Pesquisar
Pesquisar

Crise de refugiados na fronteira entre Bielorrússia e Polônia acende alerta vermelho na Alemanha e na Rússia

Bielorrússia e a Polônia, com o apoio de seus sócios, atribuem a culpa um ao outro pela crise migratória e lançam todo tipo de advertências e ameaças
Juan Pablo Duch
La Jornada
Moscou

Tradução:

A tensão na fronteira entre Minsk e Varsóvia — ou, se preferir, o confronto geopolítico entre um dos principais aliados da Rússia, por um lado, e por outro, um membro da Organização do Tratado do Atlântico (OTAN) e a União Europeia (UE) — não diminui, incrementando o risco de explosão de um conflito armado entre eles. 

Isto acontece quando milhares de migrantes continuam presos na crise humanitária que se agrava no limite — separado por arame farpado — de um país, Polônia, que recusa abrir a porta para que cheguem ao seu ansiado destino, a Alemanha, e outro, Bielorrússia, que não quer que fiquem no seu território.

Fome e frio — drama especialmente impactante pelos estragos que causa aos mais indefesos: mulheres, idosos e crianças pequenas — é o preço que pagam neste momento os refugiados que perdendo tudo, fugiram dos horrores da guerra em sua pátria em busca de uma vida melhor, enquanto a Bielorrússia e a Polônia, com o apoio de seus sócios, atribuem a culpa um ao outro pela crise migratória e lançam todo tipo de advertências e ameaças.

A cada dia se agrega uma página ao já grosso catálogo de desencontros, e na úlltima quinta-feira (11), quando Bruxelas se prepara para instrumentar o quinto pacote de sanções contra Minsk, responsabilizando o regime bielorrusso de estimular o fluxo de migrantes para desestabilizar a União Europeia, o presidente Aleksandr Lukashenko, que rechaça essa acusação e atribui aos Estados Unidos e à OTAN a origem do problema, respondeu com a possibilidade de impedir o trânsito do gás natural russo que chega a clientes europeus através do gasoduto “Yamal-Europa” que passa por seu território.

Bielorrússia e a Polônia, com o apoio de seus sócios, atribuem a culpa um ao outro pela crise migratória e lançam todo tipo de advertências e ameaças

agencia brasil
Milhares de migrantes continuam presos na crise humanitária que se agrava no limite

Esta perspectiva alarma sobretudo a Alemanha, o destino desse gasoduto, e motivou que a ainda chanceler federal Angela Merkel tenha telefonado ao presidente Vladimir Putin para pedir que exerça pressão sobre Lukashenko.

O titular do Kremlin – segundo um comunicado de seu serviço de imprensa – aproveitou a ocasião para culpar a OTAN de “levar a cabo ações desestabilizadores e de provocação” no mar Negro, para onde os Estados Unidos enviaram três barcos de guerra para participar de umas manobras navais com contingentes da Bulgária, Romênia e Turquia, assim como dois países da antiga União Soviética inimistados com a Rússia, Georgia e Ucrânia. 

A Rússia e a Bielorrússia compartilham a obrigação de prestar-se ajuda militar em caso de sofrer uma agressão, pelo qual Lukashenko — em uma entrevista a um meio russo, transmitida pela televisão bielorrussa —, recordou esta semana que, em caso de haver uma guerra com a Polônia, a “Rússia se veria imediatamente envolvida neste torvelinho e é a maior potência nuclear”.

Na Bielorrússia não há bases nem tropas russas, mas em questão de horas poderiam chegar até a fronteira com a Polônia e há pouco tempo Lukashenko aceitou ampliar por outros 25 anos a presença em seu território do pessoal militar que opera o sistema de radares e outras instalações similares do exército russo.

Juan Pablo Duch, correspondente de La Jornada em Moscou


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

Assista na Tv Diálogos do Sul

 

   

Se você chegou até aqui é porque valoriza o conteúdo jornalístico e de qualidade.

A Diálogos do Sul é herdeira virtual da Revista Cadernos do Terceiro Mundo. Como defensores deste legado, todos os nossos conteúdos se pautam pela mesma ética e qualidade de produção jornalística.

Você pode apoiar a revista Diálogos do Sul de diversas formas. Veja como:


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

Juan Pablo Duch Correspondente do La Jornada em Moscou.

LEIA tAMBÉM

Pedro Sánchez Apresenta Plano de Regeneração Democrática no Congresso Espanhol
Pedro Sánchez apresenta ações contra fake news enquanto lei mordaça segue em pauta
Afeganistão: os talibãs avançam rumo ao reconhecimento internacional
Talibãs no Afeganistão ampliam cooperação e avançam para ganhar legitimidade internacional
Republicanos atraem voto latino para Trump em meio a ataques a imigrantes
Republicanos prometem 50% do voto latino enquanto líderes atacam imigração ilegal na convenção
China e Rússia iniciam manobras militares conjuntas em resposta à expansão da OTAN
Manobras militares China Rússia são uma resposta à expansão da Otan na Ásia