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Celac, presidência cubana e integração social

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

I-Reunión-de-Ministros-de-Cultura-de-la-Celac
Reunião de ministros da Cultura de Celac

A Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) fixou entre as prioridades para a região o impulso à integração social e cultura, objetivo para o qual deverá  avançar durante a presidência pro tempore de Cuba.

Durante sua Primeira Cúpula, realizada em finais de janeiro em Santiago do Chile, o bloco fundado pelos 33 países independentes da área aprovou avançar na unidade latino-americana e caribenha para enfrentar desafios como o desenvolvimento sustentável e o combate a pobreza.

A reunião da Celac na capital chilena concluiu com a entrega pelo presidente anfitrião Sebastián Piñera, do comando para o presidente cubano Raúl Castro. Ao intervir o líder cubano advogou por imprimir uma forte dimensão social à entidade integracionista fundada em dezembro de 2011 em Caracas, Venezuela.

“Estamos obrigados a alcançar progressos consideráveis na educação como base para o desenvolvimento econômico e social. Nada do que nos propomos, desde a diminuição da iniquidade até a redução da brecha tecnológica e digital, será possível sem isso”, afirmou. Enfatizou a necessidade de derrotar o analfabetismo, flagelo considerado uma das razões que sustentam a dependência econômica e cultural das nações subdesenvolvidas.

Há menos de dois meses de sua I Cúpula, a Celac já realizou dois foros com vistas a atender as prioridades em matéria de intercâmbio educativo e cultural, que junto à integração política e econômica conformam a agenda de uma comunidade genuinamente regional, sem a participação de Estados Unidos e Canadá.

Compromisso com a educação

Ministros e altos funcionários de 24 países da Celac participaram em fevereiro, em La Habana, da I Reunião de Ministros de Educação do bloco.  Os debates concluíram com a aprovação de uma agenda e propostas para avançar na eliminação do analfabetismo na América Latina e Caribe. Se estabeleceu que as nações devem trabalhar para superar o flagelo dos iletrados até 2020.

A ministra cubana de Educação, Ena Elsa Velázquez, esclareceu que a iniciativa consiste em buscar o fim do analfabetismo para 2015, nos países com mais de 90 por cento de sua população alfabetizada. Aquelas nações com menos de 90 por cento de sua população alfabetizada, trabalharão para alcançar essa meta em 2020.

Segundo dados apresentados pela ministra, ainda que a região apresente um 92% de alfabetização, existem em torno de 36 milhões de latino-americanos e caribenhos iletrados, sendo 55% entre eles mulheres.

Os participantes  também se propuseram elaborar junto a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) um catálogo com as melhores práticas e outro de políticas públicas em material educacional na área, bem como determinar novos caminhos para promover a cooperação inter-regional.

Também defenderam reforçar o papel da Organização das Nações Unidas para a Educação e a Cultura (Unesco) como agência líder neste âmbito, e concordaram formar um grupo de trabalho permanente da Cela para contribuir com a consecução dessas decisões.

Outros aspectos abordados no encontro foram a importância de elevar o nível da formação dos docentes para alcançar um ensino com mais rigor, a qualidade na educação básica e a atenção à primeira infância, aos indígenas e os afrodescendentes.

A I Reunião de Ministros de Educação do bloco integracionista reconheceu o esforço de Cuba por sua solidariedade e apoio a alfabetização na Bolívia, Nicarágua e Venezuela. Especialistas da ilha elaboraram o método de alfabetização Yo si puedo, com o qual milhões de pessoas de várias partes do mundo aprenderam a ler e a escrever. Sobre isso a ministra Velázquez ratificou o compromisso de Cuba de “continuar ampliando essa colaboração entre os países da região e seguir avançando no cumprimento das metas de educação para todos.

A cultura, outra arma emancipadora

Paramaribo, a capital de Suriname, foi sede da I Reunião de Ministros de Cultura da Celac, que transcorreu entre 14 e 15 de março com a participação de delegações de 24 países membros.

Titulares e altos funcionários debateram sobre integração, fomento à cultura nacional, geração de espaços regionais no setor com vistas ao desenvolvimento sustentável e a erradicação da desigualdade, considerando a diversidade do Caribe, os povos originários e os afrodescendentes.

O encontro também tratou da difusão de boas práticas nas políticas públicas que favoreçam o diálogo intercultura, a cultura de paz e a da não violência, o bem-estar social e a eliminação da pobreza.

Outros pontos da agenda se relacionam com questões de legislação, incentivos e financiamentos para o setor, programas artísticos dos países da área e implementação das convenções da Unesco na América Latina e Caribe.

O ministro cubano da Cultura, Rafael Bernal, fez um apelo para que se promova a cultura como critério de integração e dignificação. “Urge, mais que nunca, significar as culturas que atesouramos e nossa capacidade de enriquecê-las. Desconhecer o papel dos valores, postegar nossa contribuição ao sentido de responsabilidade que devemos incutir em cada cidadão (…) são hoje posições incompatíveis com um compromisso com vida”. Acrescentou que “exigir relações mais justas, atuações mais responsáveis e uma vida mais digna para todos, são tarefas essencialmente culturais na hora atual”

*Prensa Latina, de La Habana especial para Diálogo do Sul


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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