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Brasil: Mídia golpista perde de vez a vergonha e abre caminho para o fascismo miliciano

Dá asco constatar como, mesmo enxovalhada e tripudiada por Bolsonaro, a "grande" imprensa brasileira se mantêm serviçal e esconde propostas de Lula
Paulo Cannabrava Filho
Diálogos do Sul
São Paulo (SP)

Tradução:

Esses dias, com tempo para ler os vários jornais, ver TV… dá asco constatar como a mídia perdeu completamente a vergonha e se colocou a serviço do projeto de ocupação estrangeira. A ética já vinha sendo desrespeitada faz tempo, mas ultrapassa as razões da política quando o que está em jogo é abrir ou fechar o caminho para o nazi-fascismo.

Sou de um tempo em que a maioria dos meios de comunicação pertenciam a famílias oligarcas, conservadoras, mas não reacionárias. Faziam um jornalismo plural, cometendo alguns pecados, claro, mas pecados veniais, suportáveis e até cômicos. Volto sobre o tema mais adiante.

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O velho doutor Julinho, por exemplo, ordenou que não se escrevesse o nome de Adhemar de Barros no Estadão. Bronca da família por ter Adhemar, como interventor no Estado, cumprido ordem de Getúlio Vargas e intervindo no jornal. Um dia conto essa história com detalhes. Mas nunca o Estadão de então deixou de noticiar o que tinha que ser informado. Dizia: o governador do Estado, ou, em raras ocasiões, se referia ao senhor A de Barros, etc, etc.

Os tempos mudaram, ainda é a família Mesquita quem manda, mas o jornal perdeu o sentido da ética e da política. Me explico:

Ontem assisti à entrevista de Lula à TVT. 

Confira a entrevista

Todos se dirigiam a ele com o respeito devido a quem ocupou o mais alto cargo da República. Encerrado seu mandato, sua história não se apaga e se mantêm o respeito que lhe é devido. Enfim, continua gozando de privilégios inerentes ao cargo que exerceu. 

Que falta nos faz o Brizola

Tenho ouvido sempre que posso as intervenções de Lula, sempre na esperança de vê-lo assumindo o papel que lhe toca como líder do maior partido de militantes. Nessa última, disse coisas razoáveis, como “dinheiro, nessa hora, não se economiza. Trump soltou dois trilhões…”

Dá asco constatar como, mesmo enxovalhada e tripudiada por Bolsonaro, a "grande" imprensa brasileira se mantêm serviçal e esconde propostas de Lula

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Além disso, me chamou a atenção, particularmente, duas coisas.

A primeira, ele dizer “que falta faz o Brizola, com ele a gente podia dialogar”. 

A segunda, negar-se a conversar com Fernando Henrique Cardoso, um ex-presidente, esse sim, que não merece respeito e sim a condenação da história. Uma excrescência a serviço dos Estados Unidos e do capital financeiro e que enganou a Nação.

Com relação a Brizola… pena que tão tardiamente Lula o reconhece como líder, um estadista a toda prova.

PIG, a economia e a cobertura da pandemia

Num dado momento, Lula disse que nas discussões sobre os problemas do país, principalmente na área econômica, tanto a mídia como a atual administração pública são vozes uníssonas em torno de uma teoria fracassada e que não abrem espaço para jovens talentos da economia que têm muita contribuição a oferecer.

Reafirmou que a Globo não lhe dá espaço nem trégua aos ataques furibundos à sua pessoa. Dá espaço a Fernando Collor e a Fernando Henrique, dois bandidos, um ligado ao tráfico de drogas, outro ao diabo, mas ao Lula nunca… e isso, é a pura verdade.Ilustração: Vitor Teixeira

Neste contexto, registre-se que o “Estadão” desta quinta-feira (2) tampouco publicou sequer uma linha sobre a entrevista de Lula. Preferiu manter manchetes ditadas pelo “porta voz” do governo de ocupação, ou se preferirem, do palhaço da corte, que diverte enquanto os outros roubam você e o seu país.

Lula elogiou a cobertura que estão dando à pandemia provocada pelo vírus do Trump, o coronavírus. Concordo em parte porque tudo que é em exagero faz mal. O certo seria se limitar a dar as informações sobre a evolução dos contágios, as medidas tomadas e insistir nas medidas preventivas. Pra isso, não precisa dedicar um jornal inteiro, de mais de 20 páginas, martelando sobre o mesmo. Cansa e gera pânico.

Tudo que é em exagero faz mal. Ilustração: tt Catalão

Zé Dirceu e os militares

Ouvi também a entrevista que o Zé Dirceu deu para Fernando Moraes, na TV Nocaute. Fez uma apreciação correta dos militares. Nós não podemos prescindir deles e tampouco vale pensar que poderão se desprender da ideologia da Segurança Nacional, nome que disfarça extrema submissão deles aos Estados Unidos.

Assista à entrevista:

Dirceu disse com acerto que militar não deve se meter em política e que os comandantes das três armas que emitiram a ordem do dia elogiando o golpe de 1964 deveriam ser presos. Concordo… mas, quem é que vai prender?

Lembro que Dilma Rousseff, quando presidenta, puniu o general Mourão por estar pregando o golpe militar, estando no comando do Exército no Rio Grande do Sul. Ele deu o troco participando da operação de inteligência que derrubou o governo dela e, na sequência, apoiou a fraude eleitoral que, inclusive, o elegeu e que levou um bando de generais despeitados a assumir o poder legitimados pelo voto. É o que dizem. E por conta disso se sente autorizado a tripudiar sobre toda a nação.

Nessa hora de emergência, eles deveriam estar sob o comando de civis para cumprir com tarefas de logística (especialidade deles) para combater a pandemia, evitar que se alastre aos rincões mais vulneráveis do país, é também o que nós defendemos. 

Paulo Cannabrava Filho é jornalista e editor da Diálogos do Sul.

Imagem da capa: Vitor Teixeira

Assista no Canal Diálogos do Sul:


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Paulo Cannabrava Filho Iniciou a carreira como repórter no jornal O Tempo, em 1957. Quatro anos depois, integrou a primeira equipe de correspondentes da Agência Prensa Latina. Hoje dirige a revista eletrônica Diálogos do Sul, inspirada no projeto Cadernos do Terceiro Mundo.

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