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Crise gerada por investigações a Trump levanta questão: seria o fim do Partido Republicano?

Ex-mandatário continua mantendo controle extenso sobre a sigla conservadora, graças ao amplo apoio que tem entre as bases
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

“É o fim do Partido Republicano”, proclamaram alguns observadores ao comentar sobre as crescentes divisões internas entre os aliados de Donald Trump e seus adversários – muitos deles antes súditos leais do então presidente – geradas ao serem aceleradas as investigações criminais federais e locais contra o ex-presidente e seus cúmplices nos últimos dias. 

A deputada federal Liz Cheney, que antes ocupava o terceiro posto mais alto de liderança de sua bancada na Câmara Baixa e é filha do ex-vice-presidente Dick Cheney, agora é a figura anti-Trump de maior perfil no Partido Republicano.  

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Ao reconhecer sua derrota na sua tentativa de reeleição na terça-feira (16), como resultado de seu desafio a Trump por condenar seu intento de descarrilar e reverter a eleição presidencial, Cheney declarou que poderia haver ganhado, mas que isso teria implicado em “aceitar a mentira de Trump sobre a eleição de 2020” de que perdeu por fraude, e facilitar seus esforços para “desfazer nosso sistema democrático e atacar os fundamentos de nossa república”. 

Nesta quarta-feira (17), a parlamentar sublinhou que sua missão imediata era fazer todo o possível para evitar que Trump regressasse à Casa Branca e que uma entidade política estava já estabelecendo com esse propósito. Além disso, neste mesmo dia, indicou que está “pensando” em lançar-se como candidata presidencial em 2024. 

Enquanto isso, ninguém menos que o próprio ex-vice de Trump, Mike Pence, implicitamente declarou a mesma coisa nesta quarta-feira, quando afirmou que estava disposto a contemplar, se for convocado, a declarar perante o comitê seleto da câmara baixa que investiga o assalto violento contra o Capitólio – o qual é co-presidido por Cheney. 

Pence também pediu que os republicanos deixem de atacar o FBI e seu pessoal depois da busca na residência de Trump. Políticos aliados com Trump, incluindo a liderança da bancada republicana, denunciaram com fúria a busca e acusando o FBI de ser parte de um esforço politicamente motivado contra o ex-presidente. 

Ex-mandatário continua mantendo controle extenso sobre a sigla conservadora, graças ao amplo apoio que tem entre as bases

La Jornada
De 10 deputados republicanos que votaram a favor do impeachment de Trump, oito já perderam apoio, incluindo Liz Cheney




“Covarde”

Vale recordar que Trump acusou Pence de ser um covarde ao não cumprir suas ordens de descarrilar a certificação do voto eleitoral no Congresso – como vice-presidente tinha a função de presidir esse passo final de uma eleição presidencial. A acusação pôs sua vida em risco durante o assalto ao Capitólio, quando a turba repetia a consigna de “enforquem Pence”, até que o Serviço Secreto o escondeu em um “quarto seguro”. Quando Trump foi informado disso, só comentou: “ele merece”.  

Mas, apesar de haver mais elementos em múltiplas investigações sobre possíveis delitos cometidos por Trump em seus aliados revelados quase todos os dias, o que provoca maior preocupação e rachaduras mais visíveis dentro de seu partido é que o ex-mandatário continua mantendo um controle extenso sobre o Partido Republicano, graças ao amplo apoio que tem entre as bases.

Advogado de Trump também vira alvo de investigações, por interferência nas eleições

E ainda mais, está conseguindo aniquilar partidários que se atrevem a desafiá-lo. Dos 10 deputados republicanos que votaram a favor de seu impeachment depois do assalto ao Capitólio por fanáticos trumpistas em 6 de janeiro de 2021, oito – incluindo Cheney – já não ocuparão suas cadeiras no início da próxima sessão do Congresso em 2023.


Qual será a extensão do prejuízo legal e político?

No entanto, ainda não se sabe quão extenso será o prejuízo legal e político da busca na residência de Trump pelo FBI na semana passada, além da revelação de que está sob investigação por possíveis violações da Lei de Espionagem e outras normas relativas aos seu manejo de documentos oficiais secretos. 

O ex-presidente e sua equipe estão buscando contratar advogados de alto nível para defenderem-se dessa investigação federal, mas se surpreenderam com a resposta de muitos dos melhores advogados nestes temas: um categórico “não”, segundo reporta o Washington Post.  

Aparentemente, há resistência em representar uma figura que tem fama não apenas de ser um cliente difícil e indisciplinado, mas que não paga o que deve. Representar uma figura como Trump traria menos prestígio que em outros tempos.  

Apesar disso, conseguiram contratar um advogado famoso – em parte por representar estrelas de rap em Atlanta, entre eles Cardi B e amigos – para ajudar a enfrentar a investigação criminal sobre interferência eleitoral na Georgia por sócios do ex-presidente, incluindo seu advogado pessoal, Rudolph Giuliani, que foi interrogado nesta quarta-feira por promotores diante de um grande júri a respeito desse caso.

David Brooks, correspondente do La jornada em Nova York.
Tradução: Beatriz Cannabrava.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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