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Atentado a escritor russo prova que Otan alimenta o terrorismo de Kiev, afirma Kremlin

“Washington e seus aliados da Otan alimentaram outra célula terrorista internacional: o regime de Kiev”, declarou a porta-voz russa Maria Zakharova
Juan Pablo Duch
La Jornada
Moscou

Tradução:

O escritor russo Zajar Prilepin, figura emblemática a favor da incorporação à Rússia do leste e do sul da Ucrânia desde a anexação da Criméia em 2014, foi ferido no sábado (6), depois de um atentado à bomba, no qual morreu seu escolta, Aleksandr Shubin, que ia ao volante do veículo Audi que ficou destroçado pela explosão.

Os fatos ocorreram à altura da localidade de Pioner Skye, quando Prilepin, considerado um dos ideólogos do chamado Mundo Russo que promove como meta reunir de novo a todos os falantes de russo de diferentes lugares que formaram parte do império czarista, regressava do front em Donbass à sua casa na região de Nizhny Novgorod, a 400 quilômetros de Moscou na direção oeste, às margens do rio Volga.

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Há versões contraditórias sobre o estado de Prilepin, transferido em helicóptero a um hospital. Algumas agências noticiosas russas reportaram que está gravemente ferido e, em troca, o governador de Nizhny Novgorod, Gleb Nikitin, indicou que tem várias fraturas, mas sua vida está fora de perigo.

Shubin, sua escolta, um paramilitar separatista de 27 anos, originário de Lugansk, apodado Zloi (Malvado), morreu ao explodir o artefato com dois quilos de TNT colocado embaixo da parte dianteira do automóvel.

Um até agora desconhecido grupo guerrilheiro Atesh, que diz agrupar a tártaros da Criméia, ucranianos e russos, reivindicou o atentado na rede social Telegram.

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O ministério do Interior se adiantou à FSB (Serviço Federal de Segurança) ao informar que deteve um indivíduo de origem ucraniana que “poderia estar relacionado com o atentado”, segundo a porta-voz dessa dependência, Irina Volk, que agregou que vários policiais serão condecorados pela “rapidez com que ajudaram a esclarecer os fatos”.

Pouco depois, o Comitê de Instrução da Rússia, que se encarregou da investigação, informou em um comunicado que o detido, identificado como Aleksandr Permyakov, cidadão ucraniano nascido em 1993 e que tem antecedentes penais por haver cometido um assalto em seu país, “confessou que agiu seguindo ordens do serviço secreto da Ucrânia”.

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O serviço de segurança ucraniano sublinhou que “oficialmente não podemos nem confirmar nem desmentir fatos que sucedem aos ocupantes. Tudo se saberá quando ganharmos a guerra”, respondeu assim ao diário Ukrainskaya Pravda.

“Nos enfrentamos um inimigo covarde que busca intimidar-nos. Escolhe como alvo aos verdadeiros patriotas de nosso país, aqueles que dedicam todas suas forças ao serviço da pátria e estão fazendo todo o possível para acercar a vitória sobre o neonazismo ucraniano”, opinou o secretário adjunto do Conselho de Segurança, Dimitri Medvedev.

“Washington e seus aliados da Otan alimentaram outra célula terrorista internacional: o regime de Kiev”, declarou a porta-voz russa Maria Zakharova

O Tempo
O escritor russo Zajar Prilepin

EUA e Grã Bretanha

Para a chancelaria russa não há dúvida de que o atentado “é de responsabilidade direta dos Estados Unidos e Grã Bretanha”, escreveu no Twitter sua porta-voz, María Zakharova.

“É um fato: Washington e seus aliados da OTAN (Organização do Tratada do Atlântico Norte) alimentaram outra célula terrorista internacional: o regime de Kiev. Bin Laden, o Estado Islâmico e, agora, (o presidente ucraniano Volodymir) Zelensky e seus capangas”, precisou Zajarova.

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O autor de Patologías, Sanka o Pecado, livros já traduzidos ao espanhol, com frequência passava temporadas no Donbass, onde chegou a exercer, entre 2016 e 2018, como comandante de um batalhão de voluntários na chamada República Popular de Donetsk que levava seu nome em sua honra.

Desde que começou a “operação militar especial”, Prilepin se incorporou à Guarda Nacional russa mediante contrato, embora viesse seguidamente à Rússia ditar conferências, e se mantinha muito ativo em redes sociais.

No sábado publicou uma mensagem de apoio ao magnata Yevgueni Prigozhin, que na sexta-feira causou uma espécie de terremoto nas redes sociais ao insultar com nome e sobrenomes aos máximos responsáveis da cúpula militar russa e ameaçar com retirar os mercenários do grupo Wagner que estão em Bakhmut para “evitar sua morte sem sentido, já que não lhe dão munições”.

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Prigozhin difundiu neste sábado um comunicado no qual agradece a Ramzan Kadyrov, governante da Chechênia, seu oferecimento de enviar o destacamento Ajmad, formado por membros de sua guarda pessoal, para substituir o grupo Wagner, e reitera que às zero horas de 10 de maio, quando “estima que acabarão as munições” cederá suas posições aos chechenos enviados por Kadyrov.

Entretanto, o comandante da força aérea da Ucrânia, Mykola Oleschuk, assegurou este sábado que um sistema de defesa antiaérea Patriot estadunidense permitiu derrubar pela primeira vez um míssil balístico hipersônico do tipo Kinzhal (Punhal), um dos projéteis mais modernos do arsenal russo.

“Sim, interceptamos um ‘invulnerável’ Kinzhal, lançado desde território russo por um Mig-31K, durante o ataque noturno de 4 de maio nos céus da região de Kiev”, informou Oleschuk.

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O porta-voz do exército russo, general Igor Konashenkov, não fez este sábado nenhum comentário a respeito em sua entrevista coletiva diária. Em contraste, Serguei Aksionov, governante da Criméia, deu a conhecer que se logrou derrubar dois mísseis Grom-2 de fabricação ucraniana mal apareceram nos radares da anexada península.

Em outra ordem de coisas, a Rússia continua insatisfeita com os avanços que demanda para a exportação de seus fertilizantes e produtos agrícolas, pelo qual a reunião que devia ser celebrada na sexta-feira no nível de vice-ministros de Defesa russo e ucraniano em Istambul, com mediação das Nações Unidas e Turquia, para prolongar o chamado “pacto dos cereais”, que vence em 18 de maio próximo, não aconteceu e se propôs para a semana entrante.

O vice-ministro de Relações Exteriores, Serguei Vershin, reiterou as queixas russas ao receber em Moscou a Rebeca Grynspan, secretária geral da UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento), informou a chancelaria local.

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A Rússia responsabilizou nesta quinta-feira os Estados Unidos de haver planejado e ordenado o ataque contra a vida do presidente Vladimir Putin com o uso de dois drones que atribui à Ucrânia, derrubados na quarta-feira ao se aproximarem dos escritórios do mandatário no Kremlin, em pleno centro da capital russa. 

“Sabemos muito bem que as decisões sobre este tipo de ações, sobre este tipo de atentado terroristas, não são tomadas em Kiev. São tomadas em Washington. E Kiev sempre faz o que lhe dizem que faça”, acusou seu porta-voz, Dmitri Peskov, e precisou: “Frequentemente Kiev nem sequer determina os próprios objetivos, mas são determinados em Washington e depois se comunicam a Kiev para que os cumpra”. 

A arrematou com a frase: “E nem sempre se dá a Kiev o direito de escolher os meios”. 

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Perguntado pelos jornalistas da fonte se, na opinião do Kremlin, os Estados Unidos estavam implicados no falido atentado, Peskov respondeu categórico: “Sem dúvida. Washington dita a Kiev que objetivos fixar e quais meios usar, tudo se decide aí”. 

Do outro lado do Atlântico, em declarações à cadeia de televisão NBC, John Kirby, coordenador de comunicação estratégica do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, desmentiu que a Casa Branca tivesse tido algo que ver com o atentado em Moscou. 

“Ainda não sabemos o que aconteceu, não podemos fazer uma avaliação dos fatos. Esta manhã escutei comentários de Dmitri Peskov, afirmações de que estávamos implicados de alguma maneira, de que Washington estava implicado. Posso assegurar-lhes que não houve nenhuma implicação de Estados Unidos. O que quer que tenha sido, EUA não teve nada que ver”. 

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O porta-voz de Kiev, Mikhaylo Podolak, voltou a negar que a Ucrânia tenha lançado os aparatos voadores não tripulados: “Aqui têm os ingredientes de toda uma encenação: Kremlin, drones, dois indivíduos vistos na escada da cúpula do Senado, pausa de 12 horas antes de tornar pública a notícia, aparição simultânea do vídeo a partir de diferentes ângulos. Teatro puro. Absolutamente”.

Peskov, pouco mais tarde, retrucou: “As tentativas da Ucrânia e dos Estados Unidos de negar sua implicação deste fato são ridículas, por completo”. 

Resposta aos atentados terroristas

A chancelaria russa, mediante um comunicado, se somou ao debate ao reiterar que a Rússia “se reserva o direito de tomar medidas de resposta diante das grosseiras tentativas de cometer atentados terroristas” e adianta que essa reação “estará baseada na avalição dos riscos que Kiev criou para os dirigentes de nosso país”. 

Transcendeu que na sexta-feira Putin reunirá seu Conselho de Segurança para analisar a situação e definir as medidas de resposta, se bem que esta madrugada, como antecipação, caiu sobre Kiev e outras cidades ucranianas uma onda de 24 drones com cargas explosivas. 

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A Ucrânia, por sua parte, disparou também de madrugada drones contra a refinaria de Ilsk em Kransodar, confirmado pela agência noticiosa TASS, e à fábrica de derivados de petróleo Novoshajtinsk em Rostov, de acordo com o governador da região, Vasili Goluviev. Em ambos os casos se produziram incêndios. O governador de outra região, Voronezh, Aleksandr Gusiev, reportou a derrubada de um drone que “não causou vítimas nem danos”. 

Os programas de atualidade política que todos os dias transmite a televisão pública para respaldar a política do Kremlin arremeteram contra Estados Unidos, ao qual chamam de “marionetista de Kiev”, e chamou a atenção que alguns dos habituais participantes e condutores como como Vladimir Soloviov coincidiram com a opinião expressada por Dimitri Medvedev, secretário adjunto do Conselho de Segurança, no sentido de que “há que eliminar fisicamente (o presidente da Ucrânia, Volodymir) Zelensky e seu bando”, possibilidade que Peskov, porta-voz do Kremlin, preferiu responder com um “sem comentários”. 

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Entretanto, existe certo otimismo de que nesta sexta-feira em Istambul se alcance um acordo para prolongar o chamado “pacto dos cereais” que vence em 18 de maio e permite a saída dos grãos a partir de portos ucranianos. 

A reunião, com a mediação de Nações Unidas e da Turquia, será no nível de vice-ministros de Defesa russo e ucraniano e o único que continua em dúvida é se será por meio ano, como estabelecer o entendimento inicial, ou só por outros dois meses, que a Rússia colocou como fórmula de pressão para que a contraparte (Estados Unidos e seus aliados) cumpra sua demanda de facilitar a exportação de fertilizantes russos. 

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E na véspera de que se reúnam os chanceleres dos países membros da Organização de Cooperação de Xangai, o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, se reuniu em Goa, Índia, com seu homólogo chinês, Quin Gang, com quem falou, entre outros temas do âmbito internacional e da agenda bilateral, dos esforços de Pequim para favorecer a paz na Ucrânia, informou a chancelaria russa sem proporcionar detalhes. 

Juan Pablo Duch | La Jornada, especial para Diálogos do Sul. Direitos reservados.
Tradução: Beatriz Cannabrava.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Juan Pablo Duch Correspondente do La Jornada em Moscou.

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