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Com vitória de Trump no impeachment, debate sai do Senado e vai para as urnas dos EUA

Apesar de mais revelações “explosivas” divulgadas sobre processo, liderança republicana derrotou as propostas de convocação de novas testemunhas
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

Na noite desta segunda-feira (3), a liderança republicana derrotou no Senado estadunidense as propostas de convocação de novas testemunhas e solicitação de novos documentos e com isso o julgamento político de Donald Trump.

Apesar de mais revelações “explosivas” divulgadas sobre como Trump havia buscado a interferência estrangeira para beneficiar sua reeleição, de uma onda de argumentos apresentados não só pelos deputados-promotores, mas por especialistas legais e sem se importar com o fato de que várias figuras reconhecidamente republicanas – incluindo o ex-chefe de gabinete do presidente, John Kelly, o veterano ex-senador Mark Warner, e até o ex-advogado do presidente Richard Nixon, John Dean – tenham instado a que votassem a favor de convocar novas testemunhas chaves para assegurar um “julgamento imparcial”, os senadores republicanos se ajoelharam ante o rei de seu partido e com apenas dois dissidentes, derrotaram a resolução por 51 contra 49 votos.

Alguns senadores republicanos aceitaram a evidência nas acusações de abuso de poder e obstrução do Congresso, e reconheceram que Trump agiu mal ou de maneira “imprópria”, mas justificaram seus votos argumentando que seu comportamento não foi tão grave para justificar sua destituição. Outros continuaram assegurando que Trump não só não fez nada de mal, mas que a ameaça ao processo democrático provém dos democratas ao levar a cabo o impeachment de seu líder.

Os democratas outra vez sublinharam que “sem testemunhas, não há julgamento”, e que o veredito final carecerá de validade já que é resultado de um processo sem precedentes em outros julgamentos políticos – já que todos incluíram testemunhas e mais documentação. 

“Comprovamos nosso caso. Mas o argumento dos defensores do presidente é: e que?… O presidente é o Estado”, segundo eles, expôs Adam Schiff, chefe da delegação de deputados-promotores.

Apesar de mais revelações “explosivas” divulgadas sobre processo, liderança republicana derrotou as propostas de convocação de novas testemunhas

Bernie Sanders Twitter / Reprodução
John Bolton, o ex-assessor de Segurança Nacional de Trump revela novos fatos incriminando Trump

Esses argumentos ganharam ainda maior peso com novas revelações, publicadas no New York Times, de um livro escrito por John Bolton, o ex-assessor de Segurança Nacional de Trump, que havia indicado sua disposição de apresentar-se como testemunha, algo que a Casa Branca e a liderança republicana buscavam evitar a qualquer custo. 

Bolton escreveu que Trump lhe ordenou em maio do ano passado – mais de dois meses antes do famoso telefonema entre o presidente estadunidense e o presidente ucraniano onde solicitou que investigasse seus opositores políticos – para pressionar o ucraniano a reunir-se com seu advogado pessoal, Rudy Giuliani com o objetivo de que anunciasse essa investigação para afetar seus opositores democratas nas eleições de 2020.  

Mais ainda, na reunião na Casa Branca onde foi dada essa ordem estavam presentes também o chefe do gabinete, Mick Mulvaney, e entre outros, Pat Cipollone – o advogado da Casa Branca que encabeça a defesa de Trump neste julgamento político. Tudo isso está no centro do caso contra o presidente de abusar de seu poder oficial para propósitos políticos pessoais.

Trump desmentiu essa versão, ao afirmar que “nunca dei instruções a John Bolton para organizar uma reunião para Rudy Giuliani, um dos maiores e mais grandiosos lutadores contra corrupção na América…  Essa reunião não ocorreu”. Giuliani também qualificou a versão de Bolton como falsa.  

Nenhum dos dois tem grande credibilidade, mas tudo isso parece já não importar. 

Este debate agora sairá do Senado para formar parte central da disputa eleitoral que determinará o futuro do presidente nas urnas em novembro. 

Entre algumas das primeiras reações sobre este terceiro julgamento político de um presidente na história do país:

El Chapo, ao ser informado do que ocorreu com o processo contra Trump, estava furioso sobre ninguém neste país ter lhe informado que um julgamento sem testemunhas era possível. “Se alguém me tivesse dito que poderia ter um julgamento livre de testemunhas, teria tomado esse caminho”, declarou. Assinalou que se tivesse que identificar apenas uma razão pela qual foi condenado no fim do seu julgamento, “foi por estas testemunhas… as testemunhas arruínam tudo”, disse o satirista Andy Borowitz do The New Yorker, Stephen Colbert, o satirista/comico, apresentador do The Late Show, resumiu o momento assim: “o julgamento político está em uma corrida com a democracia para ver qual dois acaba mais rápido”.

*David Brooks é correspondente de La Jornada em Nova York, EUA

**La Jornada, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

***Tradução: Beatriz Cannabrava

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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