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Com objetivo de ganhar tempo, Bolsonaro e Guedes precisam do caos para chegar a 2022

O que está em jogo é a defesa do capital pelo capital. Confrontar e vencer esta opção a favor das maiorias pobres, constitui uma necessidade para o Brasil
Rafael Hidalgo Fernández
Diálogos do Sul
Havana

Tradução:

A Covid-19 fez explodir, ao mesmo tempo, todas as crises latentes na sociedade brasileira e, de maneira particular, aquelas associadas ao seu sistema político. A “desordem” geral que continua causando, desafia por igual a todos os atores da política nacional e suas respectivas bases sociais. 

Repete-se uma e outra vez a pergunta: que país será, após a pandemia, o Brasil que se transformou em um dos Estados mais respeitados por suas ações de paz e cooperação internacional, assim como por suas conquistas na luta contra a pobreza herdada e em outras esferas do desenvolvimento social, entre 2003 e 2016?

Como fator conjuntural, a Covid-19 pôs à prova a correlação de forças de grandes tendências sociopolíticas[i] na qual ficou claramente configurada a sociedade, após a multidimensional operação política desenvolvida pelos Estados Unidos e seus aliados internos para fragilizar o Estado nacional, com o pretexto trilhado na história local de lutar contra a corrupção, desta vez atribuída indevidamente aos quatro governos consecutivos do Partido dos Trabalhadores (PT), cujos mandatos coincidem exatamente com a mencionada etapa 2003-2016.

Em meio à pandemia, os representantes de cada uma dessas tendências sociopolíticas, com diferentes graus de eficácia, tentam se impor no balanço geral de forças. Tudo indica que o confronto político crescerá e se tornará cada vez mais radical, sobretudo se, como é previsível, Bolsonaro persistir em seu plano autoritário e personalista.

A ultradireita, beligerante, dominada pelo ódio e por outras condutas disfuncionais, o apoia no referido plano. Ela define o caráter extremista do chamado bolsonarismo e busca modificar – leia-se degradar – as regras do sistema político liberal vigente, alinhada com as demandas do capital transnacional e de seus agente internos, incluídos certos núcleos militares. Seus líderes, os visíveis e os que não são, buscam ganhar tempo para privatizar tudo o que for privatizável, e para reduzir, até onde seja factível, os “gastos” em segurança social e em pagamento de empregos decentes. Algumas pesquisas dão a ele 30-32% de apoio social. Não é uma cifra que deva ser desprezada nem temida, mas sim estudada com a devida atenção. 

De forma paralela, a direita tradicional e oligárquica que pensou, em 2018, que poderia recuperar o poder executivo em breve, mediante uma figura de ultradireita que ela supunha que fosse manejável e de curta duração, está rapidamente tomando distância dele e de seu perigoso entorno, mas cuidando de preservar o programa econômico ultra neoliberal que sustenta, assim como o plano político de impedir, a qualquer preço, a ressurreição da esquerda com opções eleitorais de triunfo. Vivem rigorosamente, a conhecida disjuntiva de Shakespeare.

Na terceira tendência aparecem os representantes e seguidores da esquerda e da centro-esquerda deslocados do governo, que atravessa uma conjuntura marcada por mais desafios que avanços tangíveis. Em meio a um super complexo processo de recomposição organizativa e de intensos debates [ii] sobre prioridades estratégicas e táticas, do seu seio emergem vozes que demandam retomar o histórico trabalho de massas; o labor de formação e educação delas para que não sejam presas fáceis da mentira, da desinformação e das falsas promessas; e que convidam a examinar os reveses em termos que contribuam para evitar falhas, omissões e erros passados, entre outras valiosas formulações. 

A esquerda de hoje, em particular, é muito mais ampla que a representada pelos partidos políticos. Tem raízes e expressões relevantes nos movimentos sociais, na academia e na intelectualidade. Possui núcleos com ideias políticas e ideológicas muito avançadas, e um potencial de experiências organizativas que permitem confiar em sua capacidade para ressurgir mais forte. O quando e o como formam parte de assuntos soberanos que ela examina hoje, o que é, em si mesmo, um fato positivo diante da estratégia conjunta da direita e da ultradireita de propiciar o desânimo [iii] e a divisão e de estimular os personalismos e os sectarismos de todos tipo. Ambas buscam dividir aqueles que sabem que podem ser fortes de novo. 

Dentro deste cenário político geral, sobressaem os enfoques contrapostos das referidas tendências políticas sobre a forma de encarar as crises em desenvolvimento, e sobre o país que cada uma deseja. Constatar os enfoques em pugna é essencial para aproximar-nos dos rumos prováveis da luta política, tanto no curto como no longo prazo.

O que está em jogo é a defesa do capital pelo capital. Confrontar e vencer esta opção a favor das maiorias pobres, constitui uma necessidade para o Brasil

Mídia Ninja
Repete-se uma e outra vez a pergunta: que país será, após a pandemia

Perspectivas em conflito

Para Jair Bolsonaro e para os setores de poder que dão a ele a sustentação cotidiana, assim como para os mentores intelectuais do projeto autoritário e ultra neoliberal que ele representa, a estratégia – por seus fatos – é esta:

1) aproveitar as crises simultâneas em desenvolvimento para endurecer as regras do regime político;

2) quebrar todos os obstáculos que sobram para que o grande empresariado hegemônico consiga seus objetivos econômicos;

3) inflamar e armar o núcleo duro de ultradireita para que desempenhe uma função dissuasiva diante de eventuais protestos populares, ou no caso de um golpe, mediante o apoio às milícias particulares, assim como às polícias militares estaduais;

4) recuperar a ideia do “inimigo interno” a ser combatido, dentro da conhecida concepção represada da segurança nacional herdada da última ditadura, de novo a partir de um anticomunismo exagerado de maneira calculada;

5) tratar de cooptar os setores mais corruptos e patrimonialistas dos partidos tradicionais e atuais da direita. Tudo isso sob a cobertura de uma guerra das chamadas “fakes news” para “enganar enquanto se possa”.

Para esta perspectiva de ver e pensar o país, as opções são poucas e claras: se há que reprimir para que o programa econômico assumido possa avançar, pois se reprime. Tal é a mentalidade desta ultradireita, qualificada pela Folha de São Paulo, um ano e meio depois, como “fascismo de segunda”. Em 2018, esse diário proibia seus jornalistas de chamar Bolsonaro de “extremista de direita” [iv]. Sem comentários.

Não nos enganemos. Bolsonaro e seus mentores sabem, como Milton Friedman e Augusto Pinochet em sua época, que não existe forma humana de aplicar una política econômica como a assumida, sem forte resistência popular no médio e longo prazo. A história se repete.

O que está em jogo, uma vez mais, é a defesa do capital pelo capital. Confrontar e vencer esta opção a favor das maiorias pobres, constitui não apenas uma necessidade para o Brasil, mas para toda a América Latina e o Caribe. O que sucede hoje no país sul-americano é tão só a expressão local de um populismo de ultradireita que é estimulado em todo o mundo pelos mesmos interesses, apesar de ter neste caso, “história própria”. 

O grande capital está operando com alto grau de cooperação e sincronização entre suas diferentes expressões orgânicas. Não está improvisando. Aprendeu a utilizar, em função do plano restaurador, figuras que por momentos parecem agir de forma “impensada”, “emotiva” ou “disfuncional”, como Bolsonaro. Assim o confirma a atuação deste último. 

Primeiro qualificou a pandemia, em seu início, como “gripezinha”, isto é, lhe restou importância com a “intenção” declarada de favorecer a economia. Replicou desta maneira a atuação de seu máximo paradigma, Donald Trump. Falta ver agora como a qualifica, uma vez que terminou sendo vítima dela como caso “positivo” (se é que de verdade está doente).

Como consequência, o que podia ter sido um problema sanitário controlável, passou rapidamente a ser uma crise sanitária de proporções nunca vistas no país, com graves efeitos econômicos que por sua vez desnudaram, de forma imediata, as desigualdades acumuladas por uma nação em que “…sempre prevaleceu a vontade dos senhores de mando e riqueza”, como afirma o jurista Fabio Konder Comparato [v].

A cifras de contágios e falecidos, como nos Estados Unidos, indicam também que estão morrendo os mais pobres, em um nível que permite falar de crise social em desenvolvimento, a julgar pelas expressões de descontentamento social explícito que começam a ser observadas, e que é previsível que assumam densidade de massas e se tornem mais recorrentes, sobretudo quando cesse a atual fase da enfermidade. 

O manejo da pandemia à margem das recomendações da OMS, e dos alertas dados pelas próprias autoridades nacionais de saúde, gerou imediatas preocupações em outros órgãos do Estado, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso, entre eles. Qual foi a reação de Bolsonaro? Atacá-los e estimular seus seguidores mais fanáticos para que agissem da mesma forma. Assim aconteceu, e sobram exemplos para quem deseje buscá-los. 

Qual era e é para o presidente o objetivo maior? Fortalecer seu poder pessoal e debilitar os demais poderes públicos, tudo isso apoiado em um plano bem pensado de manifestações de radicais solicitando a volta da ditadura, é claro, “para pôr ordem”. Não é difícil responder a pergunta: Qual ordem?

De maneira paralela, a conduta do presidente hostil ao STF e quem o questione desde outras instâncias do Estado, responde também a circunstâncias mais vulgares. Ele e sua “famiglia” sabem que estão política e juridicamente na defensiva; intuem que não há opções para esconder os ilícitos de um delinquente como Fabrício Queiroz, colaborador próximo, hoje detido depois de estar, por mais de um ano, escondido sob a proteção do advogado Frederick Wassef, íntimo do clã; sabem que a indústria de notícias falsas de “Carlinhos” Bolsonaro está mais do que documentada; e temem que os inocultável nexos do hoje senador Flávio Bolsonaro com os grupos de extermínio, as chamadas milícias, apareçam em qualquer momento. 

Em resumo, Bolsonaro e a ultradireita que o respalda nas ruas necessitam do caos político e social. E o promovem todos os dias, e isso explica em grande parte a atual crise institucional do país. O objetivo de curto prazo é ganhar tempo para chegar a 2022 e poder aplicar o plano privatizador em grande escala, assim como avançar no alinhamento vassalo à política externa dos Estados Unidos. Mas, ter intenção é uma coisa; possuir a capacidade de levá-la à prática, outra muito diferente. O êmulo brasileiro de Trump não tem as mãos livres como desejaria. 

Para a aqui chamada direita tradicional e oligárquica, é evidente que Bolsonaro se transformou em um problema de governabilidade. Seus agentes econômicos necessitam que avance o plano ultra neoliberal assumido pelo bolsonarismo, mas dentro das regras do jogo e da correlação de forças que o impeachment contra Dilma Rousseff e a Operação Contra Brasil[vi] (Lava Jato) haviam propiciado em 2016.

As elites tradicionais de poder tinham conseguido para essa data pleno controle sobre todas as instâncias do poder judicial; chegaram a dominar as tendência principais da opinião pública (tema para um estudo especial);conseguiram que os setores mais conservadores das forças armadas apoiassem, por omissão ou anuência, as decisões que anularam o protagonismo da esquerda petista e seus aliados mais leais; facilitaram ao governo golpista de Michel Temer todo o apoio que demandou para entregar as riquezas do país às transnacionais e o capital privado interno. Essas elites alcançaram, finalmente, todo o poder que necessitavam, sem maiores reações contrárias. 

Nesse contexto de inquestionável hegemonia, aparece Bolsonaro, capta o apoio da ultradireita e da direita tradicional, mas começa a estragar de imediato, em virtude da soberba e da mediocridade que o caracterizam, a trégua à qual aspiravam uma parte do capital brasileiro e seus principais representantes na esfera política, jurídica e ideológica.

Isso explica, em alto grau, os editoriais e artigos críticos de O Globo, Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo; o rechaço à atuação de Bolsonaro por parte de importantes figuras do STF, de reconhecidas simpatias conservadoras; a postura de alguns banqueiros agora preocupados pela desordem em progresso; e as posições críticas ao governo de figuras intelectuais e acadêmicas conservadoras, mas de inquestionável talento e que creem sinceramente na democracia liberal. Neste arco-íris de posições, os interesses dominantes têm um objetivo central; o plano econômico ultra neoliberal do ministro Paulo Guedes deve ser preservado.  

No campo popular, no passado 30 de abril, João Pedro Stédile, líder do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), expressou com a autoridade de quem conhece bem os dramas e as potencialidades de seu país: “O Brasil vive uma crise econômica, política, social e ambiental, que pode ser considerada a mais grave e profunda da história…”. Falou do tema em singular, mas descreveu uma realidade de muitos rostos que reclamam justiça e equidade. 

Para ele, as soluções não chegarão da mão do capitalismo, em nenhuma de suas versões. De forma precisa, ele se declara partidário de “uma nova aliança de classes em torno de um projeto de país” [vii]. Isto é, passa por pensar além das contingências políticas, ou para dizê-lo de um modo mais gráfico, supõe impedir que os primeiros ramos (as soluções táticas, as pequenas lutas de poder e outros assuntos subalternos) impeçam de ver o bosque ao qual é necessário chegar. 

Este bosque, na perspectiva das organizações sociais e políticas mais revolucionários e/ou progressistas, guarda relação direta com a criação de um Brasil onde não existam essas realidades de hoje; milhões de trabalhadores e aposentados da cidade e do campo que levam sobre seus ombros os custos das crises geradas pela capital e não por eles; o contingente de desempregados que não para de crescer; os que vivem do trabalho informal e são milhões em situação agravada de pobreza; os jovens que não encontram empregos; os negros que continuam sem os direitos que deve ter todo ser humano, sem distinção de raça, credo ou situação social; e as mulheres de prole numerosa que agora não conseguem os benefícios de programas sociais em fase de míngua, entre ele o Bolsa Família, embora a propaganda bolsonarista diga o contrário para enganar os incautos  

O quadro antes exposto, mas com mais detalhes e impecável estilo literário, é refletido por Frei Betto em três artigos recentes. Tal é o valor de “Antígona & Antares”, “Eu não consigo respirar neste Brasil (des/governado)” e “A pandemia trará mudanças?”. Em sua visão holística da realidade, o escritor e teólogo não fica na constatação do drama, categórico vai à causa principal e afirma: “Vivemos a era do capitaloceno, na qual a apropriação privada da riqueza fala mais alto que os direitos” [viii]. Não é necessário perguntar qual é a sua perspectiva analítica e de vida, nem quais os projetos de país e sociedade que privilegia.

Nesta mesma e vital linha de pensamento, o também teólogo Leonardo Boff critica frontalmente o modo de produção capitalista e a que chama de sua expressão política, o neoliberalismo. De maneira direta enfatiza que “o capitalismo só é bom para os ricos” [ix]. Desde este enfoque medular defende a solidariedade acima da concorrência capitalista, e a interdependência dos seres humanos em lugar do individualismo. Coloca, assim, bandeiras éticas que a esquerda está no dever de materializar em qualquer país, e que a direita nunca assumirá por sua própria natureza. 

Deste modo, um emblemático dirigente social e dois pensadores que representam o mais genuíno da Teologia da Libertação, expressam uma linha de pensamento anticapitalista que está influindo na atuação de importantes movimento sociais, e que tem sido a bandeira histórica da esquerda revolucionária. Embora esta linha de pensamento não seja majoritária ainda, reaparece em um contexto que exigirá definições políticas e ideológicas mais claras e de curto prazo àqueles que operam desde a esquerda, tanto no Brasil como em toda a região.

O plano da direita internacional e o ódio de classes acumulado por seus representantes locais, não poderá impedir o que já está em desenvolvimento; a reinstalação do debate sobre como, desde a esquerda, sem medo e sem cálculos políticos estreitos, mas desde convicções de justiça e sentido de equidade, encarar a confrontação contra as versões radicais do neoliberalismo agitando posições críticas e radicalmente opostas ao capitalismo ultra neoliberal, que  no Brasil e em outros países da região se está tratando de reinstalar.

Esta realidade, depois da pandemia, é previsível que desafie a todos por igual, na direita e na própria esquerda. A primeira quase seguramente buscará os pretextos que lhe permitam reprimir em grande escala, se as manobras demagógicas fracassarem. No campo da esquerda vai pôr a prova muitos discursos, e o essencial é que possibilitará que se imponham as lideranças realmente disposta a “mudar tudo o que deve ser mudado” [x] a favor dos mais humildes.

Pelo que se observa, as lutas por mais justiça e equidade, por mais democracia e direitos de participação se multiplicam e prometem crescer. Tem um algo valor simbólico o que aconteceu no passado primeiro de maio. Pela primeira vez na história do movimento sindical, todas as centrais uniram esforços e condenaram o autoritarismo em desenvolvimento, e defenderam os direitos dos trabalhadores e aposentados, entre outras bandeiras. 

De maneira paralela estão se incrementando as vozes, individuais e coletivas, que se pronunciam em favor de uma grande Frente Ampla contra “o fascismo de segunda” que trata de avançar no país. Não é uma iniciativa que goze de apoio unânime, mas revela, por um lado, a polarização política existente hoje e, por outro, confirma os níveis de resistência plural que estão se desenvolvendo na sociedade contra a degradação de todas as esferas da vida cotidiana, em virtude das políticas retrógradas do governo. 

Na direita, um setor busca cooptá-las para que fiquem só no “Fora Bolsonaro”, sem afetar o plano econômico antinacional deste personagem. Outros preferem que exclusivamente se fale em defesa da democracia sem adjetivo.  

Já na esquerda, um setor estimula para que se vá além, isto é, para que se resolva o objetivo imediato (parar o golpismo em desenvolvimento) e sejam criadas condições para mais adiante chegar à defesa da soberania nacional e outras propostas de maior alcance social e político. Outro segmento não compartilha essa percepção e prioriza opções diferentes de luta. O que é relevante é que uns e outros estão buscando caminhos para retomar a iniciativa política e vencer os desafios do bolsonarismo.

Neste contexto, a luta de classes no país assume conteúdos e formas que demandam maior estudo por seu alcance continental e, no caso da esquerda, maiores níveis de unidade de ação. A direita e a ultradireita conhecem esta última realidade e tratam de aproveitá-la todos os dias. 

Em qualquer variante, a COVID-19 parece colocar o Brasil diante de uma nova etapa de lutas políticas e sociais, com potencial para ser de signo progressista. Neste caso, vale a pena seguir, entender e apoiar de forma decidida seus protagonistas. A América Latina e o Caribe o necessitam. 

 

Notas/Bibliografia

[i] Por tendência política aqui se assumem as ideias, valores e práticas políticas que materializam os partidos políticos, movimentos sociais e outros atores políticos, de forma partilhada, com níveis de organização e concertação diversos, que impactam no debate público e no processo de tomada de decisões na sociedade, no Congresso e nos demais poderes do Estado, em defesa de um ou outro rumo político e econômico do país. 

[ii] Uma amostra deste debate aparece nas declarações da ex-presidenta Dilma Rousseff a Mino Carta (Carta Capital), em 6 de junho de 2020, sobre a Frente Ampla; em “Brasil-crises e impasse”, de Walter Sorrentino, vice-presidente nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB); em “Capítulos Finais”, de Juliano Medeiros, presidente nacional do  Partido Socialismo e Liberdade (PSOL);  e em “A política de frente para derrotar Bolsonaro e salvar a democracia”, de Roberto Amaral, em contato@ramaral.org.

[iii] “A direita necessita consolidar a percepção de que a história continental entre em uma fase regressiva e imparável a favor do capitalismo selvagem, próprio da atual fase de transnacionalização deste sistema. Desmontar com fatos esta visão fatalista, é missão de princípios para a esquerda de Nossa América”. Assim o consigna o Documento Base do XXIV Encontro do Foro de São Paulo, efetuado em julho de 2018, em Havana.

[iv] Ver em Brasil 247. 27 de Maio de 2020. “Folha finalmente chama Bolsonaro de fascista”   

[v] Ver em Portal Tutaméia (https:// tutameia.jor.br). 6 de Maio de 2020. Entrevista a Fabio Konder Comparato

[vi] Ver em CUBADEBATE, 24 de Junho de 2020 “Brasil en disputa. Permiso para opinar”.

[vii] Ver em Portal 360. Brasília (https://www.poder360.com.br). “Em defesa da vida do povo, mudar o governo!”. João Pedro Stédile.

[viii] Ver em www.freibetto.org. 7 de Junho 2020. “A pandemia trará mudanças?.

[ix] Leonardo Boff, teólogo e pensador de visão estratégica, para este debate aporta una perspectiva ecológica sem a qual não é concebível um pensamento de esquerda para encarar os desafios do desenvolvimento da Humanidade, que superam os da COVID-19. Ver www.leonardoboff.wordpress.com (“O que poderá vir depois do coronavirus”).

[x] Ver en https://presidencia.gob.cu/es/noticias/concepto-de-revolucion/

Rafael Hidalgo Fernández, Sociólogo e analista político cubano

Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Rafael Hidalgo Fernández

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