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Com menores taxas de contágio do continente, Venezuela estende quarentena por 30 dias

Nicolás Maduro prorrogou estado de Alerta Nacional, mantendo fronteiras fechadas e funcionamento de serviços essenciais
Michele de Mello
Brasil 247
Blumenau

Tradução:

O presidente venezuelano Nicolás Maduro anunciou, no último sábado (11), que prorrogará o estado de Alerta Nacional em todo o território por mais 30 dias. A decisão inclui quarentena para todo o país, com exceção dos serviços considerados essenciais, como: saúde, segurança, supermercados e telecomunicações. Também estende o período em que as fronteiras do país permanecerão fechadas. 

Foram registrados 181 infectados pelo novo coronavírus, nove falecidos e 93 recuperados da doença, totalizando uma taxa de 53% de cura. Para conter o avanço da doença, o governo bolivariano recebeu aviões com toneladas de equipamentos médicos, testes de diagnósticos e ajuda humanitária da China, Rússia, Organização Mundial da Saúde e Organização Pan-Americana de Saúde. Além de contar com equipes de especialistas chineses e cubanos, apoiando os profissionais de saúde venezuelanos.

O presidente Nicolás Maduro afirmou durante transmissão em cadeia nacional, no último sábado (11), que não há contradição entre produtividade e saúde. “Estou atento à questão econômica. Para a economia pós pandemia será fundamental um mercado petroleiro estável, com um preço do barril justo e estável para que o mundo financeiro tenha como encontrar recursos para a recuperação econômica”, afirmou o chefe de Estado.

Nicolás Maduro prorrogou estado de Alerta Nacional, mantendo fronteiras fechadas e funcionamento de serviços essenciais

Twitter oficial Nicolás Maduro / Reprodução
Até 11 de abril, a Venezuela havia realizado 181.335 testes de diagnósticos da covid-19, posicionando-se em primeiro lugar no ranking

Prevendo o estancamento da economia  e os riscos para a classe trabalhadora, o governo bolivariano se comprometeu a pagar os salários tanto do serviço público, como das médias e pequenas empresas do setor privado durante seis meses. 

Apesar de ser um país bloqueado pelos Estados Unidos e pela União Europeia, a Venezuela conseguiu aplanar a curva de contágio em todo o território nacional. 

Até 11 de abril, a Venezuela havia realizado 181.335 testes de diagnósticos da covid-19, posicionando o país em primeiro lugar no ranking de aplicação de provas rápidas nas nações latino-americanas, com uma média de 6.045 testes para cada milhão de habitantes. Seguido do Peru com 2.116, Equador com 1.284, Colômbia com 783, enquanto o Brasil aplicou 305 provas para cada milhão de habitantes. 

A diferença da densidade demográfica de cada país é grande. A Venezuela tem uma população de cerca de 30 milhões de habitantes, no entanto, é o único país da lista onde todos os diagnósticos são feitos pela rede pública de saúde, de maneira totalmente gratuita. Além disso, enquanto o Brasil possui uma média de 104 infectados por cada milhão de habitantes, os venezuelanos possuem apenas seis contaminados.

Hospital é instalado na autopista “Troncal do Caribe”, que corta Colômbia e a Venezuela, na região norte de ambos países. / Panorama Venezuela

A OMS também elogiou o uso da tecnologia como aliada no combate à pandemia na Venezuela. Através do Sistema Pátria – uma plataforma online pela qual os cidadãos têm acesso a programas sociais – foi ativada, ainda no dia 14 de março, uma pesquisa com perguntas e respostas sobre a doença. Com mais de 17 milhões de respostas, por meio do sistema de big data, o Estado descartou 111 mil casos suspeitos e direcionou visitas de equipes de saúde primária a 92 mil casas.

Ainda no fim de semana, a vice-presidenta executiva, Delcy Rodríguez divulgou que a Venezuela iria compartilhar parte das doações recebidas de testes rápidos de diagnóstico para outras nações caribenhas, como: São Vicente e Granadinas, Antígua e Barbuda, Dominica e Granada. 

Repatriados 

O governo venezuelano também afirmou que espera o retorno de 15 mil cidadãos vindos da Colômbia, Peru e Equador. Além de estabelecer uma barreira sanitária nas fronteiras terrestres, examinando cada pessoa que entra no território nacional, o Executivo venezuelano instalou um laboratório móvel de bioanálise no estado Táchira, fronteira com a Colômbia. Assim os testes do tipo PCR, que demoram cerca de 4 horas para obter o resultado poderão ser verificados ainda na fronteira, ao invés de ser enviados à Caracas.

Já ao norte do país, no estado Zulia, também fronteiriço com a Colômbia, o governador Omar Prieto (PSUV) anunciou a instalação de um hospital de campanha no município de Mara, região do deserto de La Guajira, com capacidade para atender 4 mil pessoas, destinado a atender pacientes venezuelanos com suspeita ou infectados pela covid-19 que venham do Equador, Colômbia e Peru.

No estado Carabobo, uma das quatro regiões venezuelanas que não registraram nenhum contaminado, 18 venezuelanos repatriados foram isolados na Vila Olímpica de Naguanagua – estrutura poliesportiva que foi adaptada como um hospital de campanha com capacidade para atender 400 pessoas.

Venezuelanos repatriados são recebidos por equipes médicas nos hospitais de campanha instalados pelo território nacional. / Governo de Carabobo

Enquanto isso, a companhia aérea estatal Conviasa criou uma cabine de isolamento para trasladar até 12 pacientes com covid-19. A empresa tem realizado os vôos do Plano Vuelta a La Patria, disponibilizados pelo Estado venezuelano para repatriar cidadãos que desejam retornar ao país, fugindo da pandemia ou de dificuldades financeiras. Na última semana, 134 pessoas puderam retornar dos Estados Unidos através de um voo humanitário da Conviasa que saiu da cidade de Toluca, México.

Por conta do bloqueio, a Venezuela não pode estabelecer uma ponte aérea direta com os Estados Unidos, mais de 300 pessoas ainda esperam pela permissão de voo para poder retornar ao seu país.

Edição: Rodrigo Chagas


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Michele de Mello

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