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Após vitória de Castillo, promotor da Lava Jato pede prisão preventiva de Keiko Fujimori no Peru

Candidata presidencial teve liberdade provisória concedida para campanha eleitoral
Michele de Mello
Brasil de Fato
São Paulo (SP)

Tradução:

Nesta quinta-feira, o promotor José Domingo Pérez solicitou a prisão preventiva de Keiko Fujimori por descumprir com suas restrições judiciais. A candidata já foi detida em duas ocasiões, como parte do processo que enfrenta pela Operação Lava Jato no Peru. 

Domingo Perez, da força especial da Lava Jato, é o relator do casoe, ao emitir a denúncia em março deste ano, havia solicitado 30 anos de prisão por lavagem de dinheiro, crime organizado e obstrução à justiça.

Pedido do Ministério Público do Peru tem efeito imediato, caso Justiça aprove Keiko pode voltar à prisão ainda nesta quinta-feira (10) / Reprodução 

A prisão preventiva de Fujimori impediria sua candidatura, mas o pedido não foi aceito. No entanto, suas atividade de campanha foram restringidas e deveriam ser comunicadas à Justiça para que as autoridades pudessem monitorar seu deslocamento. Fujimori é acusada de utilizar seu cargo de congressista para assinar contratos ilícitos com a construtora Odebrecht.

Candidata presidencial teve liberdade provisória concedida para campanha eleitoral

Reprodução: Winkiemedia
Keiko Fujimori pode ser detida antes de que sejam publicados os resultados oficiais das eleições presidenciais

Entenda o caso 

O Peru entrou na rota da Lava Jato em 21 de dezembro de 2016, quando foi publicado um documento do Departamento de Justiça dos Estados Unidos informando que a empreiteira brasileira Odebrecht havia subornado autoridades de 12 países para ganhar licitações de obras de infraestrutura.

A construtora teria transferido ao menos US$ 29 milhões – cerca de R$ 160 milhões, em valores atualizados – como propina a servidores públicos entre 2005 e 2014.

O período corresponde aos governos de Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016).

Quem é Keiko Fujimori? 

Filha do ex-ditador Alberto Fujimori, que governou o país durante toda a década de 1990, Keiko foi primeira-dama do Peru entre 1994 e 2000 e construiu sua carreira política apoiada no histórico do pai.

Em 2006 foi eleita congressista pela Aliança pelo Futuro, formando o bloco de oposição ao presidente Alan García (Apra). 

Mais tarde, em 2008, a empresária ajudou a fundar o partido de extrema-direita, Força Popular, sua atual legenda. Keiko exerceu legislatura até 2011, quando concorreu pela primeira vez a eleições presidenciais.

Segundo levantamento de meios locais, entre 2006 e 2011 Keiko esteve fora do país por 223 dias e acumulou mais de 500 ausências em sessões parlamentares.

Esta é a terceira vez que concorre e chega a um segundo turno em eleições presidenciais. Em 2016 perdeu para Pedro Pablo Kuczynski por apenas 41 mil votos.

Em 2018 foi presa acusada de lavagem de dinheiro, sendo liberada em 2019 e novamente encarcelada em janeiro de 2020. Desde abril do ano passado vive em regime de liberdade restrita. Keiko está impedida de viajar ao exterior e deve comparecer semanalmente à justiça. 

Se fosse eleita, Keiko já havia prometido conceder indulto ao seu pai, de 82 anos, condenado a 25 anos de prisão por crimes de lesa humanidade, que incluíram o assassinato de 15 pessoas, entre eles uma criança de 8 anos, além da esterilização forçada de 350 mil peruanas.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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