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Colonização do espaço: empres´ários promovem nova corrida espacial com turismo milionário

O diretor do Programa Mundial de Alimentos da ONU enviou um tuíte convidando os 3 multimilionários espaciais para que juntos oferecessem os 6 bilhões de dólares requeridos para resgatar 41 milhões de pessoas que estão morrendo de fome
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

Três multimilionários estão competindo para ser os primeiros turistas privados espaciais. O cavalheiro Richard Branson foi o primeiro a fazê-lo no domingo (11), Jeff Bezos irá no dia 19 e Elon Musk se somará à aventura pouco depois. 

Branson, fundador das empresas do Grupo Virgin e multimilionário com uma fortuna de mais de 6 bilhões de dólares, informou que com isto se inaugura o novo negócio de turismo espacial. Qualquer um pode se candidatar — a passagem custa só 250 mil dólares e sua lista de espera é de mais de 600 turistas. 

Bezos, fundador da Amazon e agora o homem mais rico do planeta, com uma fortuna pessoal de mais de 190 bilhões de dólares (em um só dia sua fortuna teve um aumento de 8 bilhões de dólares) e cuja fortuna se multiplicou em mais de 74% durante a pandemia, viajará ao espaço em uma semana como o primeiro passageiro de sua empresa Blue Origin com outros três convidados, incluindo um quarto passageiro anônimo que pagou 28 milhões em um leilão para obter o assento. 

Se hoje alguém comprasse na Amazon algo que custa 10 dólares, estaria pagando mais do que todos os impostos que Bezos pagou em três dos anos recentes nesta última década. E ainda mais, ele e seus colegas do clube dos 1%, quando pagaram impostos, o fizeram com uma taxa menor que a que paga uma professora e uma secretária — e legalmente.

Musk, multimilionário com uma fortuna pessoal de uns 172 bilhões, fundador da empresa de carros elétricos Tesla, será o último do trio de “barões multimilionários espaciais” com sua empresa SpaceX.

O diretor do Programa Mundial de Alimentos da ONU enviou um tuíte convidando os 3 multimilionários espaciais para que juntos oferecessem os 6 bilhões de dólares requeridos para resgatar 41 milhões de pessoas que estão morrendo de fome

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Uma passagem custa apenas 250 mil dólares e sua lista de espera é de mais de 600 turistas

Fome, indocumentados, essenciais e clima

Tudo isto enquanto 42 milhões nos Estados Unidos não têm suficiente alimento, outros milhões temem serem despejados por não poder pagar o aluguel depois de mais de um ano de crise econômica detonada pela pandemia, e muitos dos 600 mil que morreram de Covid foram vítimas de um sistema de saúde pública destruído pelo neoliberalismo.

Sem falar dos trabalhadores essenciais — grande parte deles imigrantes — que mesmo depois de literalmente resgatar este país só recebem discursos bonitos, mas continuam sendo mal pagos, e os indocumentados sem poder receber assistência pública de qualquer tipo. E agora, ardem partes do país devido à mudança climática. 

Caras conhecidas

Essas são as caras mais conhecidas do que é agora a oligarquia estadunidense, onde 1% concentra mais riqueza que 90% dos demais.

Só durante o ano e pouco de pandemia, os 719 multimilionários mais ricos incrementaram suas fortunas em mais de 1,6 trilhões para chegar a um total de 4,6 trilhões.

“Aqui na Terra, no país mais rico do planeta, a metade da nossa gente vive quinzena a quinzena, batalhando para alimentar-se, para ver um médico — mas eles, os tipos mais ricos do mundo estão no espaço”, comentou este domingo o senador Bernie Sanders.

Fome e os extraterrestres

O diretor do Programa Mundial de Alimentos da ONU, David Beasley, enviou via tuíte um convite aos três multimilionários espaciais para que juntos oferecessem os 6 bilhões de dólares requeridos para resgatar 41 milhões de pessoas que estão morrendo de fome no planeta. Aparentemente estavam muito ocupados jogando com suas fortunas astronômicas para responder.

Falando do espaço, o famoso astrofísico Neil de Grasse Tyson, ao comentar sobre outra onda de especulação sobre a existência de seres extraterrestres que visitaram o planeta, afirmou que “extraterrestres, observando os humanos matarem por terra, política, religião e recursos, seguramente perguntariam ‘que merda acontece com vocês?’.

Depois disso, regressariam ao seu planeta para declarar que não há sinais de vida inteligente na Terra”.  

Joe Cocker | Space Captain

David Brooks, colaborador de La Jornada em Nova York

La Jornada, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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