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Apoiado por Genoino, boicote a empresas sionistas é apelo legítimo contra genocídio palestino

Diversos países e entidades têm instado a comunidade internacional a adotar estratégia como meio de pressionar Israel a um cessar-fogo
George Ricardo Guariento
Diálogos do Sul
Taboão da Serra

Tradução:

O ex-presidente do PT, José Genoino, encontra-se no centro de um intenso debate após ser alvo de críticas por parte da Confederação Israelita do Brasil (Conib). Tudo começou quando Genoino expressou seu apoio a um movimento internacional de boicote a produtos vinculados a Israel, em demonstração de solidariedade ao povo palestino.

A Conib – já conhecida por suas ofensivas contra figuras como o presidente Lula e a atual presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, e por movimentar processos de censura contra o jornalista judeu e fundador do site Opera Mundi, Breno Altman – rotulou as declarações de Genoino como um ato 'criminoso' de 'antissemitismo'. A entidade sionista foi além, qualificando a fala do ex-líder político como 'extremada', alegando que “o boicote a judeus foi uma das primeiras medidas adotadas pelo regime nazista”.

Gleisi Hoffmann rebateu as alegações denunciando que, para a Conib, qualquer crítica contra o genocídio operado por Israel, sob comando do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, é qualificada automaticamente como antissemitismo.

Campanhas de boicote a produtos associados ao regime sionista não são uma ideia inédita e nem isolada. Diversos países, movimentos sociais e grupos religiosos têm instado a comunidade internacional a adotar essa estratégia como meio de pressionar Israel a um cessar-fogo.


O aplicativo “No Thanks”

Uma das ferramentas criadas por apoiadores da causa palestina é o aplicativo 'No Thanks', que fornece a consumidores informações detalhadas sobre a origem de produtos, auxiliando a identificar mercadorias vinculadas a Israel.

Captura de tela mostra que Nescafé tem ligações com sionismo.

Conforme destacam os desenvolvedores no “No Thanks”, a ideia é ampliar o debate sobre as relações geopolíticas na região e incentivar uma abordagem mais crítica e informada sobre o conflito entre Israel e Palestina e as violações aos direitos humanos em curso na região.

Leia também: BDS: Movimento por Boicote, Desinvestimento e Sanções é crucial contra apartheid sionista

O aplicativo permite que usuários expressem seu repúdio ao genocídio operado por Israel em Gaza através do poder de escolha no consumo, de forma consciente e política, o que permite ainda reflexões sobre o impacto individual de cidadãos em meio a questões de grande escala.

Para baixar o aplicativo, clique aqui.


O sionismo na política e na mídia brasileira

Nos últimos anos, tem crescido o debate sobre a presença e a influência de empresas sionistas em várias esferas da sociedade brasileira. O fenômeno tem raízes no complexo cenário geopolítico do Oriente Médio e não passa despercebido quando se trata de intervenções na política e na grande mídia nacional.

Na esfera política, é possível observar a participação ativa de empresas sionistas em campanhas e doações para políticos brasileiros, o que levanta dúvidas sobre a independência de decisões governamentais e preocupações sobre o alinhamento automático do Brasil com as políticas de Israel. Críticos argumentam que isso pode comprometer a capacidade de o Estado brasileiro adotar uma posição imparcial em temas cruciais como a palestina.

Já na grande mídia, a interferência dessas entidades suscita inquietações sobre a objetividade e a equidade na cobertura de eventos relacionados ao conflito no Oriente Médio. A narrativa muitas vezes tende a favorecer perspectivas pró-Israel, enquanto as vozes palestinas são negligenciadas, contribuindo para a perpetuação de estigmas e desinformação. A mídia hegemônica é quase unânime ao utilizar terminologias como “terrorista” para descrever o Hamas.

Leia também: Análise: Jornal Nacional atua como cúmplice e propagandista do holocausto palestino

Nos últimos meses, tem sido notável o esforço da Rede Globo em reproduzir narrativas alinhadas com o posicionamento sionista, sobretudo no programa dominical Fantástico e no principal telejornal do Brasil, o Jornal Nacional. Os programas comumente ecoam as posições de Netanyahu, o que suscita questões sobre a importância da objetividade, da diversidade de vozes e de uma abordagem jornalística equilibrada em meio a questões geopolíticas complexas.

Mídia alternativas e independentes como a Diálogos do Sul se dedicam diariamente a entregar ao público uma cobertura crítica e contextualizada sobre o conflito em Gaza e o genocídio continuado operado por Israel em mais de 75 anos de ocupação.

Na grande mídia, esse tipo de abordagem frequentemente se reflete apenas mediante pressões da sociedade civil organizada, demandas por direito de resposta e campanhas nas redes sociais.

A hegemonia da mídia pró-ocidental, aliada ao lobby sionista, neopentecostais e influência da embaixada dos EUA, destaca a necessidade de critérios jornalísticos elevados para contrapor a narrativa dominante. No mesmo sentido, a reivindicação por critérios como contraditório, valor-notícia e prioridade na agenda torna-se crucial para desafiar a predominância de uma perspectiva unilateral nos meios de comunicação brasileiros.

George Ricardo Guariento | Jornalista e colaborador da Diálogos do Sul.
Edição: Guilherme Ribeiro


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
George Ricardo Guariento Graduado em jornalismo com especialização em locução radiofônica e experiência na gestão de redes sociais para a revista Diálogos do Sul. Apresentador do Podcast Conexão Geek, apaixonado por contar histórias e conectar com o público através do mundo da cultura pop e tecnologia.

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