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Cannabrava | E agora José? É possível Bolsonaro escapar impune depois de tantos malfeitos?

Está difícil para a famiglia Bolsonaro, está difícil para o Arthur Lira, alagoano presidente da Câmara, está difícil pra todo mundo, tanta indefinição, insegurança jurídica em meio a uma pandemia descontrolada
Paulo Cannabrava Filho
Diálogos do Sul
São Paulo (SP)

Tradução:

No dia 30, no início da tarde, foi protocolado o super pedido de impeachment, uma compilação dos 25 pedidos, envolvendo umas 500 organizações, mantidos na gaveta do presidente da Câmara, deputado Arthur Lira, governista. 

Firmam o documento 46 representantes de diversos partidos, de amplo espectro, da esquerda à direita, organizações sociais de grande peso como a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e movimentos populares.

Feito com assessoria de juristas de notória trajetória, em 271 páginas o pedido elenca 23 crimes cometidos pelo ocupante da Presidência, incluindo depoimento de testemunhas.

Leia na íntegra o superpedido de impeachment de Jair Bolsonaro:


Está difícil para a famiglia Bolsonaro, está difícil para o Arthur Lira, alagoano presidente da Câmara, está difícil para todo mundo toda essa indefinição, insegurança jurídica, pandemia de vírus descontrolada, insensibilidade generalizada diante de mais de meio milhão de mortes. Mortes que podem chegar ao milhão!

É a banalização completa do mal em seu paroxismo.

Está difícil para a famiglia Bolsonaro, está difícil para o Arthur Lira, alagoano presidente da Câmara, está difícil pra todo mundo, tanta indefinição, insegurança jurídica em meio a uma pandemia descontrolada

Fotos Públicas
Artur Lira, Jair Bolsonaro e Rodrigo Pacheco

De direita, Lira um “engavetador e “murista”

Lira, até agora, com certa tranquilidade, manteve na gaveta 125 pedidos de impeachment contra Bolsonaro, o capitão que ocupa a presidência. Isso acabou. A situação agora é outra — muito mais complexa e plena de fatos novos.

Desde há algum tempo vimos afirmando que só a direita derruba esse governo. 

Essa é a questão. Lira o que é? Direitona desde que nasceu, com todos os vícios dos latifundiários alagoanos. 

Lira diz que vai esperar o resultado da CPI do genocídio, digo, CPI do Senado que investiga a responsabilidade do governo sobre as mortes e outros delitos de corrupção explícita. Diz também que um processo de impeachment requer materialidade.

Oh dúvida cruel! Estará alertando Bolsonaro: se cuide porque tem materialidade. Ou estará dando uma de pizzaiolo: não tem materialidade, não tem impeachment, tudo acaba em pizza.

Está em cima do muro como uma boa raposa que é.

O que o fará descer?

Certamente só um grande movimento de massa, como o das Diretas Já.

Movimento de massa

Já há uma nova agenda para as manifestações que se repetirão por todo o país, com início no próximo sábado (3). Veja aqui as cidades onde serão realizados protestos.

Aí não terá como resistir. Terá que descer do muro. Ficará na história como um golpista execrável a serviço da pior escória política e submisso aos interesses do imperialismo estadunidense ou ficará na história como um dos homens que desmascararam o falso Messias.

É a escolha. Estará ao lado dos vendilhões do templo ou com os redentores da pátria, a usar palavreado habitual dos evangélicos, que também estão em processo de autocrítica. Nesta seara ficarão no lixo da história os fundamentalistas neopentecostais e os pentecostais sionistas, inspiradores e suporte do governo militar de ocupação. E na glória os que se colocarem no caminho da salvação.

Imprensa hegemônica

Tem também a questão da imprensa hegemônica. Por ordem dos banqueiros e financistas, a mídia, em uníssono, resolveu publicar o que realmente está a acontecer, com grande estardalhaço, e fazer oposição ao governo.

Ademais, não tem como colocar debaixo do tapete meio milhão de mortos, ainda mais considerando que o luto por essas mortes atinge mais de dois milhões de pessoas, pelo menos. É a população de um país como o Uruguai.

Como disse alguém: não era negacionismo com relação à vacina. Era mesmo corrupção, bandidagem. Comprar para não receber, pagar preço superfaturado, enfim, aproveitar a tensão social para ganhar dinheiro.  Esperar para comprar de quem dá mais.

CPI do genocídio

A CPI do genocídio também está diante de um dilema. Prorroga ou não o prazo para apresentar o relatório final? Se prorrogar, por quanto tempo? Tem gente que quer fazer o governo sangrar até a última gota. Bobagem, infantilismo, sem querer ofender os infantes. 

Tem que ser rápido. Tem que estancar essa máquina de moer carne. Carne humana. Cada dia que você lê o Diário Oficial está lá mais uma maldade contra a nação, mais um passo na desmontagem do Estado. Uma das últimas foi desfazer-se da Companhia de Docas do Espírito Santos. Terrenos, armazéns, atracadouros com seus equipamentos, ferrovias etc., a preço de banana, obviamente.

Para o governo é a CPI dos sete bandidos. Eles farão tudo para tentar desmoralizar os senadores e os deputados envolvidos nas denúncias que incriminam membros do Executivo, notadamente os militares que ocupam o Ministério da Saúde e o próprio gabinete da Presidência.

Um Cavalo de Troia na CPI

Bem ao estilo das diversas máfias, tentaram plantar um Cavalo de Troia na CPI para incriminar os denunciantes e testemunhas. Faltou profissionalismo ao cabo da PM, Luiz Paulo Dominguetti, que também é empresário do ramo da saúde. 

Foi rapidamente desmascarado pelo presidente da Comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM): “Tá achando que todo mundo aqui é otário?”.

O deputado Luís Miranda, do DEM, atingido por esse falso tiroteio, ficou bravo. Seu projeto de vida agora, disse para todo mundo ouvir, é provar que o Ministério da Saúde é um antro da corrupção.

Materialidade?

Não basta o gesto assassino de Bolsonaro que desnudou o rosto de uma criança em plena aglomeração no Rio Grande do Norte e ainda com a criança no colo? Com que direito viola a segurança de uma inocente criança? 

Egoísmo e egolatria elevados à enésima potência. O outro não importa. É a perda da humanidade.

Materialidade? O Brasil tinha condições de já ter vacinado toda a população. Somos respeitados como modelo pela Organização Mundial de Saúde pela eficiência e eficácia todos os anos na aplicação da vacina da gripe. Conquistamos o respeito no combate a endemias erradicadas como a da poliomielite e da Aids. Pelo menos umas 200 mil mortes teriam sido evitadas, estimam os especialistas.

Deformidade psicossocial

Ser bolsonarista já não é mais ser de direita, é uma deformidade psicossocial. Como é que fica então?

Será que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, através do South Command,  mandou dar um breque nas intenções golpistas de Bolsonaro? É complicado. 

Quando se analisam todos os fatos, sabendo que a operação de inteligência para a captura do poder foi obra do alto comando das forças armadas e com o aval e cumplicidade dos Estados Unidos, as dúvidas só aumentam. 

Achar que os militares desistiram e estão dispostos a entregar os mais de nove mil postos que ocupam no governo ganhando duplo salário, não me parece sensato. Menos ainda achar que ficaram bonzinhos de uma hora para a outra e resolveram respeitar a Constituição.

Forças Armadas

As forças armadas estão submersas nessa imundice e isso deve preocupar a amplos setores. Como ficam, por exemplo, a Aeronáutica e a Marinha embarcadas neste assalto ao poder e caminhada rumo ao despenhadeiro?

Com a luz verde dada pelo alto comando das forças armadas não tem como Lira rechaçar o pedido de impeachment. Sacrificarão alguns bodes expiatórios, como Jair Bolsonaro, Pazuello, Ricardo Barros, líder do governo na Câmara, entre outros.

Saem Bolsonaro e seus cúmplices, ficam o vice general Hamilton Mourão e os nove mil oficiais que ocupam o Planalto. Tudo como dantes no quartel de Abrantes. Vão presidir as eleições e fazer campanha para eleger o próprio Mourão ou alguém de ocasião.

Paulo Cannabrava Filho, editor da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Paulo Cannabrava Filho Iniciou a carreira como repórter no jornal O Tempo, em 1957. Quatro anos depois, integrou a primeira equipe de correspondentes da Agência Prensa Latina. Hoje dirige a revista eletrônica Diálogos do Sul, inspirada no projeto Cadernos do Terceiro Mundo.

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