Brasileiros lamentam saída dos médicos cubanos do Programa Mais Médicos

Este é um dia muito triste para a saúde pública brasileira, provocado por uma ação impensada e conflitiva do atual presidente eleito

Redação Prensa Latina

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Indignado com a autoritária e deformada postura ideológica de seu futuro presidente, o ultradireitista Jair Bolsonaro, o povo brasileiro lamenta a saída dos profissionais cubanos do Programa Mais Médicos.

"Ainda não o temos como presidente (Bolsonaro) e já desprotege e deve a este povo oito mil médicos", declarou a Prensa Latina o arquiteto Manoel Rocha, aludindo à retirada dessa quantidade de médicos cubanos por causa das desdenhosas e ofensivas declarações do governante eleito. 

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Agredidos e desdenhados pelo capitão reformado e futuro presidente do Brasil, Jair Bolsonaro médicos cubanos deixam o Programa Mais Médicos

Cuba determinou a retirada de seus profissionais do Programa Mais Médicos porque Bolsonaro "com referências diretas, pejorativas e ameaçadoras à presença de nossos médicos, declarou e reiterou que modificará termos e condições do Programa, desrespeitando a Organização Pan-americana de Saúde e o acertado por ela com Cuba". 

Em uma nota divulgada ontem, o Ministério de Saúde Pública de Cuba aponta (como causa da decisão) o fato de que o político de extrema direita "questionou a preparação de nossos médicos e condicionou sua permanência no Programa à revalidação do título e como única via a contratação individual".

Rocha, de 47 anos, lamenta que por cauda da "estupidez de um ex-militar que chegou ao poder, mas que pelo visto não gosta de seus compatriotas, se perca a oportunidade de curar pessoas que, em sua maioria, não podem pagar uma consulta médica". Não é um segredo para ninguém, reflete o urbanista, oriundo do Rio Grande do Sul, que "os médicos cubanos trabalham em zonas inóspitas e de difícil acesso, onde os médicos brasileiros não querem ir e quando eles partirem os indicadores de saúde vão piorar". 

Nessa mesma linha, o especialista em saúde pública e professor aposentado Flávio Goulart disse a um diário que o Brasil não tem condições de repor os médicos que se perderão com a saída de Cuba do programa. 

O presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Mauro Junqueira, estima que a retirada dos profissionais cubanos pode levar a uma a desassistência da população atendida por eles, pois os cubanos são mais da metade dos participantes do programa. 

Segundo Junqueira, 24 milhões de brasileiros vivem nas áreas onde os cubanos trabalham, principalmente em lugares de difícil acesso, como reservas indígenas. 

Alexandre Padilha, ministro de Saúde no Governo Dilma Rousseff (2011-2016), quando o programa foi implementado, lamentou tal situação. 

Em vídeo publicado nas redes sociais, Padilha afirma que este é "um dia triste para a saúde pública e para a política exterior do Brasil". 

Em consonância com o teor da nota divulgada pelas autoridades cubanas, Padilha também afirmou que a decisão é o resultado das "reiteradas agressões do presidente eleito". "A saúde pública e o povo mais pobre perdem muito hoje. Isto é o que acontece quando se põe o espírito da guerra e os interesses particulares acima das necessidades de nosso povo". 

"Este é um dia muito triste para a saúde pública brasileira, provocado por uma ação impensada e conflitiva do atual presidente eleito de nosso país", reafirmou.

*Especial de Prensa Latina para Diálogos do Sul. Direitos Reservados

Revisão e edição: João Baptista Pimentel Neto

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