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Cidadania, Justiça e Liberdade, onde?

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

Junta-se texto e fotos. Um+um. E o que temos são fatos mais que preocupantes! Vive-se um clima de guerra civil no Rio de Janeiro! É isso, e ponto. Temos que encarar a realidade para resolve-la. Cidadania, Justiça e Liberdade, onde?

*Leonardo Soares dos Santos

awebic-ocupacao-favelas-35A mesma iniciativa que na Venezuela é vista como um golpe contra a cidadania e os valores democráticos, é tida e havida na mais nova ocupação militar das favelas do Rio como expressão do mais desbragado comprometimento com a … cidadania e os valores democráticos.

As forças armadas ocupam novamente algumas das favelas cariocas, com armas em punho, com escopetas apontadas indiscriminadamente para as cabeças dos seus moradores. Mais uma vez se consagra a idéia de que os moradores pretos e favelados devem ser alvos ou de políticas públicas pobres (e de quinta categoria, posto que voltada para cidadãos de segunda classe) ou de repressão armada direta. Pois só assim para esse povinho se colocar no seu lugar. É essa a política que resolve a situação desse tipo de raça.

awebic-ocupacao-favelas-20E escola? Cadê hospital, posto de saúde, coleta de lixo, esgoto, água potável, banco, correios, segurança, teatro, cinema, biblioteca? Cadê a cidadania? Cadê a Justiça? Cadê a Liberdade? Cadê o Estado de Direito? Cadê os direitos? Cadê Amarildo?

Mas vocês só podem estar brincando? – assim indagaria o pasquim da Família (da Zona Sul) Com Deus.

É muito estranho, para um jornal com esse tipo de mentalidade, que algumas  categorias sociais (e raciais) possam ter a audácia de querer algo mais do que um prato de comida e uma cama para descansar o esqueleto.

Política pública e social não é para qualquer um. Política para pobre, a verdadeira, a mais eficaz, é aquela que se baseia no poder do fuzil e no peso de tanques e “caveirões”. E nada mais. Se na pátria de Maduro tal iniciativa é abominada, aqui, ela é prontamente festejada pelo pasquim e seus companheiros de quadrilha midiática.

awebic-ocupacao-favelas-24As ações militares que subjugam e impõem medo aos cidadãos são apresentadas como a reação necessária das forças de segurança contra os “inimigos” da paz, da cidade e dos cidadãos decentes.

Mas se olharmos com mais atenção, vamos perceber que, longe de incoerente, o pasquim faz uso de um argumento de uma lógica impecável, de uma coerência cartesiana: a democracia no mundo é perfeita, o que estraga é a droga do pobre! Tanto aqui como na Venezuela.

 

*Leonardo Soares dos Santos é professor de História da UFF.

 

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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