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Aos algozes da esquerda na América Latina: ideias não se encarceram, nem se matam

As ideias se combatem com ideias e se ganha o poder com o povo, pelo povo e para o poco, desaparecendo a fome e a miséria
Juan Verástegui Vásquez
Diálogos do Sul Global
Lima

Tradução:

O sanguinário fascista Adolf Hitler desencadeou um holocausto de grandes e dramáticas proporções. Em 1923 deu um Golpe de Estado falido pelo qual foi condenado a 5 anos de prisão, mas aos 8 meses foi liberado e redigiu um programa anticomunista e antissemitismo baseado na hegemonia, absoluta, da Alemanha Nazista no continente europeu.

Já mais por aqui, em feito, a tomada do poder consistia em Golpes de Estado drásticos e carniceiros, comandado pela CIA. Em Cuba, Fulgêncio Batista, ditador sanguinário, se encarniçou contra os comunistas, pendurava em uma árvore seus opositores, até matá-los. Foi Fidel Castro quem pôs fim a essa tirania.

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Na Bolívia com Hugo Banzer Suárez, ditador militar, assaltou o poder por meio de torturas, perseguições, assaltos, assassinatos e desaparecimentos forçados no marco do “Plano Condor”, no qual participou o ditador peruano Francisco Morales Bermúdez, como um dos mais sanguinários da região, sentenciado por um Tribunal de Roma à cadeia perpétua e posteriormente foi Alberto Fujimori – Montesinos, nos casos La Cantuta e Barrios Altos, Pativilca. Esterilizações forçadas.

O atentado terrorista do Banco da Nação no centro de Lima, onde morreram agentes de segurança, etc. No Chile, outro ditador sanguinário, Augusto Pinochet Ugarte, que determinou que o estádio do Chile fosse o centro de detenções, torturas e matanças de cidadãos detidos com seu famoso “Túnel da morte”.

Sanções, Ucrânia, guerra às drogas e mais: veja discursos de líderes latino-americanos na ONU

Foram encontradas, ademais, contas bancárias secretas nos EUA produto da corrupção e do roubo. Derrocou e assassinou o presidente socialista Salvador Allende, com muitos assassinados mais. No Paraguai, Alfredo Stroessner, ditador sanguinário. Na Argentina outro ditador militar, Jorge Rafael Videla, etc. 

Todos estes sanguinários Golpes de Estado tiveram como objetivo impedir que a esquerda, o socialismo, cheguem ao poder. Impondo-se governos ditatoriais pró capitalistas, como continuação do saque da riqueza dos povos, subjugá-los e submetê-los.

Foi uma época obscura e sanguinária, onde se faziam donos do poder; aquele que se opunha, reprimiam e matavam. As vítimas eram personagens democráticos, de esquerda e progressistas. Os chamados “Arquivos do Terror” achados no Paraguai em 1992, dão a cifra de 50 mil pessoas assassinadas, 30 mil desaparecidas e 400 mil presos.

As ideias se combatem com ideias e se ganha o poder com o povo, pelo povo e para o poco, desaparecendo a fome e a miséria

Governo do Chile

Não nos deixemos submeter, o governo deverá ser pelo povo, com o povo e para o povo (Plaza Salvador Allende, Chile)




Guerras Híbridas

Esta prática antipopular e genocida, de ocupar o poder, por meio de assaltos ao poder, com o tempo vai perdendo vigência e é “remoçada” pelas Guerras Híbridas. O tenente da marinha norte-americana Frank Hoffmann define que “as ameaças híbridas incorporam uma gama completa de modos diferentes de guerra que incluem capacidades convencionais, táticas e formações irregulares, operações encobertas, atos terroristas com violência e intimidação indiscriminada e desordem criminal (…)”. Inclui guerra econômica, insurreições, assassinatos por encomenda, ações paramilitares, atentados com explosivos, destruição do transporte público, etc.

Na Venezuela contra Hugo Chávez e, hoje, contra Nicolás Maduro, aplicam as “guerras políticas” que são o paradigma atual como forma de desestabilização de governos. Suas armas são operações sujas, boicotes, operações encobertas, desabastecimentos, panelaços, golpes de Estado, sanções econômicas e políticas, pressão midiática etc.

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Por Ricardo Orozco, em “Operação Venezuela”, o enroque à Venezuela consiste em “cercar e asfixiar” sobre a sociedade e o governo venezuelano. Termina por depor a atual ordem social e recomenda a aplicação de um dos milhares de planos que atualmente são produzidos nos centros de inteligência, incluso com a participação direta da Organização de Estados Americanos (OEA) de Luis Almagro, em sua elaboração, e se funda em duas fases: uma é preparar as condições que possibilitem a saída do governo de Maduro e, depois, uma vez ele fora do poder, armar, dominar e começar a reconstrução social, mas, agora sim, sob a ótica do neoliberalismo. Para isso devem aplicar campanhas midiáticas que permitam tergiversar nas consciências de populações fazendo crer, falsamente, o caráter autoritário e despótico de Maduro.


Lawfare ou Guerra Jurídica

Em sua evolução aparece o “LAWFARE” ou “Guerra Judicial”. O teórico militar Von Clausewitz sentencia que a guerra é a continuação da política por outros meios, o lawfare seria seu conceito espelho; a continuação da guerra por outros meios (judiciais). O uso da lei como uma arma de guerra, com a judicialização da política aos opositores políticos, que preconizam o bem-estar da população.

“Eleito um setor ou personagem político como inimigo, a lei e os procedimentos judiciais são utilizados pelos agentes públicos como uma forma de desmoralizar, perseguir e encarcerar aqueles líderes que foram estigmatizados como inimigos”, explica o advogado Maximiliano Rusconi.

Documentário sobre atentado contra a Amia, na Argentina, expõe Lawfare contra Cristina

De acordo com a CELAG, incorpora juízes, corporações de comunicação, jornalistas e líderes de opinião, policiais, embaixadores e agentes de inteligência (locais e estrangeiros). Suas armas são o assédio e a desmoralização da vítima através de meios de comunicação. Inclui invasões de locais políticos, residências, perseguição e ameaça a familiares, com manipulação e propagação de medo, contra líderes políticos e personagens de esquerda e progressistas. Nunca são pessoas da direita e da oligarquia ou, em todo caso, fazê-lo aparecer como real, mas no fundo é uma farsa. 

Nos últimos anos, estas táticas têm sido utilizadas contra várias dezenas de líderes e ex-funcionários de governos progressistas, como na Argentina contra Cristina Kirchner, com abertura de uma dezena de processos judiciais com pedidos de prisão preventiva, inclusive nos casos já terminados ao sentenciar-se sua inocência e outros que foram fechados e as queixas retiradas. Mas continua em alguns deles e persiste a perseguição judicial, com o objetivo de inabilitá-la para a vida pública, política e eleitoral.

Os casos começam com a chegada ao poder de Mauricio Macri, direitista oligarca, que arma a coisa maquiavélica para julgar Cristina, forçando a renúncia da procuradora-geral da Nação e nomeando gente parcializada vinculada ao seu entorno. Evocam fatos que já haviam sido julgados e fechados com autoridade de coisa julgada. Mas também modificaram a estrutura da Agência Federal de Inteligência (AFI) e perseguem Cristina com manobras de espionagem ilegal.

No Conselho da Magistratura, protegeu-se juízes que agiram de maneira funcional (favorável a Macri) e perseguiu-se juízes que operavam de maneira digna, de acordo com a lei. Enfim distorceram, manobrando operações dirigidas contra Cristina. E não se diz nada da corrupção de Macri pela fuga de mais de 86 bilhões de dólares; foi embora e deixou uma dívida externa de 227 bilhões, endividando seu país pelos próximos 100 anos e de outros casos mais.

Equador contra Rafael Correa com inumeráveis casos dirigidos pelo criminoso Lenin Morenos, mas o verdadeiro propósito foi tirá-lo do jogo político nas eleições de 2021. Durante sua gestão, realizou uma série de reformas em favor de sua população. 

Brasil contra Lula Da Silva, futuro presidente deste país, até o encarceraram injustamente. Bolívia contra o presidente Evo Morales, com um brutal golpe de Estado com intenções de matá-lo por parte de Jeanine Añez e do tristemente Luis Almagro da OEA, etc.

Nada encontraram. Todos estes presidentes desenvolveram programas de governo a favor do povo e contra o neoliberalismo e esse é o delito.

Mas também se está aplicando aqui no Peru, com muitos líderes políticos progressistas, esquerdistas e do povo, como Walter Aduviri Calisaya, Presidente Regional de Puno, de onde “meu encerro é produto de uma justiça politizada, me sentenciaram sem nenhum meio probatório. A justiça da região Puno [está] a serviço da grande mineração transnacional, [que] cumpriu seus grandes objetivos: saquear os recursos naturais alinhados aos interesses dos governos neoliberais, cujo pensamento único é encarcerar aos que pensam diferente (…) Estes governos neoliberais, incluindo o de Vizcarra, me têm feito prisioneiro político deste sistema, graças ao seu braço político no sistema judicial da região Puno”… (Diario La República).

A questão é arrasar com personagens que têm uma cosmovisão global e nacional antineoliberal e muito sensibilizados com a fome do povo e com o atraso estrutural histórico. Pretendem alcançar a justiça social, redistribuir com justiça e equidade a riqueza nacional, autonomizar os destinos do país etc. As tremendas riquezas que o Peru possui são benefício para o anêmico desnutrido crônico, faminto, despossuído, cozinhas comunitárias, etc. 

Nesse contexto, Gregorio Santos foi acusado, processado e sentenciado, sobre a base das declarações do colaborador eficaz, Luis Pasapera Adrianzen, sem que suas afirmações fossem corroboradas, assegurou Santos, o sentenciaram a 19 anos e 4 meses de prisão preventiva e ao pagamento de S/ 1.550.000. Na atualidade este personagem, Luís Pasapera A. se encontra ligado a Karelim López com milionários contratos com Provías e, está cumprindo prisão preventiva por 36 meses. De acordo com o diário La República “Desfrutou dos benefícios que recebe aqueles que aceitam os delitos e delatam atos ilícitos e identificam as responsáveis, como sucedeu no caso do ex-governador Gregório Santos”. Santos se opôs frontalmente à exploração da mina Conga, com seu slogan: “Conga não vai”. 

O recentemente libertado Antauro Humala, resenha um caso paradigmático da utilização, incluso, além do Lawfare, referido ao andahuaylazo; o tiveram “sequestrado” cerca de 19 anos, em tal virtude nos remetemos a um vídeo do jornalista Nicolás Lucar (ver o link). Se levantou contra o presidente de então, Alejandro Toledo M. e de Pedro Pablo Kusincki, os acusou de imorais e corruptos, também contra Alberto Fujimori. O tempo lhe deu a razão. 

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Mas sim se revela uma aplicação vil e desprezível de Lawfare, o que se refere a Vladimir Cerrón Rojas, líder do Partido Político Peru Livre. Descreve ela diante das acusações que “Eu devo ser o neurocirurgião mais pobre deste país. Porque dediquei grande parte de minhas operações, que superam as mil, totalmente gratuitas, sem cobrar um centavo. Disso pode dar fé o povo de Huancayo. Operações que bem em Lima podem custar entre S/ 100.000 e S/ 200.000. Com cinco dessas operações teria (S/200,000 X 5 = S/ 1,000,000) o patrimônio que eu fiz em vinte anos de trabalho. Aqui não há magia. Aqui há trabalho, trabalho e trabalho filantrópico, em favor do povo”.

Agrega, “Minhas contas estão totalmente investigadas. Eu tive oito investigações com lavagem de ativos das mesmas contas. Seis foram arquivadas. Uma está para ser encerrada. A conclusão de todas as peritagens que sempre fizeram é a seguinte: não existe desequilíbrio patrimonial”, recalca, ademais, “meus ganhos provêm da quarta categoria, que é da atividades privada e da quinta categoria, como médico neurocirurgião em EsSalud, como governador regional, como professor nomeado na Universidade Nacional de Centro e como professor da Universidade Peruana dos Andes, em seu momento”.

Sentencia que, ao redor disso se tece toda uma história de que esse dinheiro veio do Vraem, dos Dinâmicos, etc. etc. etc.  É o mesmo dinheiro que está investigado há muito tempo. Por isso é que não tenho nenhum problema com meu patrimônio. De patrimônio o que eu tenho é somente uma casa neste momento e minhas contas de poupança. Nasa mais. Não tenho empresas. Não tenho dinheiro do estrangeiro. Não manejo cartões de crédito. Não sou corrupto nem ladrão. 

Agrega que “Nenhum neurocirurgião no Peru é tão pobre. Com a profissão que tenho , era para que tivesse, em Huancayo, uma grande clínica se tivesse trabalhando como médico neoliberal. Mas não o fiz, por duas razões: porque meu pai foi um homem de esquerda e assassinado por suas ideias. E o outro: porque me educou a revolução cubana não para ser mercantilista, mas sim para servir o povo, e assim o faço”. 

“Meu patrimônio agora, como qualquer neurocirurgião em Lima, deveria ser entre dezesseis e vinte milhões de dólares, que não é. Que investiguem outros neurocirurgiões aqui em Lima. E veja a diferença abismal do patrimônio que há em vinte anos de trabalho”. “Também escrevi livros. Dois de medicina, um de história e outro de descentralização. Estou escrevendo mais dois. O legado do meu pai é uma formosa e grande biblioteca de pedagogia, de história e de filosofia. A isso respondem às opiniões que faço.”

Até com sua mãe se meteram em assuntos que o próprio Cerrón esclareceu. 

E há muitos casos mais, também. E quantas mais virão.

 

Governo do Povo e pelo Povo

Estes que nos governaram por 200 anos e pretendem fazê-lo por quantos séculos mais, nada fizeram pelo país. Arrastamos, desde sempre, fomes e misérias, anemias, desnutrição crônica, cozinhas comunitárias, desemprego, com uma economia primária exportadora, atrasada nas cadeias globais de valor e, pior, com asquerosos atos de corrupção e pilhagem. 

Expressão drástica e brutal de uma aplicação grosseira e sinistra de Lawfare. Orientam, o marcam e começam a desencadear crua, grotesca e asquerosamente, sua ação contra a vítima.

Sua ação malévola, contra o opositor político, de esquerda e progressistas é, em primeiro lugar, amansar com gestos e atitudes benévolas, incluindo dádivas, abrandando sua atitude. Se não cede, passam a uma segunda etapa com suborno (doação de dinheiro, viagens, presentes, estudos etc.) e algo de pressão midiática, por meio da imprensa, acompanhamentos etc. Se ainda assim, a personagem é integra, com muita convicção ideológica e política e com demasiada consciência nacionalista e é incorruptível e firme e não cede, recorrem à terceira fase desencadeando suas brutais e diabólicas perseguição, expressadas no Lawfare.

Definitivamente, merece nosso reconhecimento, apreço, admiração e respeito estes líderes que se sacrificam em troca de nada, por salvar da anemia, desnutrição crônica de nossas crianças, por salvar da fome a muitos compatriotas que pulam refeições por não ter o que comer, etc. Que asquerosa e repugnante contradição, não acontece nada com aqueles que se arrastam e repita, para enriquecer-se via corrupção, roubo e rapina à custa de nosso povo. 

Daqui lhe dizemos, a história, nossa querida pátria, nossas crianças, o Peru profundo, lhe brinda um reconhecimento eterno e pleno. 

Não nos deixemos submeter, o governo deverá ser pelo povo, com o povo e para o povo. Somos a imensa maioria tanto em termos de quantidade como, fundamentalmente, em qualidade. Barremos com este repudiável Lawfare.

Que desgraça e que contradição, dos seis ex-presidentes (1,2,3,4,5 e 6, consecutivos – Recorde mundial) é claro que por corrupção nenhum está preso, até gozam de sua estadia no exterior, e também há centenas de ex-ministros, funcionários de alto nível, empresário, nenhum deles atravessou o transe de Lawfare ou das guerras híbridas e ninguém está preso. Um funcionário judicial (juiz) de muito alto nível escapou à Espanha. Dali também escapou, não é sabido e tem muito o que falar e também, muito poder. Fugitivo internacional e ninguém diz nada. 

Finalmente, lhes dizemos a estes golpistas, assassinos, genocidas e carcereiros, de então, que “as ideias não se reprimem, não se encarceram e, menos ainda, se matam; as ideias se combatem com ideias” e se ganha o poder com o povo, pelo povo e para o poco, desaparecendo a fome e a miséria e varrendo a corrupção e o roubo. Depende de nós, vamos fazer!

Juan Verástegui Vásquez, economista e colaborador da Diálogos do Sul.
Tradução: Beatriz Cannabrava.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Juan Verástegui Vásquez

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