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Chile: Após privatização dos Correios, empresas se concentraram nas regiões ricas

“Privatização entregou manjar dos Correios às grandes empresas e deixou Estado com o bagaço", diz Juan Riquelme Varela ao denunciar vazio em regiões pobres
Leonardo Wexell Severo
Diálogos do Sul
São Paulo (SP)

Tradução:

“A privatização entregou o manjar dos Correios às grandes empresas e deixou o Estado com o bagaço. É absurdo, ficou mais fácil abrir uma agência do que qualquer coisa”, condenou Juan Riquelme Varela, presidente da Federação dos Trabalhadores dos Correios do Chile, em entrevista.

Infelizmente, relatou Riquelme, “temos as grandes companhias concentradas onde está o lucro, não fazem o trabalho social, que é deixado de lado para ser feito pelo Estado”. “Para todas as metas, para todas as utilidades, somos tratados como uma empresa não pública, autônoma, da qual temos de arrancar tudo com nossas próprias unhas”, acrescentou.

De acordo com o tesoureiro do Sindicato Nacional dos Correios da Central Unitária de Trabalhadores (CUT) em Santiago, “há uma péssima herança pesada deixada por Pinochet, pelos neoliberais, e será preciso estar mobilizados contra a direita nas eleições de 21 de novembro em prol das empresas públicas e de serviços de qualidade”.

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Neste embate, assinalou, há uma enorme responsabilidade pelos mais de seis mil quilômetros envolvendo o Serviço Postal Universal (SPU) “disponível pelos Correios para chegar a todos os lugares do país, de Arica até a Terra do Fogo”. “Infelizmente, temos as grandes companhias concentradas e de olho onde está o lucro, não fazem o trabalho social, que é feito pelo Estado”, denunciou.

“Nós apresentamos como CUT um projeto para que fique escrito na nova legislação, a fim de que a palavra não seja levada pelo vento. Vamos exigir para que tenhamos um Correio público, de qualidade, porque atualmente não há concorrência, mas um campo desnivelado em favor dos privados. Chegaram vários grandes, transnacionais, o que nos traz muita insegurança, qualquer um pode montar uma agência sem qualquer restrição”, disse.

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Riquelme declarou estar “muito animado com os companheiros constituintes”, particularmente em melhorar as condições de trabalho e de infraestrutura, para fazer frente aos desafios que vêm sendo colocados.

Sobre a capacidade de trabalho e dedicação da categoria, o sindicalista explicou que “em agosto do ano passado, entregávamos um milhão de envelopes e pacotes e hoje estamos entregando quase três milhões e meio”. “Somos ao redor de 5.500 trabalhadores, dos quais 2,3 mil são carteiros. Os demais trabalham na estrutura, na classificação, no setor administrativo, técnico, nas gerências, uma empresa do Estado que chega a todos os rincões do Chile”, frisou.

“Privatização entregou manjar dos Correios às grandes empresas e deixou Estado com o bagaço", diz Juan Riquelme Varela ao denunciar vazio em regiões pobres

Reprodução
Juan Riquelme Varela, presidente da Federação dos Trabalhadores dos Correios do Chile.

Unicidade sindical

Juan Riquelme apontou que outro ponto-chave a ser defendido na Constituinte ao lado da frente sindical mais ativa é o da unicidade, de modo a garantir um único sindicato por categoria por base territorial. A atual Constituição permite que a partir de 250 pessoas se possa constituir um Sindicato. “Desta forma, basta que estejas contrariado ou que haja uma discussão, uma divisão, que alguém sem base comece uma separação… E cá estamos nós com seis sindicatos de Correios. É muitíssimo”, condenou.

Para o dirigente, “o ideal é que tenhamos um Sindicato por categoria, associadas a uma Federação, associada a uma Confederação, ligada a uma Internacional… A união nos fortalece”.

“Sou atualmente o presidente da Federação dos Trabalhadores dos Correios do Chile e estamos tentando constituir o presidente da Confederação das empresas do estado, que ainda não possuímos. Há muitos problemas burocráticos, pelo ego, pelo poder, por divergências políticas e é preciso superar, pelo bem dos trabalhadores”, assinalou.

Na verdade, essa unidade é chave para conseguir arrancar uma pauta unificada dos constituintes, já que se abre uma perspectiva histórica, apontou, para aprovar um projeto de desenvolvimento e de valorização do trabalho. Entre outras bandeiras, apontou, “estamos lutando para reduzir a jornada de 45 para 40 horas semanais e para dar titularidade às entidades sindicais para que negociem automaticamente — já que atualmente não é assim”.

Questionado sobre a relação da sindicalização com os ganhos reais da categoria, Riquelme comemorou “a boa sindicalização, de cerca de 95%, mas com o problema de que há muitos sindicatos. O bom é que dos seis, quatro estão na Federação. Temos uma negociação coletiva. Como arrancamos o mesmo, é uma estupidez termos tantas entidades”.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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