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Após sair do acordo com Ucrânia, Putin vai fornecer grãos de graça a países da África

Durante discurso na Cúpula Rússia-África, líder russo reforçou denúncia sobre o pacto: Etiópia, Sudão, Somália, entre outros, receberam "menos de 3%" dos cereais
Guilherme Ribeiro
Diálogos do Sul
Bauru (SP)

Tradução:

Nesta quinta e sexta-feira, 27 e 28 de julho, tem lugar em São Petersburgo, na Rússia, a Cúpula Rússia-África, um fórum econômico e humanitário que tem como tema “Pela paz, segurança e desenvolvimento”.

O presidente russo, Vladimir Putin, participou do evento nesta quinta e, em seu discurso, garantiu que a Rússia está pronta para fornecer grãos aos países mais carentes da África gratuitamente:

“Já disse que o nosso país pode substituir o grão ucraniano tanto comercialmente como na forma de assistência gratuita aos países mais necessitados de África, até porque esperamos novamente uma colheita recorde este ano”, afirmou.

A declaração chega em momento oportuno, logo após a suspensão do acordo de grãos do Mar Negro. O pacto, firmado com o apoio da ONU e da Turquia, garantiu que os grãos ucranianos fossem exportados ao mercado mundial sob garantias de segurança, o que foi fundamental para a queda de preços a nível global.

Em tese, a aliança deveria servir para evitar a fome em países mais necessitados, sobretudo na África. Porém, conforme denunciado por Putin, inclusive no discurso desta quinta-feira (leia a seguir), a maior parte dos alimentos teve como destino final países europeus.

Acordo de grãos

A intervenção de Putin no encontro deu especial atenção às questões relacionadas às exportações de seu país para o continente africano, denunciando que o Ocidente dificulta o envio de grãos e fertilizantes russos, ao mesmo tempo em que acusa Moscou – agora sobretudo em razão da suspensão do pacto de cereais – de ser responsável pela atual crise no mercado mundial de alimentos.

Durante discurso na Cúpula Rússia-África, líder russo reforçou denúncia sobre o pacto: Etiópia, Sudão, Somália, entre outros, receberam "menos de 3%" dos cereais

Kremlin
Putin: "Sanções ilegais impostas às nossas exportações […] impedem seriamente o fornecimento de alimentos russos"

“Durante quase um ano, como parte desse suposto acordo, um total de 32,8 milhões de toneladas de cargas foram exportadas da Ucrânia, das quais mais de 70% foram para países de renda alta e média-alta”, especialmente para o União Européia, especificou Putin, enquanto países como Etiópia, Sudão, Somália, entre outros, receberam “menos de 3% do total”, ou seja, “menos de um milhão de toneladas”.

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O presidente aproveitou para reforçar os motivos que levaram ao fim do pacto:

“A Rússia concordou em participar deste chamado ‘acordo’, também levando em conta as obrigações nele contidas de que os obstáculos ilegítimos ao fornecimento de nossos grãos e fertilizantes aos mercados mundiais seriam removidos. Na verdade, nada do que discutimos ou o que eles nos prometeram aconteceu”, disse.

Além disso, acrescentou: “criaram obstáculos até mesmo para nossos planos de doar fertilizantes para as nações mais pobres que precisam”. O mandatário reforçou que ações puramente humanitárias não deveriam estar sujeitas a sanções.

Relações promissoras entre Rússia e África

Putin detalhou importantes números ligados às transações russo-africanas. Um dos êxitos citados foi o crescimento de 10% no comércio de produtos agrícolas no ano passado, enquanto que de janeiro a junho deste ano, o aumento chegou a um recorde de 60%:

“A Rússia exportou 11,5 milhões de toneladas de grãos para a África em 2022, e só nos primeiros 6 meses deste ano, quase 10 milhões de toneladas. E isso apesar das sanções ilegais impostas às nossas exportações, que impedem seriamente o fornecimento de alimentos russos, complicam o transporte , logística, seguros e pagamentos bancários”, ressaltou.

Guilherme Ribeiro | Jornalista e colaborador na Revista Diálogos do Sul.
Com informações de Rússia Today


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Guilherme Ribeiro Jornalista graduado pela Unesp, estudante de Banco de Dados pela Fatec e colaborador na Revista Diálogos do Sul.

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