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Casa de Pavlov: por que edifício virou símbolo de resistência da URSS contra o exército nazista

Local foi atacado pelos alemães em setembro de 1942, enquanto os homens de Pavlov concentravam fogo pesado a partir do porão, das janelas e do telhado
Gustavo Espinoza M.
Diálogos do Sul
Lima

Tradução:

Nos primeiros dias de fevereiro, o mundo evocou 80 anos da batalha de Stalingrado, gesta decisiva da II Guerra Mundial que marcou a derrota da Alemanha hitleriana. 

O confronto principal ocorreu em 13 de setembro de 1942 na colina Mamai, situada no coração da cidade. Os atacantes se apoderaram dela e do alto controlavam tudo. O golpe dos atacantes estava dirigido à Estação Central, situada ao pé da colina. O lugar trocou várias vezes de ocupante. Em 16 de setembro a luta se deu a 300 metros do lugar em que se encontrava o Marechal Mariscal Chuikov ao mando do Estado Maior Soviético.

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No dia 24, os alemães ocupavam a maior parte do centro de Stalingrado.  No dia 27, iniciaram a ofensiva final para se apoderarem da zona industrial. O 28 foi um dia decisivo. Chuikov disse: “Um dia mais desse tipo e nos teriam atirado ao Volga”. No dia 30, em Berlim, Hitler disse: “Assaltamos Stalingrado e a tomaremos, disse podem estar seguros…”

Outubro de 42 foi o pior mês. Um lugar emblemático na luta foi a Casa de Pavlov, um edifício de apartamentos defendido durante a Batalha. Recebeu seu nome do Sargento Yakov Pavlov, que comandava o pelotão que tomou o edifício e o defendeu. Tinha 4 andares e estava localizado no centro da cidade, construído paralelamente à margem do Volga e da Grande Praça 9 de janeiro, em homenagem ao Domingo Sangrento de 1905

Batalha de Stalingrado: como há 80 anos, democracia global impõe luta contra o fascismo

O edifício foi atacado pelos alemães em setembro de 1942. Um pelotão da 13ª divisão da Guarda recebeu a ordem de tomar o edifício e defendê-lo. O pelotão estava sob o comando de Pavlov. Conseguiram embora só quatro homens sobrevivessem ao combate. Eles sozinhos conseguiram defender a praça até que dias depois, tropas de reforço forneceram armas e morteiros.

Os assaltos alemães se sucediam ao longo do dia. Cada vez mais blindados alemães tentavam atravessar a praça; os homens de Pavlov concentravam fogo pesado a partir do porão, das janelas ou do telhado. Deixando atrás cadáveres e aço, os alemães se retiravam uma e outra vez.

Os defensores e os civis russos que continuavam vivendo nos porões resistiram de 23 de setembro a 25 de novembro de 1942, quando foram substituídos por forças soviéticas no contra-ataque. Mas esse foi apenas um caso. Houve milhões.

Local foi atacado pelos alemães em setembro de 1942, enquanto os homens de Pavlov concentravam fogo pesado a partir do porão, das janelas e do telhado

Foto: Vladimir Varfolomeev
Nos mapas militares alemães, a Casa de Pavlov é marcada como fortaleza




Símbolo da resistência da URSS

A Casa de Pavlov tornou-se um símbolo da resistência da URSS, e da Batalha de Stalingrado em particular. Resulta importante constatar que os exércitos alemães haviam conquistado cidades e países em semanas, mas foram incapazes de conquistar uma casa defendida a maior parte do tempo por apenas uma dúzia de soldados soviéticos.

Nos mapas militares alemães, a Casa de Pavlov é marcada como fortaleza. O marechal Chuikov, anos mais tarde, diria que os homens de Pavlov haviam matado mais alemães que todos os que morreram durante a libertação de Paris. Pavlov foi nomeado herói da União Soviética por suas ações. 

A batalha de Stalingrado e o fim do nazismo

Em 1º de outubro o Quartel General de Chuikov foi novamente atacado. Estava localizado na zona fabril da cidade e estava rodeado de depósitos de combustíveis que foram incendiados pelas bombas alemãs. Os soviéticos precisaram transferir seu posto de mando 500 metros mais ao norte.


Captura

As tropas alemãs capturaram parte da sede da fábrica de tratores. Entre 8 e 14 de outubro, o fim de Stalingrado esteve mais perto que nunca. Novamente as tropas alemãs estiveram a 300 metros do Quartel de Chuikov. Durante outubro se repetiram os combates. No dia 14, foi o novo prazo que Hitler fixou para a tomada da cidade. Só nesse dia, houve 3.000 voos alemães sobre Stalingrado.

Em 11 de novembro os alemães desencadearam sua última grande ofensiva. No dia 19 começou a contraofensiva histórica das tropas soviéticas, mas no coração da cidade a luta continuava heroicamente. No dia 25 se travou na fábrica Outubro Vermelho. Lutou-se em cada oficina e em cada parede. Em representação do comando soviético, Malenkov e Kruschev permaneceram em Stalingrado de 12 de setembro até 20 de dezembro.        

Em 19 de dezembro, Stalin dispôs o início da “Operação anel” que fechou a exército germano. Em 1º de janeiro de 1943, os alemães já estavam cercados em um oval de 70 quilômetros de comprimento por 25 de largura. Seu único enlace era aéreo. Von Paulus havia perdido a esperança de contactar com o exército de Von Manstein, que estava fora do cerco.

Produziram-se, em janeiro de 43, duros combates pelo controle de diversas zonas da cidade. Derrotado, em 31 de janeiro, o Marechal Von Paulus se rendeu em seu Quartel General, no porão dos armazéns Univermag.

Antes, foi feito prisioneiro por um tenente russo: Fiodor Yelchenko. 24 generais alemães caíram prisioneiros no fim dessa batalha: 2.500 oficiais, 91 mil soldados. Mais de cem mails haviam morrido entre 1º de janeiro e 2 de fevereiro, data do fim das hostilidades formais. Em total, em Stalingrado morreram cinco milhões de pessoas.

Com a capitulação do 2 de fevereiro concluiu-se a batalha de Stalingrado, mas não terminou a guerra. Ela continuou em solo soviético onde se produziu uma quarta grande confrontação: a batalha do Arco de Kurst, que permitiu expulsar os invasores da URSS.

Depois viria, em janeiro de 1944, o fim do cerco a Leningrado e depois a luta para liberar a Europa do domínio do fascismo e perseguir os nazistas até sua guarida em Berlim. Em 30 de abril de 1945, a bandeira vermelha com a foice e o martelo foi içada no alto do Reichstag e em 9 de maio, a Alemanha se declarou vencida. 

Hoje, a URSS não existe, mas os povos avançam na luta por justiça e dignidade, e abrem passo em distintos confins da terra e também na América Latina. Por isso, Stalingrado vive na memória dos povos e os ideais do socialismo perduram na consciência de milhões. 

Gustavo Espinoza M. | Colaborador da Diálogos do Sul em Lima, Peru.
Tradução: Beatriz Cannabrava.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Gustavo Espinoza M. Jornalista e colaborador da Diálogos de Sul em Lima, Peru, é diretor da edição peruana da Resumen Latinoamericano e professor universitário de língua e literatura. Em sua trajetória de lutas, foi líder da Federação de Estudantes do Peru e da Confederação Geral do Trabalho do Peru. Escreveu “Mariátegui y nuestro tiempo” e “Memorias de un comunista peruano”, entre outras obras. Acompanhou e militou contra o golpe de Estado no Chile e a ditadura de Pinochet.

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