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CIA, Mossad e governo colombiano: os vários vírus de Trump contra Venezuela

Os Estados Unidos ofereceram um prêmio de 15 milhões de dólares pela vida de Nicolás Maduro e outros membros do governo bolivariano da Venezuela
Paulo Cannabrava Filho
Diálogos do Sul Global
São Paulo (SP)

Tradução:

O presidente Nicolás Maduro repudiou energicamente as acusações do governo dos Estados Unidos vinculando o alto mando do país ao narcotráfico. Falando à imprensa no Palácio Miraflores recordou que o país tem o recorde no combate ao tráfico nos últimos 15 anos, desde que expulsou do país os agentes da DEA -a agência oficial dos EUA de combate às drogas.

O presidente revelou que é precisamente a DEA, operando da Colômbia, que está dirigindo o grupo de mercenários com o desertor Cliver Alcalá, que pactuado com Juan Guaidó realiza ataques militares na fronteira.

Após qualificar de extravagantes e extremistas as acusações do governo de Donald Trump, Maduro sublinhou que foi na Colômbia que se formou um narcoestado.

A questão da Venezuela é bastante complexa. Não se pode considerar como um conflito entre dois países -Venezuela e Colômbia- estimulado pelos Estados Unidos interessados em derrubar o regime bolivariano. A desigualdade do confronto é imensurável.

Os Estados Unidos ofereceram um prêmio de 15 milhões de dólares pela vida de Nicolás Maduro e outros membros do governo bolivariano da Venezuela

Brasil 247 / Montagem
Trump versus Maduro

Vamos aos fatos

Estados Unidos ofereceu um prêmio de 15 milhões de dólares pela vida de Nicolás Maduro e de outros membros do Governo. A coisa se torna feia. Maduro que se cuide porque esse é o preço que cobram para esse tipo de ação terrorista os assassinos profissionais, hoje trabalhando para empresas de inteligência terceirizadas. 

O serviço de inteligência de Israel, o Mossad se tornou “respeitado” em todo o mundo como caçador e assassino de pessoas. Começou com a caçada aos nazistas que haviam escapado depois da derrota do 3º Reich. Depois se dedicou a caçar terroristas e mais recentemente cientistas, líderes de governos que consideram hostis e a aceitar contratos de serviços para terceiros.

Segundo denunciou o presidente do Partido Socialista Unido, Júlio Chávez, os campos de treinamento de mercenários na fronteira estavam a cargo da Daincorp, uma empresa anglo-israelense especializada, formada por ex-agentes do Mossad e pagos para fazer o serviço sujo. 

A vinculação do Mossad e da CIA com o narcotráfico é muito antiga. Para não estender muito, vale lembrar que foi um coronel israelense, do Mossad, que treinou os grupos paramilitares que até hoje atormentam a vida dos colombianos. A pretexto de combater as guerrilhas se tornaram os principais agentes do tráfico de cocaína. 

Na época em que reinavam Pablo Escobar (o maior produtor e traficante) e o clã Uribe (Alvaro Uribe presidente da República), esse consórcio era responsável por 80% da cocaína que ingressava nos Estados Unidos.

Não se pode deixar de mencionar tampouco o episódio que ficou na história como Irã/Contras, que envolveu a CIA e o Mossad, com autorização do presidente Estados Unidos, negociado com armas e dinheiro em abundância para os mercenários que combatiam os vitoriosos guerrilheiros da Frente Sandinista na Nicarágua. 

Esses são só alguns dos episódios mais escandalosos. Mas podemos estar seguros de que há milhares de casos com esses serviços de inteligência praticando contrabando, tráfico de drogas, venda de armas, assessoramento e treinamento de terroristas ou de agentes de segurança para governos, ou empresas e até mesmo o tráfico de crianças para milionários pedófilos.

Os Estados Unidos mantinham, até há pouco tempo, uma dúzia de bases militares na Colômbia. Hoje são oito. Pode reduzir o número em virtude dos avanços tecnológicos de comunicação e informação. Quantos soldados ianques estão nessas bases?

Além disso, EUA convenceu o Estado colombiano a ser membro da OTAN – a Organização do Tratado do Atlântico Norte, criada no pós 2ª Guerra. Amparado nesse tratado, os Estados Unidos mantêm bases militares em praticamente todos os países da Europa Ocidental e, depois da queda do Muro de Berlim também em alguns países da Europa Oriental. Então, é uma coalizão militar de países que está pressionando a Venezuela Bolivariana.

Como se isso não fosse suficiente, registre-se a forma como os serviços de inteligência de Israel estão operando na Colômbia há pelo menos 50 anos. Agem muitas vezes sozinhos, mas sempre de forma coordenada com os serviços secretos dos Estados Unidos e do Reino Unido: CIA e MI-6.

As bases de treinamento na fronteira

A atual radicalização do governo Trump é consequência do fato de que há alguns meses, os serviços de inteligência e o Exército bolivariano desbarataram um grupo de mercenários dedicados ao narcotráfico e à desestabilização da Venezuela. Nesse episódio revelaram fotos em que aparecem juntos o auto nomeado Juan Guaidó e um dos chefes desse bando. 

Soma-se a isso a recente captura, pela polícia colombiana, de um arsenal composto por fuzis de assalto e outros apetrechos, em mãos de um desertor venezuelano, Cliver Alcalá, que confessou ter firmado um contrato com Guaidó e um funcionário estadunidense para o fornecimento de armas para a “libertação do país”.

O Ministério Público abriu investigação contra Juan Guaidó por sua participação nesse novo plano de desestabilização em sociedade com Cliver Alcalá. O Promotor Tarech Willian Saab, esclareceu que “esta tentativa de golpe de Estado teria sido planejada na República da Colômbia com o apoio de assessores estadunidenses e com dinheiro roubado ao Estado venezuelano. 

Como parte do plano, no resguardo que lhe oferecem aos autoridades colombianas, Alcalá teria organizado menos três acampamentos em localidades do país vizinho para treinar grupos de assalto. O plano foi frustrado ao ser detido em Santa Marta (Colômbia), no passado 23 de março, um carregamento de armas que ingressaria ilegalmente na Venezuela pelo estado Zulia.

Repercussão – A ONU se manifesta

Colocar as questões políticas e de hegemonia antes das questões humanitárias poderá trazer drásticas consequências que ainda não é possível avaliar. A rapidez com que se dissemina o vírus, que nós chamamos de Vírus do Trump, e a multiplicação do número de mortes está provocando reações de todo tipo. 

Na quarta-feira 25, o secretário geral das Nações Unidas, António Guterres, lançou um plano coordenado de resposta humanitária mundial por um valor de 2 bilhões de dólares que servirá para lutar contra o Covid-19 em alguns dos países mais vulneráveis do mundo. 

Para as Nações Unidas, nas palavras de seu secretário geral, é essencial trabalhar pelos grupos mais vulneráveis para que não fiquem para trás. Os mais vulneráveis – as mulheres e as crianças, as pessoas com deficiências, as pessoas marginadas e deslocadas – pagam o preço mais elevado e, além disso, são os que têm um maior risco de sofrer devastadoras perdas pelo Covid-19.

O plano humanitário busca proteger milhões de pessoas e evitar que o vírus volte a se espalhar por todo o planeta. 

Após matar mais de 19.000 personas em todo o mundo e com mais de 400.000 casos notificados, o vírus está presente em todo o mundo e, nestes momentos, está chegando a países que previamente se enfrentavam a crises humanitárias devido a conflitos, desastres naturais e mudança climática. 

Na contramão do ideário de Trump, a ONU determinou que a Venezuela necessita atenção prioritária devido a fatores como a escassez de medicamentos, insumos médicos e serviços básicos. 

Assim também a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet exortou a que as sanções setoriais de amplo espectro que são aplicadas a países que enfrentam a pandemia do coronavírus, como Cuba e Venezuela, devem ser reavaliadas de maneira urgente. “É fundamental que seja evitado o colapso dos sistemas de saúde nacionais, considerando a explosiva repercussão que isso poderia ter um termos de morte, sofrimento e ampliação do contágio”, expressou em um comunicado oficial.

Em um contexto de pandemia mundial, as medidas que obstaculizam o atendimento médico em qualquer país incrementam o risco que todos afrontamos. As isenções humanitárias anexas às sanções deveriam ser aplicadas de maneira mais ampla e eficaz, mediante a autorização rápida e flexível de fornecer equipamentos e material médico.

Fernández quer reunir a Celac

Em Buenos Aires, o presidente argentino Alberto Fernández pediu, em meio à luta contra o Covid-19, que seja levantado o bloqueio contra Cuba e Venezuela. “Diante de uma pandemia temos que nos ocupar desses povos que por uma decisão política de alguém estão submetidos a um bloqueio que não lhes deixar chegar nem comida, nem remédios”. 

“Aqui não se trata de uma questão política, é uma questão humanitária […] nessas coisas sou muito decidido, não há direitos para meus amigos nem para meus inimigos, todos os países têm o direito de viver bem e sadios”. Fernández disse que fez essa exortação no reunião do G-20 e que convocará a Celac para tratar do tema da segurança sanitária.

“Temos que revisar a forma como funciona o mundo e pensar se não temos que gerar um sistema mais igualitário para que todos tenham acesso aos bens e serviços básicos”, concluiu o presidente. 

No México, o diário La Jornada qualificou de “delirante e grotesca” as acusações de Trump. E não é para menos. O único objetivo dos EUA é apoderar-se do petróleo, do ouro e de outros minerais do rico subsolo venezuelano. 

Para o dirigente do PT, Alberto Anaya, que com o Morena apoia o governo de Lopes Obrador, “não falamos de algo novo que queiram levar a cabo, não os Estados Unidos, mas sim o governo de Trump e os monopólios petroleiros. É um golpe de Estado como fizeram em outros países, como Panamá, Líbia, Iraque e o mais recente, na Bolívia”. 

Paulo Cannabrava Filho é jornalista e editor da Diálogos do Sul

*Com informações de telegramas da Prensa Latina datados em Bogotá, Caracas, Buenos Aires e Washington

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Paulo Cannabrava Filho Iniciou a carreira como repórter no jornal O Tempo, em 1957. Quatro anos depois, integrou a primeira equipe de correspondentes da Agência Prensa Latina. Hoje dirige a revista eletrônica Diálogos do Sul, inspirada no projeto Cadernos do Terceiro Mundo.

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