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Chanceler russo acusa EUA de "minar" retomada de diálogo bilateral

Serguei Lavrov lamentou que governo estadunidense diz querer uma relação bilateral “estável e previsível” e faz de tudo para arruinar esse propósito
Juan Pablo Duch
La Jornada
Moscou

Tradução:

Para a Rússia, “toda tentativa de sustentar um diálogo a partir de posições de força está condenada de antemão” porque “qualquer ação hostil receberá uma resposta firme e demolidora”, advertiu ontem o chanceler russo, Serguei Lavrov.

Ao ser perguntado sobre as perspectivas que se abriram com a recente reunião em Genebra dos presidente Vladimir Putin e Joe Biden, o chefe da diplomacia russa lamentou que Estados Unidos diz querer uma relação bilateral “estável e previsível” e faz de tudo para arruinar esse propósito. 

Lavrov assinalou – em uma entrevista ao jornal indonésio Rakyat Merdeka, nas vésperas de sua viagem à Jacarta em visita oficial e para participar de uma reunião de chanceleres da Rússia e dos países da ASEAN (sigla em inglês da Associação de Nações do Sudeste Asiático) – que Washington, “com renovada força utiliza o mesmo tom de antes” e lança novas ameaças a Moscou “se não aceitar as regras do jogo que querem lhe impor”.

Recordou que a Rússia tem claro que não haverá avanços em nenhum âmbito da relação com Estados Unidos a menos que ambos os países estejam dispostos a encontrar “um equilíbrio de interesses mutuamente aceitável com base nos princípios de paridade”. 

Serguei Lavrov lamentou que governo estadunidense diz querer uma relação bilateral “estável e previsível” e faz de tudo para arruinar esse propósito

Prensa Latina
O chanceler russo, Serguei Lavrov

Nova versão da Doutrina de Segurança Nacional da Rússia

A firme posição manifestada por Lavrov corresponde à nova versão da Doutrina de Segurança Nacional da Rússia, que substitui a anterior de 2015 e entrou em vigor esta semana.

Segundo este documento que serve de fundamento para a Doutrina Militar, a Concepção de Polícia Exterior e outros lineamentos da Rússia, Estados Unidos e seus aliados do Ocidente “são adeptos de valores que nos são alheios e que devem ser rechaçados”. 

Da mesma forma que há seis anos, “a política interna e exterior independente da Rússia faz com que EUA e seus aliados, que querem manter sua supremacia nos assuntos mundiais, empreendem ações que buscam afetar-nos, o mesmo tempo que sua política de contenção da Rússia inclui exercer pressão em matéria de política, economia, militar e informação”. 

Porém agora, ademais, “nossos valores tradicionais de índole religiosa, moral, cultural e histórica são alvos de constantes ataques dos EUA e seus aliados, assim como das corporações transnacionais, das ONGs internacionais, das organizações religiosas, dos extremistas e terroristas”. 

Moscou percebe um incremento dos perigos e ameaças militares e o atribui às tentativas de exercer pressão contra o seu país, à expansão das infraestruturas militares (da OTAN) próximo às suas fronteiras, à intensificação da espionagem, aos ensaios de emprego contra a Rússia, grandes formações militares e armamento nuclear. 

O Kremlin, no outro extremo, se propõe sobretudo a fortalecer a “relação estratégica com a China e a Índia, entre outras metas “para criar mecanismos que garantam a estabilidade regional e a segurança na região da Ásia e do Pacífico sem formar blocos”.

Juan Pablo Duch, Correspondente de La Jornada em Moscou.

La Jornada, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Juan Pablo Duch Correspondente do La Jornada em Moscou.

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