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Argentinos decidirão entre seis candidatos qual será caminho do país nos próximos quatro anos

Os quase 34 milhões de cidadãos habilitados a votar terão em suas mãos a decisão de seguir com o presente ou virar a página
Maylín Vidal
Prensa Latina
Buenos Aires

Tradução:

Seis candidatos, porém dois modelos de país diametralmente diferentes com maiores possibilidade de chegar a dirigir os destinos da Argentina, se enfrentam nas urnas em 27 de outubro, em eleições com o país em crise.

A sorte já está lançada e a contagem regressiva começou, a campanha lança chispas e os dois principais rivais, o presidente Mauricio Macri e o candidato Alberto Fernández, centram os olhares nessas eleições que provavelmente decidam entre essas duas propostas. 

A Argentina, um país visivelmente polarizado no âmbito político e social, se enfrentará à última fase eleitoral para eleger presidente, vice-presidente, vários cargos públicos nas províncias, governadores em outras e renovar a metade do Congresso.

Com o desafio de tirar o país da recessão e de uma dívida que salta como tapa na cara, com a inflação crescendo, o número de desempregados e pobres também, os quase 34 milhões de cidadãos habilitados a votar terão em suas mãos a decisão de seguir com o presente ou virar a página.

País bendito pela natureza, com uma riqueza interminável desde o pampa até a Patagônia, a Argentina, um dos pesos pesados na geografia sul-americana, é nestes dias um fervedouro que se sente nas ruas por causa dessas eleições ante os olhos do mundo devido ao papel desse país para a América Latina.

Desde as propostas de fórmulas presidenciais até binômios para chegar ao posto de Governador em províncias chaves como Buenos Aires, a de maior quantidade de habitantes e eleitores, na lista de candidatos à cadeira da Casa Rosada há grupos geracionais que vão desde os 39 até mais de 70 anos.

Os quase 34 milhões de cidadãos habilitados a votar terão em suas mãos a decisão de seguir com o presente ou virar a página

Prensa Latina
Seis candidatos disputam presidência da Argentina

Primárias

O resultado das Primárias, Abertas, Simultâneas e Obrigatórias (PASO), de agosto passado, foi o disparador e deixou uma verdadeira radiografia do que poderia acontecer nas urnas, com uma grande quantidade de argentinos que desprezaram o presidente Macri por suas políticas antipopulares, quem hoje, contra vento e maré, faz de tudo para captar os indecisos. 

Em total são seis as fórmulas: Macri e o senador Miguel Angel Pichetto (Juntos pelo Cambio), Fernández ao lado da ex-mandatária Cristina Fernández (Frente de Todos), o ex-ministro de Economia Roberto Lavagna junto ao governador de Salta, Juan Manuel Urtubey (Consenso Federal) e os deputados Nicolás del Caño e Romina de Plá (Frente de Esquerda-Unidade).

Fecham a lista o ex-militar e ex-combatente da guerra das Malvinas, Juan José Centurión e a advogada Cinthia Hotton (Frente Nos), e o liberal José Luis Espert junto ao jornalista Luis Rosales (Frente Despertar).

Porém duas propostas antagônicas, de um lado o oficialismo com Macri, do outro, o binômio Alberto Fernández-Cristina Fernández, são as que mais pulsam nestas eleições e também no interior do país por serem as forças mais votadas nas primárias.

Fernández-Fernández

A fórmula Fernández-Fernández, depois de seu esmagador triunfo na primeira fase de agosto passado, com mais de 47 por cento, encabeça as últimas pesquisas difundidas no país, com uma margem de diferença ainda maior dos quase 17 pontos de vantagem sobre Macri. 

De cheio na campanha reivindicando obras públicas de sua gestão e anunciando mais promessas, Macri é visto em sua caravana do Sim se pode fazendo discursos em várias cidades e, além de prometer, tem deixado várias posições claras que não havia dito publicamente, como seu desacordo com o aborto. 

Com a ilusão de mudar os números das primárias, o mandatário vai com tudo pelo país reivindicando o que fez até agora e assegurando que agora “vem outra etapa, a do crescimento”. 

Mas o atual governante sabe que é difícil, principalmente neste último período do seu primeiro mandato a ponto de concluir em 10 de dezembro, após a hecatombe vivida depois das primárias quando o dólar explodiu, afundando ainda mais o peso nacional, elevando as cifras negativas de sua gestão, entre essas a quantidade de pobres.
Macri insiste que o país “está melhor que há quatro anos, que agora chega a etapa do crescimento” e que escutou tudo o que lhe disseram os argentinos nas urnas. 

Entretanto, há uma grande quantidade de pessoas, sobretudo em condições mais vulneráveis, que sofreram duramente o ajuste econômico e continuam fazendo malabarismos para chegar ao fim do mês porque o salário não dá, porque pagar o aluguel e comprar os alimentos é impossível. 

Enquanto isso, o outrora chefe de Gabinete durante os quatro anos de gestão de Néstor Kirchner (2003-2007) e o primeiro de Cristina Fernández (2007-2008), Alberto Fernández, junto à maior figura da oposição, apelam à unidade para colocar a Argentina de pé e assinalam que sua proposta estará alocada a um projeto justo, onde caibam todos.

Frente de Todos

A dupla da Frente de Todos, integrada por 16 braços políticos, têm recebido um amplo respaldo de sindicatos como os dos caminhoneiros, das centrais operárias, dos funcionários judiciais, do Sindicato Unificado de Trabalhadores da Educação e de outro compacto grupo de intelectuais, cientistas e demais setores. 

Cada um por sua vez e também juntos Fernández-Fernández percorrem o país, ele em vários atos, ela lançando seu livro Sinceramente, embora a ex-presidenta tenha tido que interromper a campanha para viajar a Cuba e visitar sua filha, Florencia Kirchner, internada com estresse pós-traumático na ilha há sete meses, 

Fiel ao legado de Juan Domingo Perón e de Néstor Kirchner, Alberto Fernández vai de um lado a outro com uma mensagem principal: pôr a Argentina de pé, lutar por um país federativo, com justiça social e igualdade, e sem fome. 

Em suas intervenções insiste em que, se ganhar, esta nação austral será dirigida por um presidente, 24 governadores e um país que construirão entre todos a partir de 10 de dezembro. Já é hora de nos levantarmos para ter “a Argentina que merecemos”. 

“Sinto a necessidade de poder ajudar e terminar com esta catástrofe social e econômica que vivem hoje os argentinos e as argentinas”, expressou recentemente sua companheira, Cristina, essa líder que governou o país durante oito anos e hoje se pôs ao lado de Alberto para acompanhá-lo como vice.

Com seu olhar de estadista e experiência na política, a ex-presidenta sabe o desafio que assumem, embora diga que não vai ser solucionado magicamente um endividamento brutal “como o que sofremos nesses anos”, disse. 

As opiniões são claras. Nossas prioridades são o trabalho e a produção, os humildes e a classe média, os comerciantes e os empreendedores, os que ensinam e os que aprendem. É preciso sair da lógica da especulação financeira e construir a agenda de desenvolvimento, salienta a Frente de Todos liderada pelos Fernández.

Terceira via

Neste grande mapa político aparece outra proposta como terceira opção com mais possibilidade e que busca despojar-se dos dois braços anteriores, Lavagna-Urtubey.

O ex-ministro de Economia ressalta que sua aliança nasceu “fruto do acordo e da coerência. Com Urtubey coincidimos no diagnóstico da crise económica e institucional de que padece a Argentina e na necessidade de criar uma alternativa superadora que nos conduza ao crescimento e à justiça social”, salientou recentemente. 

Lavagna, com 77 anos, tem um grande ponto a seu favor: foi o encarregado da economia durante a presidência de Eduardo Duhalde e Néstor Kirchner, quatro anos no cargo que o converteram no funcionário que mais tempo permaneceu nesse posto.

A construção de um espaço político que busca redefinir o federalismo na Argentina”, assim se autodefine a terceira força com maior peso para ganhar nas urnas, que em seu programa de televisão diz que sabem como levar adiante a economia. 

O almanaque começa a marcar o tempo restante quando faltam duas semanas para as eleições em um país onde a maior preocupação de muitos é como pagar o aluguel e chegar até o fim do mês. 

Nas mãos dos argentinos estará a decisão final, em um primeiro turno que, para ganhar, a fórmula vencedora deverá acumular 45 por cento dos votos, para não voltar às urnas para um segundo e último turno em 24 de novembro.

*Correspondente de Prensa Latina na Argentina.

**Tradução: Beatriz Cannabrava

***Prensa Latina, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

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Maylín Vidal

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