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Apatia política entre jovens cresce nos EUA e pode atingir principalmente Biden

Em 2020, Biden venceu com uma margem de quase 25 pontos entre os eleitores de 18 a 29 anos, mas essa vantagem está desaparecendo
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

O futuro nos Estados Unidos, visto pelos que o estão herdando, não é muito alentador. É uma geração que viveu com seu país desatando guerras durante quase todas as suas vidas (Iraque, Afeganistão, intervenções em outros lugares, e participação indiretamente nas guerras na Ucrânia e na Palestina) e que pode ver, segundo cientistas, literalmente o princípio do fim da vida humana no planeta diante da crise da mudança climática, entre outras coisas.

Os políticos sempre dizem que quase tudo o que fazem é “por nossos filhos”. Mas esses filhos, segundo pesquisas, não creem muito nisso. A chamada geração Z nos EUA – com 12 a 26 anos – não confia nas principais instituições políticas ou sociais deste país, revelou a sondagem mais recente sobre o estado da juventude feita pela Gallup, em setembro de 2023. Entre as instituições menos confiadas pelos jovens está, em primeiro lugar, o Congresso, seguido pelos meios de comunicação, a presidência e as grandes empresas tecnológicas. Com exceção da Ciência, nenhuma instituição goza da confiança de uma maioria dos jovens.

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Em 2020, Biden venceu com uma margem de quase 25 pontos entre os eleitores de 18 a 29 anos, mas essa vantagem está desaparecendo

Foto: Ted Eytan / Flickr
Maioria dos jovens não confia nem em Biden, nem em Trump sobre vários temas

A reconhecida pesquisa nacional de jovens (18 a 29 anos de idade) da Universidade de Harvard [Harvard Youth Poll, 46ª edição, outono de 2023], emitida em dezembro, descobriu que os jovens provavelmente votarão menos em 2024 do que em 2020. Ao mesmo tempo, a totalidade não confia nem em Biden, nem em Trump sobre vários temas, desde a Guerra de Israel até a Ucrânia, mudança climática, violência de armas de fogo, saúde e segurança pública.

Ao iniciarmos o ano eleitoral, as sondagens demonstram um preocupante deterioro do apoio a Biden e à cúpula democrática entre os eleitores jovens. Biden ganhou por uma margem de quase 25 pontos entre os eleitores de 18 a 29 anos em 2020 – chave para seu triunfo sobre Trump –, mas essa vantagem está se esfumando.

Mas o perigo não é que os jovens de repente votem mais em Trump, mas que não participem da eleição. 58% dos eleitores entre 18 e 34 anos não estão seguros de que participarão desta eleição, segundo uma sondagem da Axios.

David Brooks | La Jornada, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.
Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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