Pesquisar
Pesquisar

Após privatização da distribuição de energia elétrica, reclamações sobem 96% no DF

Atual responsável pelo serviço, Neoenergia diz investir em infraestrutura, enquanto lança programas de demissão para cumprir "metas financeiras"
Rodrigo Messias
Brasil de Fato
Brasília (DF)

Tradução:

No primeiro ano de concessão e após um processo de privatização às avessas, a Neoenergia Brasília vem fazendo apostas para manter o sistema de distribuição de energia elétrica do Distrito Federal de pé.

Contudo, o que se noticiou no último ano foram as constantes e repetidas reclamações por conta da piora na prestação de serviços ao consumidor, bem como o aumento no tempo de restabelecimento do sistema, trazendo prejuízos e transtornos aos clientes.

A empresa trouxe a conhecimento que tem realizado inúmeras mudanças ao longo desse primeiro ano, sejam sistêmicas ou procedimentais, internas e externas, além de vários investimentos em setores estratégicos para melhorias na qualidade dos serviços, e ainda afirma que se leva algum tempo para que as mudanças gerem melhorias e de fato deem retorno aos seus clientes.

Mas o declínio da prestação de serviços foi tão recorrente e fora dos padrões anteriormente praticados na distribuição de energia elétrica no DF, que a Aneel, Agência Nacional reguladora de energia elétrica, cobrou ações emergenciais junto à empresa. Isso porque segundo a própria agência as reclamações entre março e novembro de 2021 aumentaram 96% em comparativo com o mesmo período do ano anterior, além da piora nos indicadores de DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) e FEC (Frequência Equivalente de interrupção por Unidade Consumidora), sendo estes últimos por conta das frequentes interrupções no fornecimento de energia, que chegou a ter duração de até 40h.

Além de todos esses problemas atraídos por conta de um plano privatista realizado às escuras, sem consulta à população, feito as pressas, e sem passar pelo crivo da câmara legislativa, ainda ronda na empresa o fantasma da demissão aos empregados oriundos da CEB Distribuição, reduzindo ainda mais um quadro que já está em defasagem.

A Neoenergia Brasília fez contratações de novos profissionais para o quadro, entretanto já realizou a abertura de três PDVs (Plano de Demissões Voluntárias) no decorrer do seu primeiro ano de concessão, e informa que ainda há a necessidade de adequação nos índices de PMSO (Pessoal, Material, serviços e outras despesas), por conta das metas financeiras a serem cumpridas no grupo, principalmente no item Pessoal que está aquém do que deveria ser praticado pela empresa, segundo os representantes da mesma.

Bom para acionistas, péssimo para população: os impactos da privatização da Eletrobras

Para o Sindicato dos Urbanitários no DF (STIU-DF), esta é uma informação preocupante porque o sistema necessita de pessoal especializado e com experiência, segundo a entidade representante dos trabalhadores, não se deve colocar em risco a vida de profissionais com pouca ou nenhuma experiência em uma área como a do sistema elétrico.

Atual responsável pelo serviço, Neoenergia diz investir em infraestrutura, enquanto lança programas de demissão para cumprir "metas financeiras"

Agência Brasília – Flickr
Declínio da prestação de serviços foi tão recorrente e fora dos padrões, que a Aneel cobrou ações emergenciais junto à Neonergia

E não há justificativa para que uma empresa de porte internacional abra mão de membros de uma equipe tão qualificada e comprometida quanto a dos profissionais que literalmente seguraram o sistema no braço para que este não entrasse em colapso ao longo do ano de 2021, principalmente no período chuvoso. A entidade sindical lembra, ainda, que a vida está sempre em primeiro lugar e que os trabalhadores são seres humanos e não cobaias.

Compreende-se que o compromisso firmado pela empresa junto à Aneel, bem como os esforços praticados por todos os trabalhadores e trabalhadoras trará maior estabilidade ao sistema e uma melhora nos serviços à população de Brasília no ano de 2022, e que as mudanças levam algum tempo, que estas não são apenas de procedimentos e/ou sistêmicas, mas também de cultura, porém é importante esclarecer que o cenário não é propício para o “descarte” de profissionais que, por seu conhecimento e experiência, geram estabilidade ao sistema e segurança nas atividades junto aos trabalhadores mais novos.

A privatização é um desastre para os trabalhadores e para a prestação de serviços à população. Isso é fato. A realidade que se coloca agora é de luta pela manutenção dos empregos e para a melhoria da qualidade no fornecimento de energia elétrica no DF.

Neste sentido, há muito que avançar, investimentos a fazer, metas a cumprir e um longo caminho a percorrer para que a Neoenergia Brasília deixe de representar a ameaça de demissões e a priorização de marketing e propaganda, passando a ser uma empresa realmente reconhecida pelos brasilienses, como foi CEB Pública.

Silvia Regina Portela e Rodrigo Messias são dirigentes do Sindicato dos Urbanitários do DF (STIU-DF).
Edição: Flávia Quirino


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

Assista na TV Diálogos do Sul


Se você chegou até aqui é porque valoriza o conteúdo jornalístico e de qualidade.

A Diálogos do Sul é herdeira virtual da Revista Cadernos do Terceiro Mundo. Como defensores deste legado, todos os nossos conteúdos se pautam pela mesma ética e qualidade de produção jornalística.

Você pode apoiar a revista Diálogos do Sul de diversas formas. Veja como:

  • PIX CNPJ: 58.726.829/0001-56 

  • Cartão de crédito no Catarse: acesse aqui
  • Boletoacesse aqui
  • Assinatura pelo Paypalacesse aqui
  • Transferência bancária
    Nova Sociedade
    Banco Itaú
    Agência – 0713
    Conta Corrente – 24192-5
    CNPJ: 58726829/0001-56

Por favor, enviar o comprovante para o e-mail: assinaturas@websul.org.br 


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Rodrigo Messias

LEIA tAMBÉM

crise-humanitaria-iemen
“Economia inclusiva” é hipocrisia do FMI para preservar capitalismo frente à desigualdade global
Mercado de Sucre, na Bolívia
Por que alimentos no Brasil estão caros e na Bolívia, baratos? Segredo está no pequeno produtor
Javier_Milei_and_Santiago_Abascal_(cropped)
Superávit de Milei é ilusionismo contábil: a verdade sobre a economia Argentina
Desigualdade_FMI_Banco-Mundial
Em Washington, Brasil adverte: FMI e BM seguem privilegiando EUA e outros países poderosos