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Crianças imigrantes traumatizadas, países violados, crise financeira global: quando EUA terão que pagar?

Especialistas calculam que quase meio milhão de pessoas (entre elas muitos imigrantes) pereceram “desnecessariamente” pela irresponsabilidade dos políticos. Quem prestará contas?
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

Um informe emitido na semana passada por Doutores por Direitos Humanos confirma que crianças e pais separados à força na fronteira MéxicoEstados Unidos — mais de 5 mil menores, algumas de menos de um ano de idade enquanto 1.727 dessas crianças ainda não foram reunificadas com seus famílias — sob a política de “tolerância zero” de Trump estão mostrando sinais de trauma psicológico severo e transtornos mentais.

Alguém — o ex-presidente, o arquiteto de seu brutal programa, Stephen Miller, e os cúmplices no gabinete — terá que prestar contas diante dessa violação fundamental de direitos humanos?

Washington tem despachado suas forças armadas ao estrangeiro centenas de vezes, desde 1789 até o presente

Mas algum comandante em chefe, gabinete ou chefes militares foram obrigados a prestar contas destas ações e dos crimes de guerra que foram cometidos incluindo tortura, assassinato de civis, destruição de hospitais e escolas e ainda mais? 

650 crianças separadas dos pais pelo governo Trump ainda não reencontraram suas famílias

Sem prestar contas pelos atos ilegais e até terroristas dos Estados Unidos contra Cuba ao longo de mais de meio século, o chanceler e a equipe da política exterior de Washington continuam pretendendo em público que sua obsessão com a troca de regime nessa ilha tem que ver com “princípios democráticos”, ou afirmando que lhe importa o processo eleitoral democrático em Honduras sem mencionar seu apoio ao golpe de Estado durante o governo de Barack Obama.

Não pensam que sua autoridade moral é nula sobre o assunto da democracia, justamente por não prestar contas sobre sua história de intervenções, apoio a golpes de estado e assassinatos políticos de líderes democráticos. 

Talvez a maior fraude financeira da história fez explodir a economia nos Estados Unidos em 2007-2008, com a pior recessão desde a Grande Depressão e todas suas consequências sociais. Ninguém prestou contas; nenhum banqueiro foi enviado à prisão. 

Especialistas calculam que quase meio milhão de pessoas (entre elas muitos imigrantes) pereceram “desnecessariamente” pela irresponsabilidade dos políticos. Quem prestará contas?

The White House
Sem prestação de contas não há democracia, afirma EUA cada vez que julga a política de outros países. Mas, aplica o mesmo para ele?

Especialistas calculam que quase meio milhão de pessoas nos Estados Unidos (entre elas muitos imigrantes) pereceram “desnecessariamente” durante o primeiro ano da pandemia pela irresponsabilidade dos políticos na resposta à pandemia. Quem prestará contas?

Uma ampla e crescente gama de políticos, intelectuais, militares e até empresários estiveram soando o alarme de que a democracia estadunidense está em xeque. Um relator especial do escritório de direitos humanos da ONU concluiu que nos Estados Unidos está sendo “minada a democracia” com medidas em vários estados buscando suprimir o voto das minorias. 

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Outro informe, do Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral concluiu que a democracia estadunidense está “em retrocesso” ao assinalar “uma deterioração visível dos ideais democráticos” com a disputa de resultados eleitorais legítimos, esforços para suprimir participação eleitoral e atos de repressão oficial contra os protestos, entre outros fatores. Quem prestará contas por sufocar a própria democracia em casa? 

Sem prestação de contas não há democracia, afirma Estados Unidos cada vez que julga a política de outros países. Mas, aplica o mesmo para ele?

“…. Todas as pessoas equivocadas estão na prisão e todas as pessoas equivocadas estão fora da prisão, todas as pessoas equivocadas estão no poder e todas as pessoas equivocadas estão fora do poder”, escreveu o historiados Howard Zinn, afirmando que isso persiste porque “nosso problema é a obediência civil” ante tanta injustiça. Diante disso, argumentou, às vezes se requer a desobediência civil justamente para obrigar o poder a prestar contas e com isso defender essa essência da democracia. 


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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