Pesquisar
Pesquisar

Brumadinho 3 anos depois / Tragédia coisa nenhuma, o que aconteceu foi mais um Crime Ambiental

A população de Brumadinho será submetida ao mesmo descaso dedicado pela toda poderosa Vale S/A as vítimas dos crimes ambientais de Mariana

João Baptista Pimentel Neto
Diálogos do Sul Global
Rio Claro

Tradução:

NOTA DO AUTOR / Hoje 26 de janeiro de 2022, três anos depois do episódio de Brumadinho, muitas das vítimas não foram ainda sequer reconhecidas e ou indenizadas. Muitas das normas legais continuam sendo desrespeitadas pela mineradoras que atuam no brasil e vem sendo flexibilizadas. já como habitual a grande mídia praticamente esqueceu a tal tragédia, que eu particularmente denomino como crime ambiental. paralelamente a justiça também como nos é habitual, anda a passos de tartaruga, beneficiando os criminosos. brasil mostra a sua cara.


NOTA DE REDAÇÃO / matéria publicada originalmente em 26 de janeiro de 2019

30c571e5 0d9b 4255 b47c 346b466232e1

Em um país onde lucrar é mais importante do que preservar o meio ambiente e vidas humanas, os crimes ambientais se repetem, as responsabilidades nunca são realmente apuradas, as leis nunca são cumpridas, as multas e reparações econômicas nunca são pagas, o judiciário nunca aplica as determinações legais e criminosos fantasiados de empresários e com apoio de políticos e agentes públicos corruptos e lenientes, continuam cometendo os mesmos crimes. Enfim, a impunidade se naturaliza.

E daí me pergunto, e o povo?

ff3585b8 0a0b 4a83 b411 71ca7112990fAh. o povo, esta massa humana, sem rosto, sem nome, sem poder e sem direitos..

A estes, passado os primeiros momentos de show midiático sensacionalista, de piedosas solidariedades momentâneas, de promessas demagógicas que nunca serão cumpridas, o tal povo mais uma será submetido durante muito tempo às cruéis consequências provocadas pelos Crimes Ambientais praticados pelas mesmas reincidentes e poderosas corporações.

Crimes que invariavelmente são sempre denominados por sensíveis, emocionados e piedosos jornalistas capachos, como inevitáveis tragédias. A mesma narrativa sobre um mesmo surrado roteiro de um filme cujo the end todos nós já sabemos qual será.

27e5aa45 813b 4f57 b7db cb2e21b0626c

Assim foi, assim é e talvez assim continue sendo neste miserável país…E por isso é que acredito que o povo de Brumadinho, infeliz e inevitavelmente, terá o mesmo destino do povo de Mariana, onde as verdadeiras “tragédias” continuam fazendo parte do dia das vítimas, a realidade continua matando e os crimes ambientais

Crimes ambientais? Que crimes? O que aconteceu não foi mesmo apenas mais uma tragédia…”

A população de Brumadinho será submetida ao mesmo descaso dedicado pela toda poderosa Vale S/A as vítimas dos crimes ambientais de Mariana

Ilustração: Vitor Teixeira
Mariana e Brumadinho: A criminosa reincidência da poderosa Vale S/A

COPAM e a responsabilidade do Governo de Minas Gerais

Há apenas 45 dias, ainda na Gestão de Fernando Pimentel (PT), o Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas Gerais / COPAM aprovou ampliação de mineração em Brumadinho.

Mantido pelo novo Governador, Romeu Zema (NOV) como titular da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Desenvolvimento, Germano Vieira também permanece na presidência do COPAM.

35ae44ae dfe3 472b 8cc2 340a9a604d73

Para a Vale lucrar é o que interessa, o resto não tem pressa

0369cd71 ab80 4927 ab3a 46a5346c02bbEm apenas uma reunião extraordinária, os membros da Câmara de Atividades Minerarias aprovaram concomitantemente as Licenças Prévia, de Instalação e de Operação necessária para que a Vale S/A desse continuidade as atividades de exploração desenvolvidas na área da Mina de Córrego do Feijão, uma lavra a céu aberto de minério de ferro.

Na mesma reunião, seguindo o mesmo roteiro, a Câmara aprovou também as mesmas três licenças solicitadas pela empresa Minerações Brasileiras Reunidas S.A. para assumir também operar uma lavra a céu aberto de minério de ferro, a Mina da Jangada.

Coincidentemente as duas minas se localizam na zona de amortecimento do Parque Estadual da Serra do Rola Moça. na Região Metropolitana de Belo Horizonte e a aprovação das licenças enfrentavam forte resistência dos moradores de Casa Branca.

A oposição e resistência popular porém não foi suficiente para impedir a aprovação das licenças pelo COPOM, que foram aprovadas com apenas um voto contrário e duas abstenções.

917e72c8 5781 4bef 941c 685a37406eee

Confira o original das decisões aprovadas na 37 Reunião Extraordinária da Câmara de Atividades Minerarias (CMI) referendadas pelo COPAM/MG
Decisão da 37ª RE CMI 11.12.2018.

Confira na integra o relatório e documentação do processo Licença Prévia, de Instalação e de Operação Concomitantes para a Mina Córrego do Feijão aprovado em favor da Vale S.A.

Confira na integra o relatório e documentação do processo Licença Prévia, de Instalação e de Operação Concomitantes aprovado em favor da Mineracoes Brasileiras Reunidas

Ao todo são 258 conselheiros representantes da sociedade civil para o Plenário, Câmara Normativa e Recursal, Câmaras Técnicas Especializadas e para as Unidades Regionais Colegiadas (URC) do Copam.

Saiba qual a composição e quem são os atuais conselheiros do COPAM

Segundo Maria Teresa Viana, integrante do Copam. “Foi aquilo que tem sido sempre. Não importa o que a gente traga de elementos e provas de que os processos não estão devidamente instruídos, que há informações inverídicas. Eles votam e aprovam”, relatou. Ela conta que a produção será ampliada em 88% e as mineradoras tem aval até 2032.

“Se eles estão fazendo isso em uma área que é tão perto da população, em locais mais afastados é uma tratoragem, uma atrás da outra”, alerta a conselheira e ambientalista.

Movimento das Águas de Casa Branca

Os moradores, organizados no Movimento das Águas de Casa Branca, realizam uma série de ações há pelo menos 10 anos contra o avanço da mineração na região. Desde que as ameaças passaram a ser mais incisivas, habitantes de Casa Branca participaram de audiências públicas, atos e puxaram um abaixo-assinado que conta com 82 mil assinaturas.

O principal argumento do movimento é de que aprovar a mineração no Parque é ir contra a legislação. O artigo 18 da Lei 9.985 afirma que “São proibidas a exploração de recursos minerais e a caça amadorística ou profissional em reservas extrativistas”.

Brumadinho: nada mais importa quando legado de proteger a natureza é dizimado

“Meu sentimento de moradora e cidadã é de não estar sendo ouvida nem respeitada. Quando a gente se levanta contra a mineração, ouvimos que somos doidos, como se a gente fosse criminoso. Não temos mais portas para bater”, relata Clara Paiva Izidoro, consultora de empresas e moradora de Casa Branca. Ela afirma que moradores que passam próximos aos locais das minas já observavam mudanças na mata antes da aprovação das licenças.

O Parque Estadual da Serra do Rola Moça está situado entre as cidades de Belo Horizonte, Nova Lima, Ibirité e Brumadinho, em uma área de 4 mil hectares de matas. Ele foi criado pelo governador Hélio Garcia através do decreto 36.071, em 1994, visando a proteção dos cursos d’água Taboão, Rola-Moça, Barreirinho, Barreiro, Mutuca e Catarina. “Ficando em consequência vedadas nessas áreas as atividades de lazer, turismo e outras que possam interferir na biota”, firma o decreto.

d8d09bca 2031 4792 8979 5c72a253d2bd

As minas colocam em risco os mananciais que abastecem 40% da Região Metropolitana de Belo Horizonte. São seis mananciais que fornecem água a cerca de 2 milhões de pessoas.

O que diz hoje o Governo de Minas Gerais sobre Brumadinho

SEMAD divulga Nota de Esclarecimento sobre Brumadinho

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) informa ter sido comunicada, às 13h37, por meio do gerente de segurança e emergências ambientais da mineradora Vale S.A, sobre o rompimento da Barragem I de Contenção de Rejeitos da Mina Feijão, localizada em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Uma equipe do Núcleo de Emergência Ambiental (NEA), da Semad, e técnicos da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) já se encontram no local do acidente verificando a ocorrência e tomar as providências necessárias. Paralelamente o Governo de Minas, por meio da Defesa Civil e força de segurança está se empenhando nos atendimentos emergenciais com foco no atendimento às vítimas. A dimensão do dano será mensurada após tais ações..

0711b473 c1cb 4dc0 906d 2b742c7f193a

A estrutura da barragem tinha área total de aproximadamente 27 hectares, 87 metros de altura e não recebia rejeitos desde 2015. A estabilidade estava atestada pelo auditor conforme declaração apresentada em agosto de 2018. A competência para fiscalizar a segurança das barragens de mineração é da Agência Nacional de Mineração (ANM), segundo a Política Nacional de Segurança de Barragens (Lei n. 12.334/2010). Ainda conforma a Lei, a responsabilidade pela operação adequada das estruturas é do empreendedor.

A última licença ambiental aprovada pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam), em dezembro de 2018, autorizou o descomissionamento da barragem. Isto é, a retirada de todo material depositado e posterior recuperação ambiental da área. O volume de material disposto é de aproximadamente 12 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério de ferro, considerado inerte conforme NBR 10.004.

0e694a8b 0642 47db 8e1b 49ae653b3b9c

De acordo com dados do último relatório de barragens divulgado pela Feam, o Estado tem cadastrado, em seu Banco de Declarações Ambientais (BDA), 688 barragens. Destas, 677 delas têm estabilidade garantida pelo auditor, quatro possuem condição em que o auditor não concluiu sobre a estabilidade, sete possuem estabilidade não garantida pelo auditor. A quantidade de barragens com estabilidade garantida aumentou de 96,7% em 2017 para 98,4% em 2018.

*Matéria com informações de matéria publicada pela Brasil de Fato, portal do COPOM/MG.

João Baptista Pimentel Neto é jornalista, artivista cultural, ambientalista e ex-Presidente do Partido Verde de Rio Claro, Sp. Da equipe executiva da Diálogos do Sul


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

30c571e5 0d9b 4255 b47c 346b466232e1

Assista na TV Diálogos do Sul

 

27e5aa45 813b 4f57 b7db cb2e21b0626c

Se você chegou até aqui é porque valoriza o conteúdo jornalístico e de qualidade.

A Diálogos do Sul é herdeira virtual da Revista Cadernos do Terceiro Mundo. Como defensores deste legado, todos os nossos conteúdos se pautam pela mesma ética e qualidade de produção jornalística.

Você pode apoiar a revista Diálogos do Sul de diversas formas. Veja como:

  • PIX CNPJ: 58.726.829/0001-56 

  • Cartão de crédito no Catarse: acesse aqui
  • Boletoacesse aqui
  • Assinatura pelo Paypalacesse aqui
  • Transferência bancária
    Nova Sociedade
    Banco Itaú
    Agência – 0713
    Conta Corrente – 24192-5
    CNPJ: 58726829/0001-56

       Por favor, enviar o comprovante para o e-mail: assinaturas@websul.org.br 


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

João Baptista Pimentel Neto Jornalista e editor da Diálogos Do Sul.

LEIA tAMBÉM

Venezuela em Foco #20 Anistia e alívio de tensões na Venezuela
Venezuela em Foco #20: Anistia e alívio de tensões na Venezuela
Os povos que enfrentaram a Segunda Guerra vencerão novamente o fascismo
Os povos que enfrentaram a Segunda Guerra vencerão novamente o fascismo
Nova presidenta direitista da Costa Rica promete mudança “profunda e irreversível”
Nova presidenta direitista da Costa Rica anuncia mudança “profunda e irreversível”
Gabriel Boric, presidente do Chile, faz comunidade na Região da Araucania, atingida por incêndios, em 20 de janeiro. (Foto: Reprodução / Gabriel Boric - Facebook)
Chile: em meio a rupturas, Boric convida esquerda a trabalho conjunto pelo país