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ToggleDuas pesquisas de opinião divulgadas nas últimas horas no Chile, coincidiram em assinalar que o presidente Sebastián Piñera tem paupérrimos níveis de aprovação de um só dígito, confirmando o abandono em que se encontra pelo desencanto da situação econômica derivada da pandemia e pela condução do país desde a explosão social de 2019.
A medição da firma TuInfluyes.com marcou 7% de respaldo e 81% de desaprovação ao governante, enquanto o Centro de Estudos Públicos (CEP) vinculado ao grande empresariado direitista, lhe deu 9% de aprovação e 74% de rechaço.
O mínimo apoio social só se compara com os 6% de apoio que ele teve após os piores momentos da crise de governabilidade posterior ao levantamento social de 19 de outubro de 2019.
Segundo os resultados do CEP, Piñera também é castigado na avaliação de personagens políticos, onde fica em último lugar entre 23 nomes, com 11% positivo e 70% negativo.
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De acordo com a TuInfluyes, 72% não têm nenhuma ou pouca confiança na informação oficial sobre a pandemia, 50% asseguram não ter recebido nenhum benefício social; e 45% qualificam sua situação econômica como má ou muito má.
Diario Concepción
O mínimo apoio social só se compara com os 6% de apoio que ele teve após os piores momentos da crise de governabilidade
Solidão política
Os analistas enfatizam a solidão política em que se encontra Piñera, abandonado no Parlamento por sua coalizão Chile Vamos -cujos deputados e senadores votam contra o governo e em coincidência com a oposição -, sem possibilidade de iniciativa e com seu governo afundando, praticamente sem apoio social.
“As pesquisas de opinião estão dando consistentemente um nível de aprovação menos que 10% ao presidente. Nesta ocasião foi 9%. Os últimos eventos deixaram o presidente totalmente sozinho. Nem seus próprios partidos o estão apoiando no Congresso, aprovando leis que vão contra o que ele quer. Sua única possibilidade é estabelecer algum tipo de acordo com a oposição nos temas básicos, como o pacote de ajuda social pela pandemia e um pacote de reforma tributária. O tempo político de Piñera já acabou. Temos eleições em maio e em novembro e não há dúvida que passará como o presidente mais mal avaliado desde o retorno da democracia”, diz Claudio Fuentes, analista político da Universidade Diego Portales.
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O acadêmico faz ver que “a oposição propôs negociar um pacote de ajuda social e reforma tributária”, mas “o problema é que o presidente não quer fazê-lo”.
Tampouco concede possibilidade a uma renovação do governo via reestruturação do gabinete, já que “aqui enfrentamos uma situação na qual o Presidente controla muito a gestão de governo pelo qual não creio que mude muito com uma mudança de gabinete”.
Axel Callís, diretor de TúInfluyes.com, diz que o governo está “afundado”, sem capacidade de iniciativa nem de manobra.
“Quando um governo perde os pilares que lhe dão sustentação à governabilidade, ou seja, suas bancadas parlamentares, seus partidos políticos, seus candidatos presidenciais e agora o Tribunal Constitucional, tecnicamente esse governo está afundado, porque não tem nenhum ponto de apoio para poder governar”.
Da mesma forma, os ministros do Comitê Político, aos quais corresponde conduzir a coordenação e acordos com o Parlamento e com Chile Vamos, demonstram irrelevância porque carecem de qualquer possibilidade de incidência.
Múltiplos golpes
À somatória de golpes que tem recebido Piñera dos seus, agregou-se esta semana o fracasso, próximo ao ridículo, que sofreu no Tribunal Constitucional (TC), bastião ao qual tradicionalmente pede ajuda à direita para bloquear leis que lhe desagradam.
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Agora recorreu para impedir que uma “reforma constitucional transitória” aprovada esmagadoramente, permitisse aos poupadores de aposentadoria efetuar uma terceira retirada de 10% de seus fundos.
O TC, por sete votos a três, nem sequer acolheu a tramitação da petição, descartando-a em duas horas, assinalando que havia erros de forma em sua redação.
A desafeição pelo mandatário continua se manifestando: agora seus parlamentares, em coincidência com os opositores, estão procurando legislar uma reforma tributária que grava os ricos e reduz o Imposto ao Valor Agregado a certos bens de consumo essenciais, invadindo assim o poder presidencial de ter iniciativa exclusiva em matérias de imposto, gasto fiscal e seguridade social.
Na prática, para muitos, quem governa é o Parlamento.
Aldo Anfossi, especial para La Jornada desde Santiago do Chile
La Jornada, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.
Tradução: Beatriz Cannabrava
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