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Como fascismo faz, movimento democrático precisa se articular internacionalmente

Segundo a socióloga Irene León, um bom exemplo é a Cimeira Internacional contra o Fascismo, realizada na Venezuela entre 11 e 13 de abril
Redação AbrilAbril
AbrilAbril
Lisboa

Tradução:

Em declarações ao jornalista William Urquijo Pascual, da Prensa Latina, a propósito da realização, em Caracas, da Cimeira Internacional contra o Fascismo, a socióloga referiu que a expansão destes posicionamentos políticos extremistas constitui um fenômeno vertiginoso, que se agudizou nos últimos tempos.

“Isto não é retórica, estamos a ver um mundo dividido por esta recomposição da extrema-direita e das suas propostas, e, por outro lado, pela própria necessidade do capitalismo de gerar processos autoritários para se recompor”, explicou.

Irene León, que é membro da Rede de Intelectuais e Artistas em Defesa da Humanidade, indicou que as empresas transnacionais, o complexo militar industrial e os grandes consórcios mediáticos assumiram um poder desmesurado no mundo global, um controle que procuram aumentar através de governos autoritários.

“Obviamente, o capitalismo procura reposicionar-se e só o pode alcançar por via do confisco de qualquer ideia de gestão coletiva, de democracia participativa ou socialismo», disse.

Neste sentido, a socióloga equatoriana referiu que a designada reestruturação do capitalismo surge acompanhada pela reorganização das forças de extrema-direita, por via de uma coordenação que visa criar ações comuns, alertou.

Segundo a socióloga Irene León, um bom exemplo é a Cimeira Internacional contra o Fascismo, realizada na Venezuela entre 11 e 13 de abril

Venezolana de Televisión
Debates centraram-se nas novas caras da extrema-direita, na importância da comunicação alternativa e nas experiências de luta e resistência

Extrema-direita da América Latina

Irene León deu como exemplo a iniciativa que propõe a criação da chamada Iberosfera. “Aí estão partidos como Vox, de Espanha, e outros de extrema-direita da América Latina, que pretendem pôr em marcha um projeto neocolonial, pôr sobre a mesa os valores da colónia atualizados à faceta imperialista”, explicou.

Irene León, socióloga equatoriana que participou na Cimeira Internacional contra o Fascismo, em Caracas / Prensa Latina  

Trata-se, segundo a especialista, de movimentos muito obscurantistas em defesa do mundo corporativo e deste novo formato do capitalismo global, que propõe a desconstrução das identidades culturais e nacionais, num fascismo atualizado segundo as regras do século XXI.

Neste cenário, a socióloga equatoriana destacou a importância de reforçar a articulação entre os movimentos democráticos que defendem os direitos dos povos a encontrar as suas próprias formas de organização, de viver a democracia participativa e gerir um projeto económico político soberano.

A este respeito, Irene León valorizou a celebração, na Venezuela, da Cimeira Internacional contra o Fascismo, que reuniu cerca de 200 intelectuais, académicos, ativistas políticos e representantes de movimentos sociais provenientes de mais de meia centena de países.

A iniciativa, que decorreu entre 11 e 13 de Abril, foi organizada no âmbito do programa comemorativo do 20º aniversário da vitória sobre o golpe de Estado contra Hugo Chávez, com um cariz anti-imperialista e contra o expansionismo da NATO.

Os debates centraram-se nas novas caras da extrema-direita, na importância da comunicação alternativa e nas experiências de luta e resistência popular nos novos tempos.

Redação AbrilAbril


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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