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Ataques à democracia por parte do governo demonstram balbúrdia administrativa

Áreas com maior orçamento federal estão com dificuldades de gerenciar projetos e executar políticas em momento de pandemia
Rogério do Nascimento Carvalho
Diálogos do Sul Global
Caldas Novas

Tradução:

Os recentes ataques à democracia no Brasil mostram a fragilidade da sua consolidação após o regime militar. Nesta seara, assistimos ministérios serem comandados sem titular — caso da Saúde e da Educação, que possuem papel relevante ao combate ao novo coronavírus. 

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A tônica do ataque demonstra a balbúrdia de desorganização política do presidente, que foi ungido por partido sem projeção nacional e insiste em conduzir os destinos da nação com um viés fortemente fisiológico no Congresso Nacional para, assim, garantir sua sobrevivência política. 

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Sem designar titulares, as áreas que mais recebem parcelas do orçamento federal estão com dificuldades em gerenciar projetos e executar políticas durante a pandemia. Isso quando a soma de esforços seria a melhor saída para equacionar o grave problema social no Brasil.

Áreas com maior orçamento federal estão com dificuldades de gerenciar projetos e executar políticas em momento de pandemia

Agência Senado
Fachada do Ministério da Saúde durante pandemia do novo coronavírus.

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As pastas dirigidas por interinos são objetos de cobiça por políticos fisiológicos pela grande visibilidade, além do orçamento que detêm. Além disso, a indicação de profissionais da área pode estar à mercê de troca de favores com vistas a garantir o governo Bolsonaro, mesmo que com rejeição popular, o que é atestado por pesquisas de opinião recentes. 

Neste momento, o diagnóstico é de que a ausência de titulares nestas pastas contribui para o desgaste do governo federal junto à população. 

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A utilização constante da retórica presidencial, que desvia a atenção, acobertando soluções para as mazelas sociais é traduzida pela situação de caos na saúde, onde o conflito de decretos e leis dos entes federativos com a ausência de normatização federal é o palco ideal para a permissividade de interpretação local sem precedentes na região. 

Na Educação, questões que envolvem o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o calendário escolar permanecem sem resposta, o que aflige estudantes de todo o país e pode retardar o conhecimento de toda uma geração. 

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Se faz necessário ao presidente tomar as rédeas do governo e indicar titulares para as pastas de maneira coerente e digna do cargo, sem viés político, com profissionais que possam estar à altura dos desafios impostos por antigos ocupantes que deterioraram as relações interna e externas. 

Tais ações minaram aliados estratégicos e não corroboram para melhorar a situação dos cidadãos, que se veem à deriva diante do quadro peculiar da atual política nacional. 

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Rogério do Nascimento Carvalho

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