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Cédula de papel, filas e controle duplo do resultado: entenda como votam os argentinos

Processo é feito por meio de uma cédula gigante que deve ser colocada na urna e mais; Confira:
Vanessa Martina-Silva
Diálogos do Sul
Buenos Aires

Tradução:

O processo eleitoral argentino é bem diferente do brasileiro. Aqui o voto não é eletrônico. É feito por meio de uma cédula gigante que deve ser colocada na urna e mais: a pessoa pode cortar cada pedaço deste papel para compor o voto.

No total, 33,2 milhões de argentinos estão habilitados para votar neste domingo (27). Além de presidente, os cidadãos do país também vão escolher os deputados das províncias e os senadores.

Os moradores das províncias de Catamarca, La Rioja, Buenos Aires e da Cidade Autônoma de Buenos Aires (CABA) vão escolher também seus representantes para governadores, deputados federais, prefeitos e vereadores.

O regime na cidade de Buenos Aires é distinto do restante do país, mais ou menos como o Distrito Federal brasileiro. Aqui elegem chefe de governo da cidade, deputados distritais e comuneros (espécie de sub-prefeitos, como existe em São Paulo, mas eleitos por voto direto). 

Assim, o eleitor porteño tem, diante de si, um total de seis retângulos com os respectivos candidatos. 

Outra diferença é que cédula pode ser levada de casa, desde que contenha todas as informações corretas. Os partidos, agrupamentos, movimentos e coletivos ajudaram a distribuir o material eleitoral previamente para garantir que não faltem cédulas na hora do voto. De qualquer forma, na sala de votação estão todas as cédulas de todos os partidos e frentes eleitorais. 

Todos os votos do eleitor devem ser colocados dentro de um envelope autenticado pela mesa. Nele, o votante coloca todas as suas cédulas correspondentes ao cargo de cada candidato. Caso haja alguma duplicidade, o voto é anulado.

Fiscalização

De acordo com Ariel Iñiguez, fiscal geral do Partido Justicialista (PJ) na escola Benjamin Zorilla, localizada no bairro Flores, em Buenos Aires, para exercer seu direito ao voto, os cidadãos levam cerca de uma hora entre a fila e o momento final de colocar sua cédula no envelope eleitoral. Neste colégio eleitoral votam aproximadamente 5.600 pessoas.

O fiscal esclareceu que a fiscalização é fundamental. Poucos dias antes das eleições, militantes peronistas denunciaram que não haviam todas as garantias contra fraude no sistema argentino. Leia aqui.

Para evitar qualquer incongruência entre o resultado verificado nas escolas e o que será transmitido pela empresa Smartmatic, os fiscais partidários acompanham todo o processo para checar que as informações são as mesmas, de forma a ter um controle duplo.

Além de estarem presentes desde a abertura das escolas, os fiscais também vão acompanhar todo o processo de contagem, o que deve ser iniciado após as 18h. O processo demora aproximadamente duas horas, explica Iñiguez, e é checado tanto pelas autoridades como pelos fiscais que devem assinar o documento.

Questionado sobre os motivos de não adotarem voto eletrônico, o fiscal esclarece que são dois os fatores que explicam o fenômeno: “o primeiro é que eleitorado argentino confia na cédula de papel por uma tradição cultural democrática e, em segundo, porque a presença dos partidos políticos garante a fiscalização e auditagem desses votos”.

*Vanessa Martina Silva é editora da Diálogos do Sul e integra o  Coletivo de Comunicação Colaborativa ComunicaSul, que está cobrindo as eleições na Bolívia, Argentina e Uruguai com o apoio das seguintes entidades: Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé; Hora do Povo; Diálogos do Sul; SaibaMais; 6 três comunicação; Jaya Dharma Audiovisual; Fundação Perseu; Abramo; Fundação Mauricio Grabois; CTB; CUT; Adurn-Sindicato; Apeoesp; Contee; CNTE; Sinasefe-Natal; Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região; Sindsep-SP e Sinpro MG. 

A reprodução é livre, desde que citados os apoios e o autor.

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Vanessa Martina-Silva Trabalha há mais de dez anos com produção diária de conteúdo, sendo sete para portais na internet e um em comunicação corporativa, além de frilas para revistas. Vem construindo carreira em veículos independentes, por acreditar na função social do jornalismo e no seu papel transformador, em contraposição à notícia-mercadoria. Fez coberturas internacionais, incluindo: Primárias na Argentina (2011), pós-golpe no Paraguai (2012), Eleições na Venezuela (com Hugo Chávez (2012) e Nicolás Maduro (2013)); implementação da Lei de Meios na Argentina (2012); eleições argentinas no primeiro e segundo turnos (2015).

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