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Ato contra prisão de Lula lota teatro em Lisboa; Boaventura fala em fascismo

Revista Diálogos do Sul

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Foto: Reprodução/ Facebook

A manifestação internacional de solidariedade organizada pela Fundação José Saramago, nesta quinta-feira (12), pede a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ato contou com a presença de Boaventura de Sousa Santos, do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Guilherme Boulos, do PSOL, Tarso Genro (PT), Pablo Iglesias (Podemos – Espanha) e Catarina Martins (Bloco de Esquerda – Portugal).

Guilherme Boulos salientou que “o mundo precisa saber que Lula é um preso político” e Catarina Martins sublinhou: “não admitimos presos políticos, lutamos pelas liberdades, porque acreditamos na democracia”.

Ato no hotel Capitólio, no centro de Lisboa | Foto: Reprodução/Facebook

Na sessão, organizada por Pilar del Rio, presidente da Fundação José Saramago, que abriu a sessão, seguida por Boaventura de Sousa Santos, Boulos, Genro, Iglesias e Martins e foi lida uma mensagem de Manuela Ávila (PCdoB). Apesar de ter sido anunciada a sua presença, Ana Catarina Mendes Secretária-Geral adjunta do Partido Socialista(Portugal), e Cristina Narbona, Presidenta do Partido Socialista Operário Espanhol, não estiveram presentes.

Na sua intervenção, Boaventura de Sousa Santos afirmou: “Estamos vivendo tempos monstruosos. Quem podia imaginar que o presidente mais brilhante da história do Brasil estivesse hoje preso em uma masmorra e, ainda por cima, ilegalmente?”.

“Estamos na emergência de um fascismo de tipo novo, de conta-gotas, que não implica uma ditadura militar, embora ela esteja no horizonte dos mais extremistas, mas que se vai anunciando através de um sistema judicial totalmente instrumentalizado pelas forças conservadoras e pela influência do imperialismo dos Estados Unidos”, ressaltou.

Pablo Iglesias afirmou que “a defesa da democracia no Brasil é uma causa de todos os democratas no mundo”.

Guilherme Boulos, candidato do PSOL, afirmou que o Brasil vive a crise mais grave desde a ditadura militar, sublinhando que: “Ela se expressa com uma escalada de violência política, com tiros, intolerância, ódio sendo destilado no lugar do debate político, que teve como principal expressão o assassinato brutal e covarde da Marielle”.

Ato no hotel Capitólio, no centro de Lisboa | Foto: Reprodução/Facebook

Boulos denunciou também a judicialização da política, salientando que “a maior expressão dessa judicialização é a prisão do ex-presidente Lula, que ocorre sem qualquer prova” e apontou “se [Sérgio] Moro quisesse fazer política, que fosse ser candidato à presidência da República e encarasse um debate democrático com o povo brasileiro”.

Na sua intervenção, Catarina Martins afirmou: “Quando as liberdades democráticas estão em causa nós estamos presentes e dizemos solidários, porque sabemos que o fascismo só avança se estivermos calados”.

A coordenadora do Bloco sublinhou que não está em causa a corrupção nem a avaliação política de Lula como presidente, ou se se é a favor ou contra Lula, mas sim a defesa da democracia brasileira.

“Nós não nos metemos em julgamentos, o que não permitimos é que juízes se transformem em coronéis para fazerem uma fraude judicial, que é uma fraude eleitoral que não deixa o povo do Brasil escolher em liberdade, como deve fazer”, realçou Catarina.

A terminar a sua intervenção, Catarina Martins afirmou:

“Apesar de você, apesar de toda a perseguição, ainda vamos ver este jardim a florescer”.

Assista à manifestação de solidariedade na íntegra:

* Com Esquerda.net


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

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