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Cannabrava | Marighella nos ensinou que a unidade se faz na luta

"Como se organizar e levar na e para a prática a luta de libertação nacional?". Respondi, em algumas linhas, a pergunta de uma companheira
Paulo Cannabrava Filho
Diálogos do Sul
São Paulo (SP)

Tradução:

Nesta quarta (4), me emocionei lembrando os 51 anos da morte de Carlos Marighella. Nossa equipe fez um pequeno vídeo com a mensagem libertadora que nos legou o grande líder.

Uma companheira ponderou que a grande questão é: como se organizar e levar na e para a prática a luta de libertação nacional?

Respondi.

O fundamental é convencer a razão da luta…. o porquê da luta e contra quem se luta. A unidade se faz na luta.

Com cabeça de neoliberal ou de pequeno burguês desamparado, dificilmente será possível entender a razão da luta. 

Convivi com vários movimentos de libertação nacional. O que gera união é a certeza da razão da luta. 

Aqui é difícil porque, para muitos, o imperialismo ainda é uma enteléquia e a própria ditadura que nos submete passa despercebida.

Outros, mesmo de esquerda, não querem romper a institucionalidade. A inércia é a não vontade ou o medo de romper com a institucionalidade. 

Sem romper — como dizia o velho Karl Marx, o grande filósofo alemão que escrevia em vários idiomas —, sem destruir e substituir o Estado burguês, ele nos frita. Temos, entre nós, o exemplo do quão rapidamente nossa oligarquia se recompõe e volta a hegemonizar o Estado.

"Como se organizar e levar na e para a prática a luta de libertação nacional?". Respondi, em algumas linhas, a pergunta de uma companheira

Reprodução
Marighella era puro entusiasmo. A juventude e o líder possuídos por um deus, pois é isso que quer dizer entusiasmo.

Lembro que quando a juventude acreditou numa causa o entusiasmo fez o resto. Marighella era puro entusiasmo. A juventude e o líder possuídos por um deus, pois é isso que quer dizer entusiasmo.

A grande questão é essa. 

Fazer entender que a luta é de libertação nacional e que só se vence rompendo a institucionalidade. 

Outra coisa que percebi, é que, sem poesia, sem ser poeta, também não vão entender a razão da luta.

Já dizia o velho Platão, aquele das cavernas, que a servidão intelectual é a maior desgraça, porque é voluntária, o cara não quer largar dela, não quer ser livre. 

Desde criança trabalho com essa questão da liberdade. Meu avô, um erudito, dizia que a maior prova da libertada do homem (naquele tempo homem designava dois sexos, mesmo porque cabiam em cada um todos os sexos), era poder decidir sobre a própria vida. 

Só uma pessoa livre…. um poeta liberto como Che Guevara, Ho Chi Minh, Amilcar Cabral, Carlos Marighella, e tantos outros… 

Veja se não é um poema épico o A História de Absolverá, de Fidel Casto? Todos esses poetas eram0 carregados de amor à humanidade.

Só um poeta liberto renuncia à vida pra libertar os outros.

Os poetas então, são vocês, são os jovens inconformes, que fazendo versos, cantando RAP, se rebelarão. O inimigo está aí, em toda parte: as oligarquias e burguesias vende-pátria servis ao imperialismo dos Estados Unidos. A luta é sem trégua para conquistar a independência e a soberania.

* Paulo Cannabrava Filho é jornalista, editor chefe da Diálogos do Sul e autor de vários livros, dentre os quais: “Resistência e Anistia“.

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Paulo Cannabrava Filho Iniciou a carreira como repórter no jornal O Tempo, em 1957. Quatro anos depois, integrou a primeira equipe de correspondentes da Agência Prensa Latina. Hoje dirige a revista eletrônica Diálogos do Sul, inspirada no projeto Cadernos do Terceiro Mundo.

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