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Com iminente derrota, Bolsonaro e cúpula militar simulam clima de guerra e instabilidade

É falsa a ideia de uma “crise institucional”, de um conflito real entre os poderes de Estado, como provocado por Bolsonaro e seus dirigentes fardados

Jeferson Miola
Jeferson Miola
Porto Alegre

Tradução:

Com o desnudamento da farsa da Lava Jato e dos crimes perpetrados contra o ex-presidente Lula pelo então juiz Sergio Moro e sua gangue integrada por comparsas do MP, da PF e do judiciário, a cúpula militar se deparou com um obstáculo praticamente intransponível para a continuidade do seu projeto de poder.

Esta cúpula militar que transformou as Forças Armadas numa milícia partidária acreditava que, como desta vez tomou o poder “pela via democrática-eleitoral” [sic], conseguiria permanecer no comando do país por muitos anos. No entanto, a restituição dos direitos políticos do ex-presidente Lula, em março de 2021, causou um abalo sísmico nessas pretensões.

27e5aa45 813b 4f57 b7db cb2e21b0626cA popularidade do governo militar já estava fortemente desgastada pelo desastre econômico, corrupção, disparada da inflação, desemprego, miséria, isolamento internacional e também devido à atuação irresponsável e criminosa na pandemia. Com Lula no cenário, o desgaste do governo aumentou enormemente e o horizonte de poder dos militares ficou comprometido.

É falsa a ideia de uma “crise institucional”, de um conflito real entre os poderes de Estado, como provocado por Bolsonaro e seus dirigentes fardados

Wikimedia
O projeto de poder dos militares não tem viabilidade em contextos democráticos e de estabilidade político-institucional

O projeto de poder dos militares não tem viabilidade em contextos democráticos e de estabilidade político-institucional. Para se reproduzir e se manter, precisa de um “ecossistema” conturbado, tumultuado e plasmado por mentiras, truculência e confusões.

Por isso produzem uma hibridização da política entre a distopia e a realidade. Com jogos diversionistas, encenações e táticas de dissimulação, convertem a arena da política em teatro de operações de guerra.

A cúpula militar, em especial o Alto Comando do Exército, arquitetou a eleição do Bolsonaro em 2018 num contexto com estas características de guerra híbrida. E desde 1º de janeiro de 2019 vem desgovernando o país num ambiente de sobressaltos, incertezas e ameaças permanentes.

É falsa a ideia de uma “crise institucional”, de um conflito real entre os poderes de Estado. O que existe, na realidade, é tensão e desestabilização constante provocada unilateralmente por Bolsonaro e dirigentes fardados.

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Os poderes da República não estão se digladiando nos termos em que eles tentam aparentar. O que ocorre, na realidade, são investidas unilaterais, metódicas e sistemáticas do Bolsonaro e dos generais contra o STF e o TSE. Com este padrão, geram impasses e deixam o país permanentemente em suspenso e em pânico.

Esse diversionismo é estratégico, além de conveniente. Desse modo, desviam a atenção do desastre governamental e da trágica realidade do país. E, ainda mais importante: criando um clima de guerra, de instabilidade e caos, buscam se legitimar como garantidores da democracia e da ordem em razão da “desordem” causada por eles mesmos “ver aqui: Crise institucional ou caos programado?“.

A intensificação dos ataques ao STF e ao TSE nas últimas semanas, assim como a retomada das ameaças de tumultuarem a eleição, fazem parte deste método/plano.

Com a tendência de vitória eleitoral do ex-presidente Lula em outubro, Bolsonaro e os militares passam a ter como única opção promoverem a guerra política, o caos e a balbúrdia. Porque as condições para conseguirem emplacar uma ruptura institucional já foram menos dificultosas que são hoje.

Bolsonaro e os militares não têm absolutamente nenhum compromisso com a democracia, com o país e com a população brasileira. Diante da derrota, deixarão para trás um rastro de destruição e uma terra arrasada. Apostam no caos.

A impunidade de Donald Trump e dos autores intelectuais do atentado terrorista ao Capitólio, o Congresso dos EUA, é um exemplo estimulante para as pretensões presentes e futuras da extrema-direita brasileira.

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Trump hoje exerce uma influência crescente, domina o Partido Republicano – classificado por muitos autores como um partido que ameaça a democracia –, e tem chances consideráveis de se eleger novamente à presidência dos EUA em 2024.

Bolsonaro aposta que repetindo a fórmula trumpista de guerra permanente se cacifa para liderar, a partir de 1º de janeiro de 2023, a oposição mais encarniçada e mais truculenta jamais vista na história do Brasil. Para isso, não faltarão as milícias clandestinas e as “milícias institucionais” – ambas fortemente armadas.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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