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Argentina: escândalo de espionagem ilegal na gestão Macri provoca divisão entre ex-aliados

Na lista de espionados figuram Horacio Larreta, a ex-governadora de Buenos Aires, Eugenia Vidal, vários membros de Cambiemos e até a irmã caçula de Macri
Maylín Vidal
Prensa Latina
Buenos Aires

Tradução:

Falta muito por investigar em um escândalo que apenas começa, o de uma suposta espionagem ilegal durante a gestão de Mauricio Macri (2015-2019), em que não se salvam sequer membros de sua própria aliança.

O caso, levado aos tribunais de Comodoro Py, avança, enquanto vêm à luz novos dados e nomes de várias figuras políticas, sindicalistas e jornalistas, cujas mensagens de correio eletrônico foram interceptadas pela Agência Federal de Inteligência (AFI), dirigida naquele momento pelo agora ex-titular Gustavo Arribas.

As presumidas espionagens ilegais cometidas no governo do ex-presidente argentino continuam ganhando força, depois que a denúncia foi feita formalmente na semana passada de maneira eletrônica à justiça federal, pela atual titular da Agência Federal de Inteligência, Cristina Caamaño.

A apresentação do chamado “processo sistemático de inteligência ilegal” inclui uma longa lista de pessoas vinculadas à atividade política, sindicalistas, jornalistas, tanto da então oposição como do próprio governo de Macri.

Na lista divulgada pelos meios de comunicação, há deputados como Rodolfo Tailhade e a advogada Elizabeth Gómez Alcorta, hoje ministra das Mulheres, Gêneros e Diversidade, o líder sindical Héctor Daer, da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), a deputada Gabriela Cerruti e o presidente nacional do Novo Encontro, Martín Sabbatella, entre outros.

Na lista de espionados figuram Horacio Larreta, a ex-governadora de Buenos Aires, Eugenia Vidal, vários membros de Cambiemos e até a irmã caçula de Macri

Prensa Latina
Segundo o jornal Página 12, "os homens de Macri espionavam a própria família do mandatário, como Florencia Macri, sua irmã caçula"

Lista de alvos é extensa

A causa, que envolve pelo menos 15 integrantes da AFI, já conta com uma extensa lista de pessoas sobre as quais praticou-se espionagem ilegal, com fotos, vídeos e áudios que vão desde políticos, até membros de organizações sociais.

Segundo órgãos de imprensa, entre os presumidos espionados também aparecem o chefe de governo portenho Horacio Rodríguez Larreta, um dos “braços direitos” de Macri e a ex-governadora de Buenos Aires, María Eugenia Vidal, assim como vários membros de Cambiemos.

A lista inclui também a atual vice-presidenta Cristina Fernández e sua filha Florencia Kirchner, assim como membros do Poder Judiciário.

A informação das mensagens interceptadas nos últimos anos foi recuperada de um disco rígido marca Western Digital, hoje em poder da justiça, cujo relator é o fiscal Jorge Di Lello. O disco foi encontrado em dependências da Agência e fora apagado.

A investigação dá conta de que pelo menos desde 2 de junho de 2016, na gestão de Arribas, foram realizados sucessivos atos de espionagem de correios eletrônicos privados de quase 100 pessoas.

Justiça determina perícias

Nas últimas horas ficou-se sabendo que a Justiça já ordenou uma perícia no disco rígido e pediu cópia do dossiê dos espiões envolvidos.

O juiz federal Marcelo Martinez de Giorgi ordenou a peritagem e solicitou à Agência Federal de Inteligência cópia dos dossiês dos agentes que a interventora Cristina Caamaño mencionou na denúncia.

Já foram imputados pelo caso o ex-presidente Macri, Arribas, a subdiretora da AFI na época, Silvia Majdalani, o ex-chefe de Gabinete do órgão, Darío Biorci, e dois agentes que tiveram acesso ao disco rígido.

Segundo o jornal Página 12, “os homens de Macri espionavam a própria família do mandatário, como Florencia Macri, sua irmã caçula”.

Investigações devem ser aprofundadas

Ainda falta muito por investigar, mas já há várias figuras aceitas como querelantes, entre elas a ex-deputada Silvia Rojkes, a ministra Elisabeth Gómez Alcorta, a secretária de Direitos Humanos da província de Santa Fé, Lucila Puyol e o presidente do Novo Encontro, Martín Sabbatella.

“São fatos que não surpreendem. Dávamos por certo que isto estava acontecendo, o que aumenta sua gravidade, o que é criminoso em termos institucionais e políticos”, disse Sabbatella há alguns dias à imprensa.

Desde o Proposta Republicana (PRO), braço político fundado por Macri, a ex-ministra da Segurança, Patricia Bullrich, considerou que “é absolutamente ridícula” a denúncia afirmando que pode ter sido feita “para dividir” a coalizão opositora.

Certo é que a notícia gerou uma chuva de críticas de várias vozes, sobretudo daqueles políticos e figuras que aparecem na lista de espionados.

Maylín Vidal, correspondente de Prensa Latina desde Buenos Aires

Prensa Latina, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

Tradução: Ana Corbusier


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Maylín Vidal

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