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Atrás das grades morreu Videla, sócio de Stroessner

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

Martin Almada
Martín Almada descobridor dos arquivos secretos da Operação Condor

Stella Calloni define a Operação Condor como o pacto criminoso entre os governos militares da década de  1970 da Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai, que deixou como saldo mais de 100 mil vítimas no Cone Sul. Suas vítimas foram os dirigentes sindicais, estudantes, professores, jornalistas, religiosos/as, os seguidores da Teologia da Libertação, advogados, médicos, cooperativistas, intelectuais, quer dizer, a classe pensante da América Latina.

O então secretario estadunidense Henry Kissinger foi o cérebro do mal que deu a ordem ao general Augusto Pinochet do Chile para limpar o aparato Estado, a sociedade civil e a sociedade política de comunistas no Chile e no Cone Sul da América Latina.

Por outro lado, o general boliviano Hugo Banzer tinha que limpar a Igreja Católica por dentro dos sacerdotes canhotos implicados na Teologia da Libertação.

O governo estadunidense daquele tempo queria impor o modelo neoliberal estabelecendo o Mercado Total e Insegurança Total e para alcançar esse objetivo cometeu os crimes de lesa humanidade através de mercenários latino-americanos formados na Escola das Américas, na zona do Canal do Panamá. O governo  estadunidense proporcionou financiamento e assistência técnica para promover a Operação Condor. Seus arquivos secretos foram descobertos em Assunção em 22 de dezembro de 1992.

Videla, no marco da Operação Condor, para congraçar-se com o governo estadunidense e para fazer mérito extraordinário, incorporou o sequestro dos bebês das mães parturientes, sistematicamente, realizou saques e morte ao apoderar-se dos bens dos que seriam supostamente cumplices dos subversivos e perseguiu implacavelmente os Centros Universitários, uma conspiração contra a sociedade do conhecimento.

Videla não morreu em sua casa mas no cárcere, cumprindo pena judicial, diferente de seu associado Pinochet, Stroessner, Banzer, Bordaberry, Geisel, Medici, etc, impunes. No caso de Videla cumpriu-se o ditado: “quem com ferro mata, com ferro morre” atrás das grades de sua cela.

*Prêmio Nobel Alternativo da Paz – colaborador de Diálogos do Sul

 


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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