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Colômbia: Petro indicado ao Nobel da Paz é reconhecimento aos esforços pela "paz total"

“Celebro que em todas as partes do mundo vejam em nosso presidente uma referência”, afirmou o congressista David Racero, do Pacto Histórico
Jorge Enrique Botero
La Jornada
Bogotá

Tradução:

A postulação do presidente Gustavo Petro ao Prêmio Nobel da Paz desatou uma forte polêmica na Colômbia, justamente no momento em que a equipe ministerial passa pela renúncia de Jorge Iván González, chefe de um dos organismos com mais peso no Executivo: o Departamento Nacional de Planejamento (DNP).

Petro agradeceu a Rasmus Hansson, deputado pelo Partido Verde do parlamento norueguês, por ter o nomeado ao Nobel, e assegurou em sua conta no X: “Seguiremos com tudo pela paz da Colômbia”. Segundo Hansson, “Petro promove uma política de paz criadora, moderna e integral”. 

O governo tem abertas duas mesas de negociação com grupos armados irregulares – o Exército de Libertação Nacional e as dissidências das FARC – parte dos esforços da estratégia denominada Paz Total com a qual busca pôr fim definitivo a mais de seis décadas de confronto armado.

Porta-vozes da oposição consideraram que a postulação contrasta com as cifras de violência registradas no país mesmo após Petro assumir a presidência, em agosto de 2022: “137 massacres e 124 assassinatos de líderes sociais… Nobel da Paz?”, perguntou a senadora do Centro Democrático Maria Fernanda Cabal.

Por sua vez, o congressista David Racero, do oficialista Pacto Histórico, expressou que a indicação é um reconhecimento aos esforços do governo: “Celebro que em todas as partes do mundo vejam em nosso presidente uma referência pela paz neste período de crise civilizatória”.


Ventos de crise ministerial

Tanto a nominação ao Nobel como o debate que suscitou, ficaram, no entanto, em segundo plano ante o assomo de uma eventual movimentação ministerial, gerada após Petro fazer reclamações públicas e privadas ao seu gabinete sobre os baixos índices de execução do orçamento, e também pela persistência de agudos problemas sociais que considera inadmissíveis após 18 meses do início de seu mandato.

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“Celebro que em todas as partes do mundo vejam em nosso presidente uma referência”, afirmou o congressista David Racero, do Pacto Histórico

Foto: Gustavo Petro / Facebook
Gustavo Petro na cidade de Ibagué, no marco do encerramento anual do setor solidário

Apesar de o escritório de imprensa da presidência ter emitido um lacônico comunicado para “evidenciar que no Conselho de Ministros, realizado na quarta-feira (31), na Casa de Nariño, o presidente Petro não solicitou a renúncia de seu gabinete”, o país despertou na quinta-feira com a notícia de que o chefe de Planejamento Nacional, Jorge Iván González, renunciou ao seu cargo, considerado vital para a execução do Plano Nacional de Desenvolvimento – uma espécie de plano de navegação de todos os governos.

Em declarações à mídia local, analistas políticos comentaram que, mesmo que Petro não tivesse pedido a renúncia de seus ministros, é tal a tensão existente no gabinete diante da inconformidade do presidente que vários puseram sobre a mesa sua disposição para renunciar. 

Os rumores sobre uma nova movimentação no executivo começaram durante a viagem feita pelo presidente, com todos os seus ministros, pelo litoral pacífico, onde o chefe de Estado pôde constatar que as condições de atraso, sobretudo em matéria de serviços públicos, não haviam experimentado nenhuma mudança em um ano e meio de governo.

Em público, ante milhares de pessoas, Petro chamou a atenção dos funcionários, que deveriam ter executado obras para melhorar a qualidade de vida das comunidades negras destas regiões historicamente esquecidas e abandonadas à sua própria sorte pelo Estado. 

O primeiro abalo ministerial do atual governo foi produzido em fevereiro do ano passado, seguido por outro, de maiores proporções, no mês de abril, depois que uma frágil coalizão de partidos, que inicialmente apoiou o governo, foi dissolvida em meio ao debate parlamentar.

Não são poucas as vozes dentro do Pacto Histórico que vêm pedindo por uma equipe de governo mais comprometida com a agenda de reformas sociais que levou Petro à presidência.

Jorge Enrique Botero | La Jornada, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul.
Jorge Enrique Botero Jornalista, escritor, documentarista e correspondente do La Jornada na Colômbia, trabalha há 40 anos em mídia escrita, rádio e televisão. Também foi repórter da Prensa Latina e fundador do Canal Telesur, em 2005. Publicou cinco livros: “Espérame en el cielo, capitán”, “Últimas Noticias de la Guerra”, “Hostage Nation”, “La vida no es fácil, papi” y “Simón Trinidad, el hombre de hierro”. Obteve, entre outros, os prêmios Rei da Espanha (1997); Nuevo Periodismo-Cemex (2003) e Melhor Livro Colombiano, concedido pela fundação Libros y Letras (2005).

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