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Assembleia chavista da assume, em janeiro, o comando do poder legislativo na Venezuela

Desde 2017 a Casa estava praticamente sem poderes. Parlamentares poderão votar projetos para minimizar impactos do bloqueio sobre venezuelanos
Beatriz Contelli
Diálogos do Sul Global
São Paulo (SP)

Tradução:

No último domingo (06), cerca de 5,2 milhões de venezuelanos foram às urnas para eleger os novos representantes da Assembleia Nacional do país. Com mais de 67% dos votos, a aliança do Grande Pólo Patriótico (GPP), que apoia o presidente Nicolás Maduro, foi a escolha de 3,5 milhões de eleitores. 

O Parlamento eleito em 2015 era controlado pela oposição, porém, desde 2017, a Casa estava praticamente sem poderes, já que foi declarada em desacato. Com a normalização política do legislativo, espera-se que novas leis de enfrentamento ao bloqueio econômico imposto pelos EUA sejam aprovadas.

O processo eleitoral foi acompanhado por cerca de 1.500 observadores de mais de 34  países, que atestaram a legitimidade e transparência do processo eleitoral.

Mesmo assim, acusando, sem provas, as eleições de “fraudulentas”, uma parte da oposição, liderada por Juan Guaidó, não foi votar. A abstenção nesta votação foi de 69%. Em 2005, quando a oposição também chamou a um boicote, a abstenção foi de 75%.

Em decorrência disso, a direita tentou reivindicar pra si a vitória e convocou a votação de uma consulta popular que será feita por meio de requerimento telefônico e presencial no próximo dia 12. 

A consulta será o último mecanismo que resta de Guaidó para construir um discurso que legitime a manutenção da sua “presidência interina”.

Desde 2017 a Casa estava praticamente sem poderes. Parlamentares poderão votar projetos para minimizar impactos do bloqueio sobre venezuelanos

Reprodução: Twitter Nicolás Maduro
Nicolás Maduro votando na eleição de 2020 que elege representantes da Assembleia Nacional

Envolta por um cenário instável, a Venezuela enfrenta um forte bloqueio econômico dos Estados Unidos, escassez de gasolina na capital, inflação disparada e pressões diplomáticas. Brasil, Canadá, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Guatemala foram alguns dos países que afirmaram não reconhecer a legitimidade das eleições. 

A União Europeia (UE) também declarou que não vai reconhecer o resultado eleitoral. A esse respeito, o ex-presidente espanhol José Luís Zapatero, que acompanhou, em Caracas, o processo eleitoral, fez duras críticas.

Segundo ele, quem critica o processo eleitoral do país não o conhece. Ele também tentou, em vão, dissuadir a UE de seguir acompanhando a posição do presidente Donald Trump com relação às sanções impostas à Venezuela. 

“Espero que o possível desconhecimento não suponha desconsiderar os problemas do país (…) não desconsiderar significa apostar em uma mudança radical no que se refere às sanções e suas consequências econômicas, ter um olhar equilibrado, objetivo e convocar o diálogo, excluir o extremismo, o fanatismo e o ódio. Não negligenciar é respeitar a Venezuela e os venezuelanos”, disse. 

A Assembleia Nacional, que em  2015 passou a ser comandada pelos opositores do chavismo, será assumida por novos deputados no dia 05 de janeiro. Segundo Maduro, “nasce uma nova esperança, uma grande mudança e vem muito trabalho por aí. Os responsáveis pelo fracasso têm nomes, sobrenomes e rostos”.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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