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Carolina Vásquez Araya: Do Chile para Guatemala, uma história de lutas

Carolina Vásquez Araya

Tradução:

Entrevista a Carolina Vásquez Araya: “para inspirar-se não há melhor entorno que nossos países em crise constante”

Carolina Vásquez Araya
Carolina Vásquez Araya

Quisemos entrevistar outra colunista permanente de nossa mídia, a chilena Carolina Vásquez Araya Vásquez Araya, radicada na Guatemala há vários anos.
Pressenza: Em que valores você se formou, quais são para você os temas mais importantes, inegociáveis, que buscam abrir passo através de suas linhas?

Carolina Vásquez Araya: Nasci e cresci no Chile, um país que nos anos 50 y 60 estava concentrado em si mesmo, em seu próprio desenvolvimento e onde a educação tinha um grande valor, um país até certo ponto isolado do resto do mundo e onde o modelo a seguir era a Europa e sua cultura. De fato, na minha família predominava uma visão de futuro em função das qualidades intelectuais e não se considerava importante a possibilidade de embarcar em outras atividades, tais como a tecnologia ou os negócios. Desse modo, na minha infância tudo parecia girar em torno de uma valorização extrema de certos princípios, sempre em função do que se podia conseguir por meio de uma formação eminentemente acadêmica.

Essa etapa marcou minha visão das coisas de maneira bastante particular, mas também me deu uma perspectiva crítica da vida e dos acontecimentos, algo muito útil nos tampos em que vivemos. Desse germe foi crescendo um interesse particular pelos temas culturais, predominantes em minha trajetória durante muitos anos, evoluindo para um enfoque muito mais integral da realidade.

Pressenza: Como é que você faz para inspirar-se e enfrentar o teclado com tanta frequência?

Carolina Vásquez Araya: Durante alguns anos escrevi e publiquei uma coluna sobre temas culturais de segunda a sábado e não podia – nem queria – deixar de fazê-lo; Isso, talvez, e mais a rotina do trabalho jornalístico e a pressão de escrever diariamente sobre diferentes temas, ajudou-me a criar um hábito que foi se transformando em uma via indispensável de expressão. Minha coluna em um jornal guatemalteco de grande influência já tem 25 anos de existência e até o final de 2015 foi publicada duas vezes por semana. A partir de janeiro deste ano tem frequência semanal.

Quando à temática, para inspirar-se não há melhor entorno do que nossos países em crise constante. O crime, a violência, a discriminação e o racismo, as profundas desigualdades e o abuso de poder de certos setores configuram um cenário ao qual não é possível se abstrair. Invade-nos, impulsiona a somar-nos à denúncia porque de outro modo de nada serve a capacidade para elaborar um texto. É uma grande responsabilidade para nós que temos o privilégio de ver nosso pensamento plasmado na imprensa escrita ou em um arquivo digital.

Pressenza: De que modo você percebe quem a lê regularmente; você recebe algum feed-back, ou imagina esses leitores? Para quem você escreve?

Carolina Vásquez Araya: Recebo comentários e, geral, são muito positivos. Quando alguém reage de maneira negativa aos meus escritos tento compreender o porquê dessa reação. Todo escrito reflete uma visão pessoal de quem o elabora e não representa necessariamente o sentir universal dos leitores. Por isso é que devo ser extremamente sensível às reações para não cruzar essa linha entre meu conceito da verdade e o dos demais. Evitar essa forma de arrogância é essencial para manter a sensatez.

Pressenza: Você já publicou suas colunas em formato de livro ou apenas as difunde por nossa agência e por outras plataformas virtuais?

Carolina Vásquez Araya: Uma vez, há muito tempo, editei um livro com colunas sobre cultura. Está guardado e jamais terminei o projeto, nunca mandei imprimir. São muitos anos escrevendo com uma frequência tão estrita que praticamente tornou-se um estilo de vida ao qual tenho dedicado muita energia, mas não estou segura de que uma seleção das minhas colunas de opinião tenha valor literário em si mesma. No entanto, não duvido de seu valor como espelho de uma época na qual sucederam acontecimentos de enorme transcendência. Talvez seja esse meu grande projeto futuro. Há alguns anos alimento um blog com meus escritos. (http://www.Carolina Vásquez Arayavasquezaraya.com), com a esperança de algum dia despertar o interesse daqueles que desejem conhecer meu pensamento.

Pressenza: O que seria para você o mais importante, a aspiração maior a alcançar com suas palavras para o próximo ano?

Carolina Vásquez Araya: Durante anos venho observando a vida política e social da Guatemala e de outros países de nosso continente. Por isso posso dizer com total convicção que as palavras não bastam para atingir mudanças significativas em sociedades tão complexas e transtornadas como as nossas. Os problemas ultrapassam qualquer iniciativa de mudança em níveis muito mais estruturados, como os sistemas de justiça, os controles administrativos do Estado, a fiscalização da arrecadação tributária ou a reforma dos sistemas de saúde e de educação. Nesse sentido, a imprensa apenas pode contribuir para informar, analisar e denunciar, mas a verdadeira incidência nas mudanças corresponde à cidadania.

Pressenza: Finalmente, Carolina Vásquez Araya, como é que você vê  Pressenza e como tem sido sua relação com ela até agora…

Carolina Vásquez Araya: Pressenza é exemplo de uma plataforma moderna, orientada a um público diverso. O grande valor de um meio digital como Pressenza é seu enorme potencial de divulgação e sua capacidade para oferecer espaço àqueles que focam sua análise no desenvolvimento de nossos povos. É uma plataforma solidária à qual agradeço a publicação de minhas colunas e desejo o maior dos êxitos.

Pressenza: Há algo mais que você queira dizer?

Carolina Vásquez Araya: Às vezes, nossos esforços parecem estéreis e em algum momento sentimos impotência diante do enorme trabalho que nos espera. No entanto, os avanços existem, percebem-se em mudanças muitas vezes insignificantes, mas reais. O simples fato de nos expressarmos livremente é um direito que há três décadas não havia na maioria dos nossos países. Há que olhar sempre para o passado para arredondar nossa perspectiva e dar sentido a nossas metas. Muito obrigada, Pressenza, por me dar a oportunidade de compartilhar com vocês esta travessia.

Pressenza: Muito obrigada a você, Carolina Vásquez Araya!
 
http://www.pressenza.com/es/2016/12/entrevista-Carolina Vásquez Araya-vasquez-para-inspirarse-no-hay-mejor-entorno-que-nuestros-paises-en-crisis-constante/
 


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

Carolina Vásquez Araya Jornalista e editora com mais de 30 anos de experiência. Tem como temas centrais de suas reflexões cultura e educação, direitos humanos, justiça, meio ambiente, mulheres e infância

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