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Cannabrava | Resposta a atentado terrorista ao Kremlin pode ser morte de Zelensky e seu grupo

Para Putin, ato terrorista planejado foi uma tentativa de assassiná-lo e no seu devido tempo terá reação à altura
Paulo Cannabrava Filho
Diálogos do Sul Global
São Paulo (SP)

Tradução:

A diplomacia milenar chinesa insiste em colocar os dois contendores – Rússia e Ucrânia – na mesa de negociação. Com essa finalidade enviou seu representante especial para Assuntos Euroasiáticos a visitar a Ucrânia e outros países do Leste Europeu, envolvidos na guerra, para convencê-los a buscar a paz. Lula está nessa mesma linha e quer formar um grupo de países para atuar como mediadores da paz.

Há que lembrar que o apoio da China à Rússia, sacramentado em tratados, é incondicional e ilimitado. Isso pesa a favor da Rússia numa mesa de negociação. China ficou preocupada com a notícia de que drones ucranianos tentaram atacar o Kremlin, sede do governo e residência de Vladimir Putin, e foram derrubados.

Com razão, pois para Putin o ato terrorista planejado foi uma tentativa de assassiná-lo e no seu devido tempo terá resposta à altura. Xi Jinping pediu calma, mesura nessa hora, tendo em vista que o acirramento das tensões eleva o risco de uma terceira guerra mundial, desastrosa para toda a humanidade.

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O chanceler da Hungria, Péter Szijjártó, por sua vez, está a exigir que a Otan deve fazer todo o possível para evitar um confronto direto com a Rússia. Disse já ter tomado essa decisão e espera que a advertência seja levada em conta, pois o maior envolvimento poderá levar a uma terceira guerra mundial.

Sobre o ataque ao Kremlin, o chefe da Segurança russa, coronel Andrei Popov, concluiu que foi um “fracasso” de Kiev, e afirmou que a operação especial na Ucrânia seguirá como planejado. As autoridades consideraram ridículas as alegações de Kiev de que nada tem a ver com o atentado. Por outro lado, correm versões de que o atentado, tal como aquele contra o gasoduto Nord Stream, foi obra dos Estados Unidos com participação da Otan. Tem lógica.

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Dmitri Medvedev, secretário-adjunto do Conselho de Segurança russo, em seu canal no Telegram, afirmou que “depois deste ato terrorista já não resta outra opção que a de eliminar fisicamente Zelensky e seu bando. Já não necessitamos dele nem sequer para assinar o ato de capitulação incondicional da Ucrânia. É uma ameaça para ser levada a sério, partindo de quem partiu”.

Vale lembrar que em 9 de maio em toda a Rússia se comemora a vitória sobre o nazismo. Nessa guerra mão, as tropas de Hitler cercaram Moscou e foram repelidas até que o Exército Vermelho colocou a bandeira vermelha no Reichtag, a sede do governo nazista. Em Moscou haverá desfile militar, em que seguramente mostrará armas modernas que sequer foram utilizadas na Ucrânia.

Para Putin, ato terrorista planejado foi uma tentativa de assassiná-lo e no seu devido tempo terá reação à altura

Presidente da Ucrânia/Flickr
Se Ocidente quisesse a paz, haveria reação construtiva a propostas russas de acordos de garantia de segurança com os EUA e a Otan

A percepção que temos é de que a Ucrânia segue resistindo por conta exclusiva da ajuda militar e econômica que recebe dos Estados Unidos e alguns países da Otan. Sem isso, a munição e os recursos já teriam acabado. Não obstante, Kiev está concentrando milhares de tropas na linha de contato na região de Zaparozhie. Com certeza para uma nova ofensiva com o objetivo de cortar linhas de comunicação com a península da Crimeia. Querem conquistar esse território russo.

Para o vice-chanceler Mikhail Galuzin, nem o Ocidente nem Kiev desejam a paz. Argumenta que, se quisessem, haveria uma reação construtiva à proposta russa de celebrar um acordo de garantia de segurança entre a Rússia e os Estados Unidos e o pacto sobre medidas de segurança entre a Rússia e a Otan.

De fato, a resposta à proposta russa foi o avanço da Otan agregando países do Leste Europeu, como a Finlândia, um dos últimos países a aderir ao pacto. Sobre a posição da Finlândia, o porta-voz da chancelaria russa advertiu que a Rússia terá que tomar medidas de represália técnico-militares se os membros da Otan utilizarem o território finlandês fronteira com a Rússia para fins militares.

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O vice-chanceler também disse que não pode haver requisitos prévios para o início das negociações. Ou seja, as áreas autônomas liberadas continuarão livres, pois assim manifestaram os habitantes através de plebiscito.

“Nenhum objetivo contra o Estado russo será alcançado”, concluiu.

Na quarta-feira, 3 de maio, o Serviço de Segurança russo desbaratou um grupo de agentes da Inteligência ucraniana que executava planos de assassinar dirigentes da Península da Crimeia.

De fato, a Otan só tem feito para agravar a tensão na área. É uma tática de guerra. Manter o país em permanente tensão desvia os esforços para o desenvolvimento, cria um clima de animosidade contra o governo, pois ninguém gosta de guerra. O objetivo dos Estados Unidos é derrubar Putin e ocupar o território russo para assim poder atacar a China.

Leia também: Vivemos cenário pior que guerra nuclear: única saída é pelo Brics, diz Paulo Cannabrava

O relatado são fatos. Fatos que a imprensa hegemônica omite. A mesma versão dada pelos Estados Unidos é a que circula no Ocidente colonizado pelo imperialismo anglo-saxão, pois não se pode omitir a responsabilidade do Reino Unido sobre essa guerra. E agora, com todo o mundo se distraindo com a coroação do rei Charles III. Impressionante, as redes de televisão em linha direta com Londres. Nada de mais importante ocorre no mundo.

Paulo Cannabrava Filho, jornalista editor da Diálogos do Sul e escritor.
É autor de uma vintena de livros em vários idiomas, destacamos as seguintes produções:
• A Nova Roma – Como os Estados Unidos se transformam numa Washington Imperial através da exploração da fé religiosa – Appris Editora
Resistência e Anistia – A História contada por seus protagonistas – Alameda Editorial
• Governabilidade Impossível – Reflexões sobre a partidocracia brasileira – Alameda Editora
No Olho do Furacão, América Latina nos anos 1960-70 – Cortez Editora

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Paulo Cannabrava Filho Iniciou a carreira como repórter no jornal O Tempo, em 1957. Quatro anos depois, integrou a primeira equipe de correspondentes da Agência Prensa Latina. Hoje dirige a revista eletrônica Diálogos do Sul, inspirada no projeto Cadernos do Terceiro Mundo.

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