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Após ‘morte cruzada’, eleições e favoritismo de Rafael Correa renovam esperanças no Equador

"Saber que em três meses elegeremos a Assembleia Nacional e um novo presidente dá certa paz à sociedade", afirma o sociólogo Agustín Burbano
Redação Prensa Latina
Prensa Latina
Quito

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O Equador prepara-se para eleger dentro poucas semanas o presidente e deputados em um processo de eleições antecipadas, depois que o mandatário Guillermo Lasso decretou a morte cruzada, recurso considerado fraudulento, mas que, ao mesmo tempo, dá esperanças.

Assim o qualificou o sociólogo Agustín Burbano, que em declarações a Prensa Latina afirmou que, com esta decisão, a longo prazo ganha o país ao superar o choque existente entre Executivo e Legislativo.

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“Saber que em três meses elegeremos a Assembleia Nacional e um novo presidente dá certa paz à sociedade e a esperança de que o atual momento político vai se resolver pela via eleitoral”, comentou o analista.

Indicou que a transição esperada caso prosperasse a destituição de Lasso pelo processo político não oferecia a possibilidade real de resolver os problemas da nação, porque quem assumiria seria o vice-presidente, Alfredo Borrero.

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Diante do próximo encontro nas urnas, previsto de forma tentativa para 20 de agosto, Burbano assegurou que o movimento Revolução Cidadã (RC) é a força política em melhores condições.

Para ele, a qualidade representativa desta organização – cujo líder é o ex-presidente Rafael Correa (2007-2017) – começou a melhorar quando há cerca de um ano retomou uma estratégia política de interpelação a Lasso, forte e nítida.

"Saber que em três meses elegeremos a Assembleia Nacional e um novo presidente dá certa paz à sociedade", afirma o sociólogo Agustín Burbano

Foto: Fernanda LeMarie – Cancillería del Ecuador/Flickr
Rafael Correa, então presidente do Equador, em Paris, França, em 5 de novembro de 2013

Neste momento é o movimento mais organizado nas regiões, com melhor comunicação pelos meios alternativos, e tudo isso, somado aos resultados eleitorais de 5 de fevereiro último, fazem a RC sair em primeiro lugar para estas eleições extraordinárias, afirmou.

No entanto, lembrou que estas eleições estão sendo organizadas pelo mesmo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o mesmo Tribunal Contencioso Eleitoral (TCE), a mesma Procuradoria Geral, a mesma imprensa e outras instituições que proscreveram líderes da RC.

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Sem suas intervenções ilegais, Lasso teria tido mais dificuldades para ganhar em 2021, não podemos ser inocentes, alertou o sociólogo.

Em conversa com esta agência, Burbano explicou que, apesar da turbulência política a sociedade está calma por agora porque um amplo setor, ainda que sendo vítima de cortes e medidas neoliberais do Governo, acredita que o sistema está enredado em problemas gerados por ele mesmo.

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Outro grupo altamente politizado, com opiniões a favor ou contra o mandatário não vai às ruas porque acha na morte cruzada uma solução para garantir em 90 dias uma nova Assembleia e a saída definitiva de Lasso do poder, acrescentou o especialista.

Inclusive, afirmou, agrada até aos simpatizantes do governante a medida porque creem que assim a maioria da RC deixará a Assembleia e esperam ter um rendimento eleitoral favorável; alguns até propõem a reeleição de Lasso, o presidente mais impopular da história do país.

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O CNE formalizou o começo do período eleitoral, com o que pode começar a organizar as eleições nas quais mais de 13 milhões de equatorianos elegerão presidente, vice-presidente e 137 deputados, que ficarão nos cargos apenas um ano e meio, até maio de 2025.

Redação | Prensa Latina, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.
Tradução: Ana Corbisier


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