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Brasileiro se acostumou às notícias tristes. Teremos que ver a morte chegar à nossa casa?

Quando e em que medida será a reação popular diante do quadro de morte que está traçado para nossos parentes e amigos?
Claúdio di Mauro
Diálogos do Sul
São Paulo (SP)

Tradução:

Perdemos uma grande figura de nossa história com o óbito de Dom Pedro Casaldáliga Bispo Emérito de São Félix do Araguaia.

Homem extraordinário por sua determinação e compromisso com os princípios mais elevados das transformações de realidades das populações subalternas no modelo socioeconômico. Esse era e sempre será o Pedro dos pobres, como ele gostava de dizer: “Rebeldemente fiel ao fatigante dia a dia”.

“A paz é de lutas, com a urgência do Reino. Paz do pão, da fome e da justiça. A paz da liberdade conquistada.” Pedro Casaldáliga lutou bravamente para que a terra seja destinada para quem nela trabalha. Não se conformava em ver as propriedades rurais e urbanas sem cumprimento de sua função social. Por essas suas lutas, Pedro foi perseguido e teve que se livrar de várias emboscadas promovidas pelos interesses dos latifundiários.

Quando e em que medida será a reação popular diante do quadro de morte que está traçado para nossos parentes e amigos?

Flickr / Redes de Desenvolvimento da Maré
Até onde suportará a população brasileira diante dessa ignomínia?

O anel preto que ele levava aos dedos era feito de uma árvore da Amazônia. Segundo ele, repleto de espíritos que lutam com os pobres e os indígenas. Quem o carrega, está comprometido com tais setores sociais. Afirmou Casaldáliga… “A Teologia da Libertação é a própria fé cristã se voltando para os pobres”… 

Pedro Casaldaliga, de peito aberto, sempre enfrentou e é um ícone da luta contra a ditadura militar. Nos momentos mais agudos, esteve presente com determinação.

Pedro Casaldáliga disse: “Hoje faço poesia no modo de me comunicar, de gritar as dores e as esperanças do povo e de passar o evangelho cantando. Minha poesia tem sido uma poesia comprometida”. 

Igreja se compromete

São 152 os Bispos da igreja Católica Romana que escreveram e assinaram a “Carta ao povo de Deus”. Trata-se de um texto que critica a “incapacidade” do governo Bolsonaro frente à pandemia e se manifesta pela vida e pela democracia. O documento ganhou apoio de diversas lideranças e movimentos sociais. Veja como se inicia a Carta ao povo de Deus: “Enquanto os lucros de poucos crescem exponencialmente, os da maioria situam-se cada vez mais longe do bem-estar daquela minoria feliz. Tal desequilíbrio provém de ideologias que defendem, a autonomia absoluta dos mercados e a especulação financeira…”

Imediatamente, centenas de padres subscrevem apoiando a carta escrita pelos Bispos, afirmado “Como recordam os Bispos, nós não somos motivados por interesses político-partidários, econômicos, ideológicos ou de qualquer outra natureza. Nosso único interesse é o Reino de Deus”.

Mas onde estão as responsabilidades por tantas contaminações e mortes?

A Falta de uma liderança nacional é um grande problema – Bolsonaro não se comporta como um líder que ajude a população a enfrentar e vencer a pandemia. De maneira irresponsável, disse que se tratava de uma gripezinha, um resfriadinho… Estimulou as pessoas a não fazerem o afastamento necessário, estimulou, ao contrário, a aglomeração, sem uso de máscaras.

Ofereceu até mesmo um medicamento que não é recomendado pelos especialistas em infectologia.

Confira:

Bolsonaro não assumiu a centralidade no combate a pandemia, mudou três vezes o Ministro da Saúde e por fim, colocou um general que nada possui de vínculo com a Saúde. Em outras palavras, o Brasil é como uma nau à deriva com um Ministro da Saúde interino e assim mostra que continuará.

Bolsonaro é um embusteiro, um verdadeiro criminoso contra a saúde da população Brasileira.

Transferiu responsabilidades para governadores e prefeitos, sem apontar os caminhos e as mínimas ações indispensáveis. Com isso, diversos governadores e a maioria dos prefeitos ficou sem rumo e se comportando com dubiedade. Fecha quase tudo e logo depois abre quase tudo, sem critérios corretos e sem respeito às palavras da ciência com seus especialistas.

Um bando de gente sem qualidade técnica para realizar tarefas que precisariam de competência, eficiência e eficácia.

Até onde suportará a população brasileira diante dessa ignomínia? Quando e em que medida será a reação popular diante do quadro de morte que está traçado para nossos parentes e amigos? Teremos que esperar a morte chegando em nossas casas para termos a dignidade da reação?

* Participação de Jhenifer Gonçalves Duarte discente do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Uberlândia 


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Claúdio di Mauro

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