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“Arbeit macht freí”: Trump diz que bandos armados ostentando suástica são “gente boa”

Nada de mais, num país onde há campos de concentração, crianças foram sequestradas e colocadas em jaulas, enquanto a ciência é descartada

David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

Mais de 33 milhões de desempregados e cerca de 80 mil mortos, mas a Casa Branca insiste que têm feito um trabalho maravilhoso em controlar o desastre que este governo tem provocado e que chegou a ter dimensões econômicas e de saúde sem precedentes em quase um século. 

Especialistas em epidemias disseram que 90% das mortes neste país poderiam ter sido prevenidas se o governo federal tivesse implantado suas medidas de mitigação duas semanas antes. Nunca na história do país houve um fenômeno tão severo de desemprego em tão pouco tempo – tardou 2 anos depois da quebra da bolsa em 1929 para chegar a uma taxa de desemprego oficial de 15%, algo que aconteceu agora em apenas dois meses. 

Diante disso, pela primeira vez, alguns dos que votaram neste presidente começam a ter dúvidas. Aparentemente, quando milhões ficam sem trabalho, se enfermam e/ou perdem um ser querido pelo mal manejo de uma peste é algo negativo para os políticos. 

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Embora sondagens recentes mostrem uma deterioração do apoio ao mandatário, que supostamente está cada vez de pior humor ao ver esfumar-se o que pensava que seria uma reeleição fácil, não é momento para o otimismo. De fato, os Estados Unidos estão entrando talvez em uma das fases políticas mais perigosas de sua história. Um bêbado de poder é capaz de fazer qualquer coisa para seguir bebendo seu veneno (mesmo que não seja cloro), advertem muitos, incluindo republicanos, desde que Trump chegou ao poder. Bernie Sanders, Noam Chomsky, entre outros, o batizaram como “o presidente mais perigoso” da história moderna do país. 

Nada de mais, num país onde há campos de concentração, crianças foram sequestradas e colocadas em jaulas, enquanto a ciência é descartada

PxHere
Trump tem qualificado como “muito boas pessoas” os bandos de gente armada com suásticas que invadiram sedes de governos estaduais

Há campos de concentração cheios de pessoas chamadas de “ilegais” e “alheios”, crianças foram sequestradas e colocadas em jaulas, há agentes uniformizados parando as pessoas e batendo em suas portas exigindo: “seus documentos, por favor”, há a destruição e perversão do sistema de justiça com o presidente e seu procurador-geral intervindo em casos legais para resgatar seus colegas, como acaba de suceder com o ex-assessor de Segurança Nacional, o general Michael Flynn; questiona-se o patriotismo dos que se atrevem a criticar ou acusar o mandatário, os meios não alinhados são qualificados como “inimigos do povo” enquanto a ciência é descartada.

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O executivo comete repetidas violações de normas, liberdades civis e leis constitucionais e internacionais (como anular o direito ao asilo). Enquanto isso, Trump tem qualificado como “muito boas pessoas” os bandos de gente armada com suásticas que entraram nos capitólios estatais para exigir a anulação das medidas de mitigação da pandemia; em uma, no estado de Illinois contra o governador democrata – e judeu – um manifestantes levava um cartaz com o lema “Arbeit macht freí”, as palavras que estavam sobre as grades de Auschwitz.

“‘Pessoas muito boas’ não tentam determinar o curso da política pública mostrando armas de fogo diante de funcionários civis e legisladores eleitos. Os fascistas é que fazem isso… E isso é porque você gosta”, respondeu por tuíte David Simon ao presidente. 

Por certo, uma nova investigação publicada pela Reserva Federal de Nova York concluiu que os efeitos da “gripe espanhola” de 1918 ajudaram a nutrir o surgimento e o apoio ao Partido Nazista na Alemanha 

É irresponsável ser alarmista durante uma emergência. Mas também é irresponsável não chamar as coisas por seu nome. Aqui há um perigo real, onde a arquitetura democrática deste país, com todos os seus defeitos, está à beira de um crise existencial.  E se é assim, todos, dentro e fora deste país, têm que tomar uma decisões sobre se serão ou não cúmplices do regime encabeçado por Trump.  A história está cheia das lições de momentos como este. Não é novo, e o mais preocupante é recordar que rapidamente pode acontecer o pior.  

Por isso é tempo soar o alarme (e celebrar a resistência).

David Brooks, correspondente de La Jornada em Nova York

La Jornada, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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