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Após queda de Castillo, Peru vivencia fortes protestos contra o "golpe neofascista"

Em vários pontos do país, manifestantes exigem a libertação de Castillo, novas eleições e uma Assembleia Constituinte
Redação AbrilAbril
AbrilAbril
Lisboa

Tradução:

Na capital, Lima, milhares de manifestantes juntaram-se ontem nas imediações do Congresso para reclamar a libertação imediata do ex-presidente Pedro Castillo, destituído pelo Parlamento que tentou dissolver, e rejeitaram a tentativa de o privar de imunidade para que a Procuradoria o possa incriminar.

Os manifestantes, que tomaram a Avenida Bancay, exigiram o encerramento do Congresso, a convocação de eleições e de uma Assembleia Constituinte, bem como a recondução de Castillo na Presidência – cargo para o qual o povo o elegeu.

Por outro lado, não reconhecem o governo de Dina Boluarte, a ex-vice-presidente de Castillo, que tomou posse no Congresso logo após a destituição e a detenção do dirigente sindical.

Em vários pontos do país,  manifestantes exigem a libertação de Castillo, novas eleições e uma Assembleia Constituinte

Montagem
As manifestações e cortes de estrada contra o governo de Boluarte, contra o Congresso e por uma nobva Constituição têm-se sucedido no Peru

A Polícia tentou dispersar os manifestantes em Lima, recorrendo a gás lacrimogéneo e, segundo refere a TeleSur, sem grande repressão.

Registaram-se igualmente protestos noutras regiões do país sul-americano, no decorrer dos quais perderam a vida pelo menos dois manifestantes e mais de três dezenas ficaram feridos.

 Declaração face ao golpe de Estado neofascista e convocação de greve geral / TeleSur 

Ambos os manifestantes – de 15 e 18 anos de idade – perderam a vida durante um assalto ao aeroporto da província de Andahuaylas, cujas autoridades ponderavam ontem declarar o estado de emergência.

Por seu lado, Baltazar Lantarón, governador do departamento de Apurímac, onde se situa a província de Andahuaylas, pediu ao governo de Boluarte que enviasse mais polícias para a província referida e também que convocasse eleições, tendo em conta os protestos populares generalizados.

Nos últimos dias, têm-se registado manifestações e bloqueios de estradas em várias partes do país como forma de repúdio contra o governo liderado por Dina Boluarte – figura que acusam de estar envolvida no “golpe de Estado contra Castillo” – e de reafirmação da exigência de dissolução do Parlamento (algo que reclamavam já antes da destituição de Pedro Castillo).

Também criticam o novo primeiro-ministro, Pedro Angulo, por afirmar que os protestos são provocados por “agitadores profissionais”.

Anunciadas greve geral e jornada nacional de luta

A Frente Agrária e Rural do Peru e a Assembleia Nacional dos Povos emitiram uma declaração de «insurgência popular face ao golpe de Estado neofascista», tendo agendado uma greve geral para os dias 13 e 14 de Dezembro e uma jornada nacional de luta para dia 15, a que também adere à Confederação Geral dos Trabalhadores do Peru (CGTP).

No documento, acusam o Congresso, a cúpula das Forças Armadas, a comunicação social dominante, o Poder Judicial de terem perpetrado o golpe de Estado, ao serviço dos poderes reais e grandes grupos econômicos do país.

As organizações convocantes pretendem que o Congresso seja encerrado definitivamente, que seja criada uma Nova Constituição e que sejam convocadas novas eleições, mas sob um “novo contrato social, novas regras de jogo”.

Consideram Dina Boluarte como uma «usurpadora» e exigem a restituição de todos os direitos ao presidente constitucional da República, Pedro Castillo – cujas políticas criticaram múltiplas vezes, exigindo-lhe que cumprisse as promessas feitas.

Entretanto, Boluarte, a presidente de facto do Peru, que tem feito apelos à calma, anunciou pouco depois da meia-noite, numa mensagem ao país, que irá apresentar em breve um projecto de lei para adiantar as eleições gerais para Abril de 2024 e que o texto terá de ser elaborado de forma consensual pelos partidos representados no Congresso.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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