dos Sovietes e a instalação do Primeiro Conselho de Comissários do Povo, liderados por Lênin, foram transmitidos em imagens sucessivas que assomaram como episódios inscritos na história.

O fato marcou uma etapa. O czarismo, como forma de dominação feudal acabou para sempre e com ele morreram todas as velhas formas de exploração humana no imenso país dos Montes Urais. O Poder Soviético, instalado nessa noite, transferiu-se a Moscou na semana seguinte. E a Praça Vermelha ficou convertida no símbolo de uma experiência inédita.

Nunca ninguém teria podido dizer a Lenin como agir. Nem ele poderia ter consultado alguém que tivesse vivido antes essa experiência. O Poder Soviético foi a primeira vez que um povo se dispôs a construir uma ordem social nova, mais humana e mais justa. 

Foram anos extremamente duros e difíceis. À resistência interna da antiga classe dominante somou-se a paz com anexações que foi imposta em 1918, a agressão de 14 nações, a guerra civil que dessangrou o território russo até 1921, a hostilidade manifesta do mundo formal dessa época. E nesse marco, os graves problemas da fome, do atraso social, do abandono dos povos, da ignorância herdada.

A gesta foi inspirada em antigas batalhas: na sublevação dos escravos nos anos de Espártaco; na guerra dos povos originários contra o domínio imperial romano; nos ideais da Revolução Francesa; na luta dos “Cartistas”, na Inglaterra Isabelina; na Conspiração dos Iguais, na França demolida; na Comuna de Paris em 1871. E, por certo, nos memoráveis escritos de Marx e Engels, fundadores do Socialismo Científico, no Manifesto Comunista de 1848 e na esperança dos povos, sempre mobilizados.

Todas estas foram lições do passado que viviam nos livros, mas não podiam dar conselhos concretos orientados à construção do futuro. Isso ficou nas mãos de Lenin e seus companheiros.

Lenin foi um homem infatigável. Um de seus adversários mais constantes, o socialdemocrata Dan disse que ele era imbatível porque só vivia e pensava em e para a Revolução. Perseguido, preso, relegado na Sibéria, assediado na vida clandestina, desterrado na Europa Ocidental escreveu, debateu, promoveu e organizou a luta do seu povo sem descanso, nem antes nem depois de 1917.

Leitor infatigável, dizia-se que se o sindicato dos livreiros necessitasse de um santo padroeiro, devia escolher Vladimir Ilich Lenin. Adán R. Ulam, um de seus biógrafos mais críticos, alude à capacidade polêmica de Lenin: “O adversário terminava aturdido e se via obrigado a aceitar o evangelho revolucionário de Lenin, ou a rebelar-se irracionalmente contra o poder que emanava desse homem”.

Trabalhando esforçadamente, criou imprensa revolucionária e organização de combate; desenhou a tática e a estratégia na luta por alcançar seus mais elevados ideais; forjou consciência revolucionária em milhões de pessoas em todos os países; e abriu um caminho de desenvolvimento que pode converter a velha Rússia dos czares na União Soviética, primeira potência mundial em diversas ordens.

Em outras palavras, foi o maior condutor da Revolução dessa época. Legou à humanidade uma gloriosa herança na luta pela libertação humana e pela construção de uma sociedade mais justa.

Mariátegui o perfilou nitidamente: “a figura de Lenin –nos disse- está nimbada de lenda, de mito e de fábula. Se move sobre um cenário longínquo que como todos os cenários russos é um pouco fantástico e um pouco aladinesco. Possui as sugestões e atributos misteriosos dos homens e das coisas eslavas…

Hoje Lenin vive na memória de milhões de homens e mulheres que, em todo o mundo, lutam por seguir seu exemplo.

Embora a URSS temporariamente tenha desaparecido, não se extinguiram nem os ideais nem os propósitos que a fizeram possível. 

Por isso se diz que Lenin, aos 97 anos de sua morte, está sempre entre nós, ou seja, na história. 

Gustavo Espinoza M*, Colaborador de Diálogos do Sul de Lima, Peru

Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Gustavo Espinoza M. Jornalista e colaborador da Diálogos de Sul em Lima, Peru, é diretor da edição peruana da Resumen Latinoamericano e professor universitário de língua e literatura. Em sua trajetória de lutas, foi líder da Federação de Estudantes do Peru e da Confederação Geral do Trabalho do Peru. Escreveu “Mariátegui y nuestro tiempo” e “Memorias de un comunista peruano”, entre outras obras. Acompanhou e militou contra o golpe de Estado no Chile e a ditadura de Pinochet.

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