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Bolsonarismo: Chega de intermediários. Donald Trump para presidente do Brasil!

A recente viagem de Bolsonaro aos EUA deixou claro que essa subserviência explícita, característica da classe dominante brasileira, segue viva
Redação Cem Flores
Cem Flores
São Paulo

Tradução:

Logo após o golpe militar de 1964, a frase “Chega de intermediários. Lincoln Gordon para presidente” sintetizava o apoio explícito dos EUA ao golpe e o caráter subserviente da ditadura que se instaurava no Brasil por 21 anos. Lincoln Gordon era então o embaixador dos EUA no Brasil. E o Brasil parecia mesmo o quintal dos EUA.

A recente viagem de Bolsonaro aos EUA deixou claro que essa subserviência explícita, característica da classe dominante brasileira, segue viva.

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Em três dias nos EUA, Bolsonaro, junto com seus asseclas mais próximos, cumpriu extensa agenda política em que participou de uma Santa Ceia da Direitavisitou a sede da CIAacordo de troca de informações entre a PF e o FBI, liberou, sem reciprocidade, a obrigatoriedade de vistos de entrada no Brasil a cidadãos dos EUA, Canadá, Austrália e Japãoimigrantes ilegais brasileiros nos EUA são uma vergonha”e o pai disse ainda que iria ajudar a caçar e deportar brasileiros ilegais nos EUA. Além disso, por proposta de Trump, o Brasil poderá vir a ser incluído na OTAN. No campo econômico liberou a utilização da Base de Lançamentos de Alcântarapelos militares americanos; liberou tarifas para importar trigo dos EUA, além de aceitar perder as vantagens comerciais de país filiado à OMC pela promessa de apoio dos EUA na entrada do Brasil na OCDE. O capital financeiro tupiniquim ficou tão eufórico que bateu recorde na Bolsa de Valores de São Paulo, chegando a inéditos 100 mil pontos.

Após a reunião conjunta com Trump na Casa Branca, onde trocaram afagos e elogios mútuos, sempre com a presença do filho ao lado, Bolsonaro fez campanha para o americano e afirmou acreditar na reeleição de Trump em 2020. Os dois juntos comprometeram-se a combater o socialismo em seus países e nos países vizinhos, como a Venezuela, e publicaram um comunicado conjunto.

Bolsonaro parecia uma “criança na Disney, um pinto no lixo” como disse um jornalista conservador. Foi um “espetáculo de subserviência e bajulação”, escreveu outro jornalista, reproduzindo palavras da imprensa norte-americana. O comportamento patético e subserviente do presidente brasileiro frente ao seu chefe norte-americano está apenas seguindo o padrão. Ele não foi o primeiro presidente brasileiro puxa-saco dos EUA. É uma verdadeira obrigação dos presidentes brasileiros ir beijar a mão de “nosso grande irmão do norte”. É só lembrar de FHC e seu “amigo” Clinton, Lula com o “companheiro” Bush ou os afagos com Obama, para falar apenas dos mais recentes.

George Bush durante visita ao Brasil em março de 2007 recebendo o abraço companheiro… 

Com Bolsonaro não há uma diferença qualitativa nessa relação. Até porque, quem determina, em última instância, os parceiros internacionais prioritários do país é o grande capital monopolista integrado mundialmente, e não seu gerente de plantão no Palácio do Planalto e o bando que o cerca.

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O que parece novo na atual conjuntura é o avanço político e ideológico na exposição dessa subserviência, na defesa aberta de uma integração subordinada, dominada, na economia mundial, assumindo explicitamente, pelo menos na intenção de Bolsonaro e alguns ministros, uma posição de apoio submisso ao bloco norte-americano nas disputas interimperialistas no mundo hoje. O que antes se fazia de forma mais velada, fica agora mais explícito, principalmente com o aprofundamento da crise mundial.

Como afirmamos no texto que pode ser conferido no link abaixo: 

“No cenário das agravadas contradições interimperialistas entre EUA e China e EUA e Rússia, é do maior interesse dos EUA expulsar seus rivais ou, ao menos, diminuir sua importância no seu antigo ‘quintal’”.

 “O que interessa aos novos governistas [do Brasil] é tornarem-se a si próprios sócios preferenciais dos EUA na América do Sul, mediante a aceitação de migalhas e a ‘terceirização’ para si das ações para alcançar interesses gringos (aliás, não muito diferente do governo Lula na missão “pacificadora” da ONU no Haiti…).”

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Fica cada vez mais claro que o patriotismo de Bolsonaro é hipócrita (já que é o patriotismo em defesa dos EUA e não do Brasil) e burguês (já que é o patriotismo que atende aos interesses de banqueiros, empresários, latifundiários contra os trabalhadores e o povo brasileiro).

Mas tudo isso, por mais asqueroso que seja, tem um lado bom! 

Afasta a cortina de fumaça e permite à classe operária, aos trabalhadores e ao povo verem mais claramente quais são os verdadeiros interesses das classes dominantes brasileiras e seu falso discurso de defesa do Brasil. O mentiroso lema “Brasil acima de tudo” é só se for o Brasil deles, não o nosso, e sempre abaixo dos EUA…

Confira, no link abaixo, o texto publicado em 08/02/2019.

O Hipócrita Patriotismo Burguês de Bolsonaro e seus Objetivos


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Redação Cem Flores

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