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Com início de sessões públicas, impeachment de Trump chega a nova fase nos EUA

O epicentro das acusações feitas pelos democratas é que republicano abusou de seu poder ao pressionar a Ucrânia para interferir no processo eleitoral de 2020
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

É apenas a quarta ocasião na história deste país que um presidente se encontra sob investigação pelo Congresso para avaliar e formular denúncias que mereçam sua destituição, ou impeachment. Ontem (13) começaram as audiências públicas na Câmara de Representantes onde o confronto político entre democratas e republicanos, com severas consequências para ambos, foi um espetáculo nacional ao vivo.

Depois de sete semanas de audiências a portas fechadas diante de três comitês da câmara baixa – controlada pelos democratas – as primeiras sessões públicas serão realizadas diante do Comitê de Inteligência aonde nesta semana já foram três diplomatas de carreira que, em suas sessões privadas com legisladores, corroboraram algumas das versões que implicam Trump em abuso de seu poder executivo.

O epicentro das acusações feitas pelos democratas é que Trump abusou de seu poder ao pressionar um poder estrangeiro – neste caso a Ucrânia – para interferir no processo eleitoral de 2020 anunciando investigações contra Joe Biden, rival político de Trump como pré-candidato democrata, e seu filho, e contra o Partido Democrata.

Embora grande parte da informação e dos depoimentos a portas fechadas sejam conhecidos, com as audiências públicas os estadunidenses poderão ver e ouvir as vozes das testemunhas que nutriram a narrativa democrata sobre as violações cometidas por Trump, junto com as versões e talvez testemunhas apresentadas pelos republicanos para desqualificar tudo isso.

As regras dizem que ambos os lados poderão participar e interrogar as testemunhas – mas os democratas, como maioria, são os que têm a última palavra sobre quem convocar como testemunha e como proceder.

Ao final desta fase, o Comité de Inteligência conclui suas sessões com um informe que transfere para o Comitê Judicial. Esse comitê avaliará a evidência e oferecerá à representação da Casa Branca a oportunidade de apresentar sua defesa, enquanto determina a formulação de denúncias que possam levar à destituição do presidente.

Esse processo é finalizado com a votação da aprovação das denúncias, chamadas de “artigos de impeachment”, pelo plenário da câmara baixa e seu envio ao Senado, que funcionará como tribunal para o julgamento político. 

O epicentro das acusações feitas pelos democratas é que republicano abusou de seu poder ao pressionar a Ucrânia para interferir no processo eleitoral de 2020

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Trump é alvo de um processo de impeachment por abuso de poder

A decisão de começar as sessões públicas indica que a liderança democrata confia que já conta com suficiente evidência para proceder à formulação de múltiplas denúncias graves, e aposta que as imagens do processo transmitidas ao vivo provocarão memórias de Watergate.

Os republicanos continuarão desqualificando o processo e atacando a credibilidade dos mensageiros, ao continuar argumentando que isso é só um “show” político parcial montado por inimigos de um presidente que insiste em que fez tudo “perfeito” e que é o mandatário “mais transparente” jamais visto.

E tem mais, nesse momento têm a certeza de que se Trump for formalmente acusado, será absolvido pelo Senado, onde se realiza o julgamento político, que está sob o controle da maioria republicana.

De fato, alguns estrategistas e o próprio presidente apostam que se o processo culminar com a absolvição, isso beneficiará a campanha de reeleição ao demonstrar que Trump triunfou sobre a “caça às bruxas” lançada pelo democratas.

No entanto, a investigação, juntamente com o comportamento sempre caótico de Trump, está gerando conflitos que poderiam minar as lealdades dentro de seu próprio círculo, com alguns possivelmente abandonando o barco se parecer que pode afundar. De fato, já progride a paranoia entre alguns, com preocupações sobre conflitos com ex-assessores como John Bolton, Steve Bannon, ou conflitos internos entre o chefe do gabinete e o advogado da Casa Branca, sem falar das relações com figuras corruptas do advogado pessoal de Trump, Rudolph Giuliani.

Em todo espetáculo ao vivo, mesmo com coreografias muito ensaiadas e sofisticada, costuma haver surpresas.

*David Brooks, Correspondente – La Jornada em Nova York.

**Tradução: Beatriz Cannabrava

***La Jornada, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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